O 2017 do transporte intermunicipal: desse ano, Bayeux não vai esquecer

De Ônibus Paraibanos
Por Josivandro Avelar
Imagens Acervo Paraíba Bus Team

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O Ônibus Paraibanos inicia uma série de posts com a retrospectiva do ano que está terminando essa semana. Foi um ano de mudanças tímidas no transporte. O que não se aplica a uma cidade: Bayeux. O município viu a Metro, a antiga Wilson, sucumbir em uma de suas várias crises, provocando a maior mudança da história do transporte da cidade, que só iria se dar com sua saída de cena.

E como era de se imaginar, quem substituiu a Metro foram as empresas do Grupo A.Cândido, que não assumiram as linhas sozinhas: junto com a SIM e a remanescente Das Graças, formaram o Consórcio Metropolitano. Esse é um dos destaques da retrospectiva 2017 do transporte intermunicipal.

Um final melancólico

O primeiro post do ano do Ônibus Paraibanos mostrava um Viale de 2012 ex-Galo Branco. Eram cinco unidades adquiridas pela Metro não pela pessoa de seu proprietário, mas sim de uma investidora que arrendou a empresa. Eram carros de excelente conservação e qualidade, mais novos do que várias aquisições da frota municipal de João Pessoa. Menos de uma semana depois os veículos foram para as ruas. A investidora pagava os salários dos funcionários em dia. Parecia que a Metro dessa vez ia engrenar. Parecia.

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Mas não tardou para os problemas da Metro, que já eram crônicos e originários dos tempos em que a empresa ainda se chamava Wilson, voltarem a se manifestar. O proprietário queria destituir a investidora da empresa, e voltar a ter o controle total dela. Era tudo que os funcionários não queriam, uma vez que ela estava pagando os salários numa pontualidade nunca antes vista lá. O resultado não poderia ser outro: greve.

A situação era tão grave que chamou a atenção de todo mundo: Sindicato dos Motoristas, Prefeitura de Bayeux, até chegar ao DER. A TV Cabo Branco, afiliada da Globo na Grande João Pessoa, cobriu o desenrolar dos acontecimentos. Durante vários dias, Bayeux ficou sem os ônibus da Metro. Só restavam os Das Graças e reforços da SIM para dar conta da demanda.

No final de janeiro, o DER e o Procon do município de Bayeux constataram que eram praticamente poucos os ônibus da Metro que ainda tinham condições de rodar. A empresa praticamente sucateou sua frota própria, e só o que restavam por bem dizer eram os ônibus que não eram da empresa: os ônibus de parachoques azuis, entre Viales e Senior Midi, eram da Reunidas Cabedelo. Da investidora eram o Torino ex-Viação Fortaleza e os cinco Viales de 2012. Esses carros haviam saído da Metro quando o proprietário reassumiu a empresa.

A frota até chegou a voltar a rodar, mas não tardou para os funcionários da empresa deflagrarem a última greve da Metro. Sim, a última, porque foi aí que o DER cassou a concessão da Metro, decretando o fim da maior empresa de Bayeux, que por quase 50 anos operou como Wilson, e tentou em 2014 se reinventar como Metro, até engolindo a Almeida na ocasião. A reinvenção deu errado, e ainda durou: exatos 3 anos.

O futuro (incerto, só que não) do transporte bayeense

Com a Metro fora da jogada, o DER determinou um esquema emergencial para as linhas de Bayeux. A SIM – Rodoviária Santa Rita – cedeu alguns carros, e o DER autorizou a ex-investidora a rodar com os seis ônibus (o Torino e os cinco Viales), além dos alugados da Reunidas Cabedelo. Isso até o DER solucionar o problema, ou ao menos tentar.

No início de fevereiro, o DER conseguiu arrumar uma solução para o problema. As linhas foram cedidas para a SIM, porém esta não iria operar sozinha. Foi formado um consórcio entre ela, a Reunidas, a Santa Maria e a Das Graças, esta última a única empresa a sobrar em Bayeux. Nascia ali o Consórcio Metropolitano, que iria durar 90 dias com a promessa de uma licitação após essa data, porém isso não aconteceu e o consórcio roda até hoje.

E exatamente por se tratar de um consórcio que em tese era emergencial, as empresas escaladas para assumir as linhas de Bayeux separaram alguns ônibus de 2011 para cima e escalaram para rodar na cidade. Com isso, a frota emergencial foi gradualmente substituída por uma frota mais nova, equiparada aos sistemas das cidades vizinhas, e com uma pintura padronizada. O padrão do Consórcio Metropolitano é baseado no de Campina Grande, porém com a cor azul clara da pintura da Santa Maria. A tal pintura não demorou para virar o padrão das demais cidades onde as empresas operam: a SIM comprou cinco unidades com a pintura do Consórcio Metropolitano para rodarem na cidade de Santa Rita, e a Santa Maria adotou o padrão em toda sua frota metropolitana, com o nome da empresa na frota da BR-101, e o nome do Consórcio Metropolitano na da PB-008. Sim, esse nome já pode ser visto no Conde.

Quanto à aqueles ônibus da Metro, a única lembrança rodando é exatamente a dos Viales de 2012 que chegaram no início de 2017. Os cinco saíram de cena após a entrada do Consórcio Metropolitano e reapareceram – como muitos já estavam esperando – na pintura do Consórcio Navegantes, na frota da Marcos da Silva.

Reunidas: dedicada a Bayeux

Já a Reunidas continuou mantendo sua frota separada para Cabedelo e Bayeux. E saiu pegando de todo mundo: da própria Reunidas de Cabedelo, da Transnacional – que cedeu dois ônibus – e da frota municipal: os carros 08107, 08108 e 08109 de 2014 foram para Bayeux, mas o que ninguém esperava é que fossem sucedidos na frota municipal. As três numerações podem ser vistas tanto em Bayeux quanto em João Pessoa, mas não devem se encontrar a menos que os ônibus façam linha no Terminal de Integração: os Torinos de 2017 foram escalados na 5210-Mangabeira/Epitácio-Cristo.

E partiu da Reunidas os dois primeiros ônibus zero de Bayeux em 14 anos: os carros 51124 e 51125, como acréscimo de frota.

Cabedelo não sofreu renovação esse ano, porém o esperado é que a frota sofra transformações em 2018, a começar pela própria adoção do padrão azul-claro na frota, a exemplo do que acontece no Conde. E havendo novas movimentações em Bayeux, o remanejamento de frota para a cidade portuária é esperado.

Santa Maria: expandindo o padrão

A cor do novo padrão de Bayeux foi “emprestada” pela Santa Maria, que cedeu para Bayeux 4 ônibus: dois Torinos 1418 que eram da TBS e dois Torinos 1721 B5 que eram da frota municipal da empresa. Mas nem por isso a empresa deixou de investir no Conde, e fez o que era de se esperar: repintou os dois Torinos de 2014 que rodavam na 5301 para o padrão do Consórcio Metropolitano, com uma diferença: os ônibus vinham com o nome da Santa Maria, uma vez que era impossível fazer o intercâmbio dos ônibus até mesmo para o 5305 devido à bilhetagem seccionada.

Outros ônibus foram se juntando à frota do 5301: os três 1418 recém-desativados da Transnacional de Campina Grande, o ex-06041 da frota municipal (um Torino de 3 portas ex-Recife que não tinha elevador)… E aqueles dois Torinos 1418 que começaram o ano em Bayeux, confirmando o primeiro remanejamento do Consórcio Metropolitano. Os dois foram substituídos em Bayeux por dois dos quatro Vip II adquiridos zero pela Santa Maria em 2010.

Já a movimentação do 5305 começou já no final do ano, e com carro ex-BH. O ônibus roda com o nome do Consórcio Metropolitano, porém na linha de Jacumã. A ideia da Santa Maria é intercambiar a frota da linha com a de Bayeux, permitindo a substituição eventual dos ônibus entre as linhas. Até porque o registro do DER é o mesmo.

Santa Rita: reposição rápida

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A Rodoviária Santa Rita cedeu uma quantidade considerável da frota para Bayeux, o que levou a empresa a reativar os Viales VW de 2002 até a chegada dos cinco Torinos encomendados justamente para tampar o buraco deixado pela saída dos ônibus. Os ônibus vieram, porém vieram com a pintura do Consórcio Metropolitano, sem o nome da empresa, suscitando as dúvidas para onde iriam. No fim, terminaram com o logotipo da SIM, e rodando em Santa Rita. Era mais uma cidade rodando com o padrão metropolitano.

Das Graças: a sobrevivente

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Única empresa do consórcio de origem bayeense, a Das Graças não só conseguiu passar incólume à crise da Metro como soube muito bem tirar proveito disso. A empresa colocou seus três ônibus em operação durante a agonia da Metro, e participou do reforço emergencial depois do fim desta. No fim, entrou no Consórcio Metropolitano e padronizou a sua frota, mantendo seus dois Apache Vip I adquiridos da N.S. do Amparo.

Só que alguém tinha que sair: era o Torino GV ano 1997 oriundo da Vitória de Caucaia. Ficando, seria o carro mais velho a rodar em Bayeux. Com 20 anos de uso, foi substituído pelo Viale ex-06041 da Santa Maria – aquele sucedido pelo Torino ex-Recife que não escapou de receber o mesmo padrão no Conde. O Viale é o primeiro – e até aqui único – com elevador para cadeirantes da Das Graças.

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A retrospectiva do transporte intermunicipal continua. É que diante de tudo que aconteceu em Bayeux, a cidade merecia um capítulo à parte nesta retrospectiva.

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