Santiago com novos ônibus

Por Antonio Ferro – Revista AutoBus
Imagens Divulgação – Metbus / Caio

Localizada em um vale, tendo como companhia em um de seus limites a Cordilheira dos Andes, a capital chilena sofre com os efeitos nocivos causados pela poluição. É comum ver uma grossa camada de fuligem encobrindo o ar da cidade. E o governo local tem buscado meios para amainar esse quadro, com medidas que visam estabelecer um maior controle e redução das emissões poluentes, vindas principalmente do transporte.

Dentre as medidas promovidas pela autoridade pública, a renovação da frota de ônibus urbanos é apresentada como uma das soluções para enfrentar esse problema que tanto afeta a população de Santiago. Para isso, o governo anunciou há alguns meses que 690 veículos chegarão para substituir as unidades mais antigas. Desse volume, 200 serão com tração elétrica e outros 490 continuarão sendo movidos a diesel, entretanto, serão equipados com propulsores que atendem a norma Euro VI, o que significa dizer que são baixíssimos os índices de óxido de nitrogênio e material particulado emitidos, principais poluentes que acometem a saúde pública.

Eletromobilidade

Santiago dá um grande passo em direção a tração elétrica em seus sistema de transporte público. Assim como grandes cidades do hemisfério norte que estão investindo em novas e limpas frotas para o transporte coletivo, a capital mostra iniciativa em querer mudar, tendo como compromisso a busca por um ambiente mais saudável.

Com a chegada de 200 veículos elétricos (100% a baterias), as ruas santiaguinas terão a maior frota da América Latina nesse conceito. 100 unidades foram fornecidas pela fabricante chinesa BYD para a distribuidora de energia Enel, que repassou à operadora Metbus. Os veículos são do modelo integral K9FE, com 12 metros de comprimento.

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De acordo com a Enel, sua iniciativa visa impulsionar a eletromobilidade chilena, com eletricidade 100% limpa e com menor custo em comparação com outros combustíveis. A empresa investiu na construção de dois eletroterminais com 130 estações de recargas elétricas, painéis fotovoltaicos, subestações para alta, média e baixa tensões, além do uso de sistemas de controle e gestão das recargas, com capacidade para administrar de forma efetiva e em tempo real o abastecimento dos ônibus.

Além das vantagens ambientais, os novos ônibus também poderão proporcionar benefícios econômicos. A Enel informa que o custo operacional do modelo elétrico é 70% menor que o ônibus a diesel, onde o valor por quilômetro do ônibus elétrico é de 70 pesos, enquanto que a versão a diesel tem custo de 300 pesos. Além disso, o baixo nível de ruídos da tração elétrica é lembrado pela distribuidora de energia.

Os outros 100 ônibus elétricos foram produzidos pela também fabricante chinesa Yutong, para as operadoras Buses Vule e STP Santiago.

Veículos a diesel

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A encarroçadora brasileira Caio Induscar participa da renovação dos ônibus, com o fornecimento de 148 unidades de sua carroçaria Mondego. Todas as unidades possuem comprimento total de 12.505 mm e capacidade para transportar 30 passageiros sentados, incluindo assentos para pessoas com mobilidade reduzida e também idosos. A lotação é para 97 passageiros. Totalmente acessível, o modelo ainda possui rampas para facilitar o acesso de pessoas com necessidades especiais e espaço para acomodar cadeira de rodas. Segundo a empresa brasileira, um dos diferenciais do modelo Mondego é o guarda-corpo, para a fixação da cadeira de rodas, que também possui poltrona com assento escamoteável, que fica recuada, quando o espaço está sendo utilizado por um cadeirante. Se não houver cadeirante no ônibus, esta poltrona poderá ser utilizada como um assento a mais no veículo.

A Caio também ressalta que os veículos contam com estrutura leve e resistente, resultado de estudos e um projeto de aprimoramento, que levou cerca de dois anos de desenvolvimento, possibilitando uma maior quantidade de passageiros, de acordo com as normas do Chile. Outros elementos presentes na carroçaria são o sistema de solicitação de parada sem fio, ar-condicionado, tomadas USB para recarga de smartphones e outros eletrônicos, sistemas de gerenciamento de frota, monitoramento por câmeras e alto-falantes, para realizar a sonorização interna. As portas são do tipo fole, com acionamento eletropneumático, contando ainda com sistema ante esmagamento e bloqueadores de porta original do chassi, os quais evitam abertura inesperada durante o trajeto, conferindo maior segurança aos passageiros.

Todos os novos veículos terão chassis Mercedes-Benz equipados com propulsores Euro VI, um avanço em termos de baixas emissões para modelos movidos a diesel.

Ainda, segundo fontes, completando o volume restante dos ônibus a ser fornecido para o sistema de Santiago, a fabricante brasileira Marcopolo será a responsável pelo negócio.

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