Ônibus Paraibanos

Eletricidade ou combustíveis alternativos? O que o futuro nos reserva

Por Revista AutoBus-Antônio Ferro
Fotos Revista AutoBus e Scania Colômbia

O que prioritariamente moverá o ônibus urbano brasileiro em meados dos anos 2020? A tração elétrica ou o propulsor de combustão interna abastecido com algum biocombustível? Difícil afirmar com toda clareza em virtude das condições brasileiras no que tange às fontes primárias, aspectos operacionais e carência de programas governamentais comprometidos com o meio ambiente e que permitam um novo olhar diante das novas tecnologias disponíveis para a substituição do diesel na matriz energética do modal.

De certeza apenas uma coisa – a revolução já chegou no meio e o desenvolvimento de novas formas de tração ganha corpo com a necessidade de se alcançar a redução das emissões poluentes nos cenários das cidades.

Das opções que podem ser adotadas aqui, a eletricidade (para trólebus e modelos a baterias) e o biometano revelam-se, neste momento, as escolhas mais viáveis. Pode-se dizer também que seja o biodiesel, da primeira ou segunda geração (esta última ainda em fase de desenvolvimento), ou ainda uma outra opção, porém com menor atratividade para uso 100% em volume.

Formadores de opinião, especialistas na área de energias, ambientalistas e outros envolvidos acreditam no poder do ônibus elétrico para combater a poluição causada pelo setor de transportes. Talvez sim, talvez não. O sim é motivado pelo caráter da emissão zero vindo de um motor que não expele fumaça. O não é que o Brasil precisa encontrar mecanismos para o investimento e operação da tecnologia, bem mais cara em relação ao atual modelo de tração a diesel, predominante no segmento. Apenas o valor da tarifa não será suficiente para arcar com os custos da infraestrutura necessária para a operação. Há ainda que se levar em consideração o valor de aquisição de um ônibus elétrico, em geral o dobro da versão tradicional.

No caso do biometano, os benefícios ambientais também se traduzem positivos, entretanto, sua produção ainda é incipiente para um abastecimento em larga escala. Também é preciso mais atenção com o biocombustível, que além de encher o tanque do ônibus, pode ser fonte de geração da própria energia elétrica.

O potencial brasileiro de energia renovável é enorme. Fontes hidrelétrica, eólica, solar e biogás tornam o País um caso singular frente às outras nações. Combustível para o transporte público não falta. O que é preciso é uma definição quanto ao que e como será utilizado.

Outro contexto é pensar na configuração dos veículos. O modelo brasileiro, e até mesmo os operados em outros países da América Latina, exige um padrão tecnológico robusto, capaz de superar as adversidades da operação. Nesse quesito, o ônibus elétrico 100% a baterias ainda precisa ter um melhor desenvolvimento para poder apresentar desempenho suficiente para transportar até 270 passageiros, com a mesma eficiência de um veículo equipado com um tanque de 400 litros de diesel. O trólebus representa uma alternativa nesse questionamento e pode responder positivamente essa pergunta?

Fica o desafio para a transição que objetiva a mobilidade limpa, sem os efeitos da poluição. Os departamentos de engenharia das fabricantes estão atentos a demanda. Quem será o primeiro a habilitar sua criação (as montadoras ou o governo)? Será que 2019 trará essa resposta?

PS – Além da tração, é necessário rever o modus operandi do modal. Priorizar sua operação, por meio de corredores exclusivos, fator que pode contribuir com viagens mais rápidas e melhor desempenho, representa ainda o benefício ambiental com a mitigação das emissões poluentes.


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