Viação Itapemirim: a queda de um império – Novos sócios da Itapemirim na mira da Justiça em São Paulo

De Gazeta on line
Por Luíza Torre
Imagens Divulgação / Acervo Paraíba Bus Team

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A venda da Viação Itapemirim da família Cola para os novos sócios, os empresários de São Paulo Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia, virou uma briga na Justiça. Enquanto os antigos donos os acusam de fraude e pedem a empresa de volta, os atuais controladores se defendem, mostram documentos e alegam que agiram estritamente dentro da lei, conforme A GAZETA revelou numa matéria exclusiva publicada na edição de ontem.

Porém, não é só no Espírito Santo que eles estão envolvidos em acusações de fraude. Em São Paulo, há diversos processos contra os dois. Em Goiás, o administrador judicial de uma empresa que eles compraram aponta suspeitas.

Um dos processos é relacionado à venda da empresa Fábrica de Grampos Aço, de São Paulo. O contrato foi firmado através de uma empresa de Camila e Sidnei, chamada Gitan Incorporação e Construção. Na ação, os ex-donos Fabio Fabris e Leo Marconi afirmam que os atuais donos da Itapemirim efetuariam o pagamento de passivo trabalhista, fornecedores, impostos e dívidas bancárias. No entanto, eles alegaram que as obrigações não foram honradas e que Fabio e Leo estariam recebendo intimações e citações.

Na ação, de 2016, disseram também que o maquinário da empresa havia sido transferido para outra empresa de Camila e Sidnei, a Matrizaria e Estamparia Morillo. Atualmente, a Fábrica e a Morillo estão em nome do mesmo sócio: Geraldo Magela Teixeira da Silva.

Outro processo que recai contra Sidnei é uma condenação de 2013 a pagamento de indenização por danos morais de R$ 7 mil a José Leonardo Nunes, também em São Paulo. Nunes afirma que descobriu que teve uma empresa aberta em seu nome quando foi fazer uma compra e estava negativado. Ele afirma que sua assinatura foi falsificada por Sidnei e por José Carlos de Souza. Houve apelação, ainda sem resultado.

Sidnei e Camila também compraram a empresa de transporte Transbrasiliana, de Goiás, junto com o empresário Milton Rodrigues Junior, que também é colaborador na Itapemirim. Ele, inclusive, esteve presente em coletiva dos sócios para anunciar investimentos, em abril deste ano.

O administrador judicial da empresa, Luis Claudio Montoro Mendes, diz em um relatório que concordou com a venda das cotas aos sócios da Itapemirim. Em outro relatório, diz que viu algumas suspeitas, como o pagamento de R$ 267 mil em nota fiscal à empresa Delta X, a título de prestação de serviços que, segundo o relatório, não especifica proposta de trabalho.

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Na Justiça do Trabalho, Camila e Sidnei respondem a mais de 100 processos relacionados a suas empresas. Já na Justiça de São Paulo, são mais de 50 ações, várias relacionadas à execução extrajudicial ou fiscal, ou seja, cobranças. Em alguns dos processos, há decisões em que consta que não foram localizados bens em nome dos réus a serem executados.

Em relação a execuções fiscais, um dos maiores processos é do município de Barueri (SP), que cobra R$ 30 milhões em tributos da Procarta Serviços, de propriedade dos atuais sócios da Itapemirim. Na ação, deste ano, a prefeitura diz que causou estranheza “o fato de uma empresa do porte da ré nunca possuir ativos financeiros em suas contas bancárias para que se pudesse efetuar a penhora on-line”.

Bloqueio

O administrador judicial da Transbrasiliana, Luis Claudio Montoro Mendes, pede, em seu relatório à Justiça, restrição de venda aos veículos da empresa. A empresa está em recuperação judicial e foi comprada por Camila Valdivia e Sidnei Piva em janeiro.

Isso porque, segundo ele, de 26 ônibus comprados pela Transbrasiliana, em fevereiro de 2017, pelo menos quatro estavam na garagem da Itapemirim. A justificativa é que isso pode prejudicar o pagamento de credores da Transbrasiliana.

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Além disso, o administrador afirma que há “confusão” entre a Tranbrasiliana e a Itapemirim, já que são usados a mesma identidade visual nos ônibus, os mesmos guichês, garagens e abastecimento dos veículos nas bases da Itapemirim.

Segundo o administrador, a Fábrica de Grampos Aço foi uma das empresas que recebeu valores – R$ 645 mil – da venda de um dos imóveis do grupo da Transbrasiliana. Mendes diz também que, segundo o Sindicato dos Rodoviários de Marabá, no Pará, havia funcionários em férias sem receber verbas trabalhistas, segundo relatório de fevereiro.

Questionamento

Durante uma coletiva para apresentar investimentos, o empresário Milton Rodrigues Junior apareceu ao lado de Camila Valdívia e Sidnei Piva, o que despertou a desconfiança nos ex-donos da Itapemirim, que o acusam de ser um sócio oculto.

Milton Rodrigues é dono de 14 empresas em Santa Catarina, Rondônia, Goiás, Espírito Santo e São Paulo. Ele não é sócio da Itapemirim, mas tem uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), constituída em fevereiro deste ano com Camila e Sidnei, com endereço registrado na sede da Viação Itapemirim, em Cachoeiro.

O outro lado

Por e-mail, os sócios da Itapemirim, Camila Valdívia e Sidnei Piva, esclareceram as acusações. Segundo eles, sobre os processos a que os dois respondem, “o número é considerado ínfimo quando comparado aos processos herdados pelo Grupo Itapemirim” e que “todos os débitos das empresas estão sendo devidamente pagos através de acordos”.

Já em relação à Matrizaria Morillo e à Fabrica de Grampos Aço, eles informam que “essas empresas não fazem mais parte do grupo empresarial”. Sobre o conflito com Fabio Fabris e Leo Marconi, eles dizem se tratar “do pagamento mais o esclarecimento do valor no importe de R$ 4.000.000 em duplicatas frias emitidas pelos antigos sócios e descontadas em banco. A matéria está sob júdice e, sendo reconhecida a compensação, veremos quem deve a quem”.

A Viação Itapemirim também destaca que Milton Rodrigues não é sócio da empresa. Mas, “como ele possui experiência no ramo, atua como colaborador na área operacional da empresa”. Ainda afirma que “a SPE foi constituída para tentar canalizar investimentos”.

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Em relação ao processo de danos morais contra Sidnei, informam não se tratar dele, mas possivelmente de um homônimo. Já sobre o débito com a Prefeitura de Barueri, os sócios afirmam ser dos antigos donos da empresa e que já foi parcelados. Por fim, informam que as dúvidas da administração judicial da Transbrasiliana foram esclarecidas, “de tal maneira que não existe nenhuma dúvida quanto à lisura dos atos praticados na gestão”.

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