Transnacional em João Pessoa – Bodas de Pérola

De Ônibus Paraibanos
Por Kristofer Oliveira

Revisão Josivandro Avelar
Imagens Acervo histórico Paraíba Bus Team

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Neste domingo, dia 18 de junho, a Transnacional completa trinta anos de existência na cidade de João Pessoa. Não se tratou do começo de um empreendimento do Grupo A. Cândido, mas sim o marco da sua expansão fora da sua matriz no segmento de transporte urbano, consequência do seu sucesso administrativo que já se encontra na terceira geração familiar.

O cenário pessoense em 1987 e o início da Transnacional

Dentro de uma época de incertezas, inflações elevadas e após o fim do governo militar com a reestruturação do sistema presidencialista no país (ou da democracia, como preferirem), o cenário no país e dentro de João Pessoa para empreender não era dos melhores. No transporte público, as empresas ainda estavam se recuperando das dificuldades enfrentadas no início dos anos 80. Algumas fecharam e foram adquiridas por outras. Pode-se dizer que apenas a Etur, Mandacaruense e a Marcos da Silva estavam estáveis.

Para a Transnacional operar aqui, ela adquiriu a empresa Nossa Senhora das Neves, assumindo sua frota e o prefixo 07xx. Sequer fez quatro anos que a própria NSN tinha surgido após adquirir a RB Transportes.

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Começou operando as linhas:

203 – José Américo
206 – Mangabeira
207 – Penha
301 – Mangabeira (direto)
302 – Bancários
303 – Mangabeira (por dentro)
304 – Castelo Branco
514 – José Américo
515 – Mangabeira (por dentro)
516 – Mangabeira
517 – Castelo Branco
518 – Bancários

A frota era composta por Marcopolo San Remo I e II, Incasel Cisne, Mercedes-Benz Monobloco O-364, Marcopolo Torino 1983, CAIO Gabriela e CAIO Amélia. Tal como atualmente, uma frota 100% Mercedes-Benz.

No começo aproveitou-se da identidade da NSN, apagando apenas o seu nome e colocando o da Transnacional. Paulatinamente os ônibus passaram por melhorias e recebiam a identidade visual marcante até hoje com as três listras.

Tempos de greve, inflação e consolidação da frota

O fim dos anos 80 até a implantação do Plano Real em 1994 não existia tranquilidade após sequências de desastres de políticas governamentais que tentava colocar um freio na inflação. A moeda se desvalorizava muito rápido, o salário perdia o poder de compra mesmo com os gatilhos previstos, e a inflação subia rapidamente, consequentemente, as passagens de ônibus também eram reajustadas. As greves eram muito comuns e a insatisfação popular reinava, com toda razão. Os operadores de ônibus também abraçavam a causa popular e os ônibus paravam, além de ocorrer muita manifestação contra os aumentos das passagens. Diferente das manifestações atuais contra reajustes de centavos, antigamente era uma questão de sobrevivência o preço da passagem, tinha um peso muito maior na renda familiar, considerando as características sociais da época.

A partir das primeiras renovações da frota, ficou evidenciado a sua preferência por Marcopolo e Mercedes-Benz. Ironicamente, mesmo com todos fatores econômicos da época sendo, logicamente, um caminho para a padronização da frota (como ocorre atualmente), para diminuir custos operacionais, foi justamente neste momento que a empresa testou carrocerias e motorizações diferentes. Thamco Scorpion, Ciferal Alvorada e GLS e Busscar Urbanus fizeram parte da renovação, em menor quantidade comparado aos Torino 1983 e 1989. E quanto a motorização, fora dos da Mercedes, ainda teve VW 16-180 CO, Volvo B58E e Scania F-112HL e F-113HL, todos com Torino 1989, e este último chassi, também com Torino GV em 1995 e 1997.

Ainda nos anos 90, com a moeda brasileira já estabilizada, vieram entre os Torino GV, Torino 1999 e Senior 2000, Ciferal Cidade I e Busscar Urbanus, nas versões 1994, 1995 e 1997, além dos Urbanuss no serviço Bus Shopping que vieram no ano 2000 (remanejado da matriz campinense).

No início dos anos 2000 veio a última compra sem ser da Marcopolo, com Busscar Urbanuss Pluss, que vieram consigo em parte dessa frota com itinerário eletrônico frontal. Desde então só foram adquiridas carrocerias da Marcopolo, com os modelos Senior 2000, Senior Midi, Torino 1999, Torino 2007, Torino 2014 e o Viale.

Ainda em relação a frota

Os modelos mais adquiridos foram os Torino nas versões 1989, GV e 2007, mas nenhum outro bate o Viale, que foi adquirido entre 2001 e 2011 zeros, sendo a partir de 2009 apenas articulados e trucados. Entretanto, entrou Viale até 2016, retornando da TBS, bem como remanejados da matriz campinense.

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O ano de 2015 quebrou uma sequência de anos com uma frota 100% Marcopolo, quando foram introduzidos na frota Neobus Spectrum e Spectrum City, este último ainda presente em apenas uma unidade. Por curiosidade, a Neobus integra o Grupo Marcopolo desde 2016.

São poucos os momentos em que a Transnacional adquiriu ônibus de outras empresas. Tirando os herdados das empresas adquiridas e os remanejamentos entre empresas do grupo, teve a aquisição de Caio Amélia oriundo da Candelária Madureira/RJ , Torino 1989 F-113HL oriundo de uma empresa soteropolitana que fechou as portas, Viale ex Mauá/RJ (do lote dos primeiros do modelo no país com motor dianteiro), Torino 1989 B58E de duas portas de origem desconhecida, Senior 2000 do sistema opcional ex Alpha/RJ e ex Tijuquinha/RJ e Torino 2007 ex Santo Antônio/RJ e ex Siará Grande/CE.

Atualmente existem vários ônibus ex-Transnacional espalhados pelo país afora, do Rio Grande do Sul até a região Norte do país.

A sua expansão e linhas operadas

Em 1988, a Transnacional adquire a Viação São Judas Tadeu, que havia adquirido a Canaã menos de dois anos antes. Com isso, somaram mais ônibus na frota como Tocantins, Gabriela, Amélia e Monobloco O-364 – alguns ainda da Canaã e que sequer chegaram a receber as cores da São Judas Tadeu. E consigo as linhas 201 – Ceasa, 202 – Geisel, 204 – Cristo, 402 – Torre, 510 – Tambaú e 511 – Tambaú.

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Com isso, teve o início da “polarização” no transporte da cidade, já que em menos de dois anos a frota da Transnacional que já beirava os 90 carros só perdia para a Etur, que ainda era a maior da cidade com mais de 100 carros na frota. Entretanto, a implantação da estatal Setusa, fruto da Revolução de Agosto de 1988, iria incomodar ambas hegemonias em suas respectivas áreas, do qual linhas circulares iriam interligar regiões dos quais só seria possível pegando dois ônibus no sistema radial. Contudo, o seu slogan “Ampliando & Renovando” não foi abalado, e de fato foi o que ocorreu.

A empresa vai crescendo conforme a população da cidade aumenta, sobretudo a de Mangabeira, que é um bairro em expansão. Nos anos 90 a empresa passa dos 100 carros, sua prefixação até a metade desta década chega ao 07156, embora com “buracos” na frota. Além da própria demanda, outras linhas são criadas ou passam a ser operadas por ela:

115 – Distrito (de 1994 a 1996)
203 – Mangabeira
208 – Cristo / Vale das Palmeiras
209 – Mangabeira / Rangel
210 – Mangabeira / Rangel
514 – Mangabeira
521 – Tambaú / Bessa
603 – Bessa
1510 – Circular
3200 – Circular (a partir de 1995)
P008 – Mangabeira / Praia

Em 1994 a Reunidas é fundada, empresa-irmã da Transnacional, no qual passou a operar algumas de suas linhas, tais como 209, 210, 402, 521 e 1510.

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Ainda em 1994 começou a ideia de “circularizar” radiais após fundi-las, sendo as linhas 302 e 518 dos Bancários, criando as 3510 e 5310. Posteriormente passaram pelo processo as 206 e 516, criando as 2514 e 5206. A última fusão nos anos 90 ocorreu em 1999, com as 515 e a 210, que tinha sido repassada à Reunidas. A 2515 ficou com a Transnacional enquanto que a 5210 com a Reunidas.  

No mês de maio de 1996, a Transnacional passa a operar as linhas da estatal Setusa, após vencer uma licitação, aglutinando ao seu quadro as linhas 002/A002 – Róger, 305 – Mangabeira, 601 – Bessa e as circulares 1500 e 5100. Com isso, a frota é ampliada, chegando a quase 180 carros. Somando a frota dos opcionais, a frota da empresa encerrou os anos 90 com aproximadamente 200 veículos.

Já nos anos 2000, a frota alcançou os 221 carros, sem nenhum “buraco” na frota. De linhas, entrou no seu quadro as I006, 209 – Cidade Verde, 2307 e 3207 (após a 207 passar a ser operada apenas no domingo e feriado) e 302 – Cidade Verde e a linha 5204 no sistema opcional (e em 2008 passando a operar também com veículos convencionais). A 305 acabou sendo extinta e a 513 junto com o sistema opcional passaram para Reunidas no fim de 2008. O destaque na frota nesta década foram os ônibus trucados e articulados, que aliviaram bastante as linhas de maior demanda, além dos Senior Midi climatizados do sistema opcional.


O repasse do sistema opcional para a Reunidas acarretou na diminuição da frota, atualmente indo até o prefixo 07210.

De 2010 em diante, as linhas 002/A002 foram repassadas a Santa Maria, as 603 e 2515 para Reunidas. Foi extinta a P008. As 209 e 514 foram fundidas criando as 2509 e 5209 e a 203 extinta, inicialmente agrupadas nas 2307 e 3207, porém três dias depois retornam a antiga forma para serem criadas as 2303 e 3203. Curiosamente, as linhas 604 e A600 já foram operadas pela Transnacional, sendo  primeira compartilhada com a Mandacaruense e a segunda foi repassada a Reunidas para operar no sistema opcional. E a 500 também chegou a ser operada, após o fim do sistema opcional, mas não vingou e foi extinta. A linha 9902 foi a última a ser criada, em maio de 2016. Já a 207 ficou restrita a Mangabeira e o bairro da Penha, indo ao centro apenas uma vez ao ano na Romaria de Nossa Senhora da Penha.

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Atualmente a sua frota é composta por Marcopolo Torino 2007 OF-1722 e OF-1721 E5, Marcopolo Torino 2014 OF-1721 E5, Marcopolo Viale OF-1722 e Neobus Spectrum City OF-1418.

As linhas operadas são as seguintes:

I006 – Bancários
201 – Ceasa
202 – Geisel
204 – Cristo
207 – Penha
208 – Cristo via Vale das Palmeiras
301 – Mangabeira
302 – Cidade Verde
303 – Mangabeira
304 – Castelo Branco
510 – Tambaú
511 – Tambaú
517 – Castelo Branco
601 – Bessa
1500 – Circular
2303 – Mangabeira
2307 – Penha
2509 – Cidade Verde
2514 – Mangabeira
3200 – Circular
3203 – Mangabeira
3207 – Penha
3510 – Bancários
5100 – Circular
5204 – Cristo
5206 – Mangabeira
5209 – Cidade Verde
5310 – Bancários
9902 – Mangabeira Shopping

A fase Unitrans e desafios futuros

Desde 2011 que os ônibus adquiridos vem com o logotipo da Unitrans. Ocorre que o transporte pessoense foi licitado e a Transnacional junto com a Reunidas são operadoras do consórcio supracitado. A frota não foi totalmente padronizada com o layout do consórcio e tudo indica que essa é a última prioridade.

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Por ser a maior empresa de João Pessoa, a qualidade da sua operacionalização depende muito das políticas públicas planejadas para a priorização do transporte público, que convenhamos, está muito aquém do desejado. Fala-se muito do BRT, mas por enquanto não passa de ideias. A própria qualidade da pavimentação nas avenidas da cidade não contribui, basta chover e aparecer vários buracos, comprometendo na qualidade do transporte, ainda mais quando eles estão presentes nas faixas destinadas a ônibus.

O Portal Ônibus Paraibanos parabeniza os 30 anos de existência da Transnacional em João Pessoa, sendo uma parte importante na história do transporte da cidade.

2 comentários em “Transnacional em João Pessoa – Bodas de Pérola”

  1. Petronilo Pereira Filho

    Ontem, dia 05.02.2019, entre 21:20 e 21:40, eu estava numa parada na av. Sílvio Almeida, bairro Expedicionários, próximo ao Hospital de Olhos, esperando o ônibus para ir para casa. O ônibus da linha 402-Tambauzinho/Torre que serve nosso bairro, se aproximou, eu pedi parada, mas o motorista ignorou, ligou a sinaleira para a esquerda e acelerou. Não adiantou eu e outras pessoas que passavam perto, gritarem. Ele foi embora. Terminei indo para casa à pé, que fica logo depois do Espaço Cultural. O ônibus ia em sentido centro/bairro e como nesse horário e frequência é bem reduzida, tive que me arriscar andando. Infelizmente não deu para pegar o número do veículo porque estava um pouco escuro. Espero que a empresa advirta e prepare melhor seus motoristas para que não aconteça mais isso.

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