Encarroçadoras que se foram III…

Fonte:
Lexicar / Portal Ônibus Paraibanos
Fotos:
Acervo Paraíba Bus Team

Iniciamos a nossa série em 2012 trazendo para os leitores do nosso portal, um pouco da história de encarroçadoras que hoje não existem mais. Já vamos na terceira edição da série e desta vez, mostraremos a história de mais seis encarroçadoras brasileiras extintas.

ASIRMA
Pequena
fábrica de carrocerias de ônibus de Porto Alegre (RS) de propriedade dos filhos
de Eliziário Goulart da Silva, fundador da empresa-ícone que levava o seu nome
(Eliziário). De razão social Astrogildo & Irmão Ltda., foi criada em 1954, tendo
fechado as portas no final dos anos 60 em resultado da crise de mercado que
dominou o setor entre 1968 e 71. Seus primeiros ônibus tinham clara origem
gaúcha, evidenciada pelo sólido estilo, dominante nas fábricas do Sul e
capitaneado pela própria Eliziário. Completamente renovadas, as carrocerias de
meados da década de 60 já traziam desenho muito mais leve e moderno. Talvez
para evitar concorrência com a empresa do pai, carros da Asirma raramente eram
vistos no Rio Grande do Sul; teve alguma presença nos estados do Paraná, São
Paulo e Minas Gerais, tendo fornecido cerca de 50 carrocerias para o transporte
público de Belo Horizonte entre 1961 e 1968; algumas unidades ainda operavam
naquela cidade em 1977.
 
BONS
AMIGOS
A
firma Transportes, Comércio e Indústria Bons Amigos S.A. foi fundada em 1942,
no Rio de Janeiro (RJ), tendo sido um dos primeiros fabricantes de carrocerias
de ônibus desta cidade. Como era usual no Rio, a empresa começou construindo
lotações com estrutura de madeira sobre chassis importados, passando a fabricar
carrocerias de ônibus ao longo da década seguinte, em paralelo à introdução da
estrutura metálica no lugar da madeira. No início de 1960 seus veículos
ganharam janelas laterais duplas deslizantes e faróis quádruplos: era o simpático
modelo urbano Panorâmico, de linhas arredondadas, acentuadas pelas chapas de
alumínio polido utilizadas no revestimento externo; o chassi era o já
onipresente Mercedes LP-321. O modelo seguinte retomou a estrutura do
Panorâmico, porém com novas cúpulas e grade mais ampla, dando aspecto menos
harmonioso à dianteira, retirando o equilíbrio estético que antes apresentava.
Em
torno de 1965 (quando a razão social da empresa já havia sido alterada para
IASA – Irmãos Abreu S.A.), a carroceria foi redesenhada, recebendo janelas mais
amplas e linhas mais retas; na ocasião também foi preparada uma versão
rodoviária, depois batizada Disparada (da música de Geraldo Vandré, vencedora
do Festival da Canção de 1966) que manteve a mesma frente do modelo urbano, porém
com linhas da traseira e das laterais claramente inspiradas nos rodoviários
contemporâneos da Ciferal.
A IASA encerrou as atividades por ocasião da grande crise de mercado do final
da década de 60. Em 1968 vendeu seus projetos e instalações para Carrocerias Aratu, que logo a seguir
as transferiu para Salvador (BA).
 
CIPLASA
Oficina
carioca que operou entre as décadas de 80 e 90 na reforma de ônibus,
transformação de picapes em ambulâncias e motor-homes e construção de
carrocerias-baú de alumínio para caminhões; forneceu alguns ônibus especiais
para operação em aeroportos, com portas largas e acesso facilitado pelo
rebaixamento do piso, construídos com elementos do modelo Alfacinha da Vieira.
 
CRIBIA
Fabricante
artesanal de carrocerias de ônibus instalado em Nova Iguaçu (RJ), a Carrocerias
Cribia Ltda. esteve em operação por cerca de quinze anos, entre meados dos anos
60 e o final dos 70. Seus primeiros modelos tinham janelas inclinadas e linhas
arredondadas, ressaltadas pelos grandes para-brisas curvos; a seguir (em torno
de 1972), aderiu às janelas verticais, linhas retas e ao teto plano, produzindo
em pequenas quantidades uma série de modelos, de qualidade sofrível e com
freqüente alteração de detalhes entre si. Entre eles estão o Vitória, com
para-brisas de vidro plano; mais adiante o Beija-Flor, com janelas ampliadas,
dianteira alterada e para-brisas levemente curvos; e finalmente o Amazonas, com
nova frente, para-brisas menores que o anterior e colunas outra vez inclinadas.
Deste modelo houve uma versão com grade de alumínio e logotipo vasado na peça
de fibra que a ela se sobrepunha, e outra com grade moldada em fibra e o
tradicional logotipo cromado. A Cribia atendia fundamentalmente ao mercado da
Baixada Fluminense, onde se localizava sua fábrica.
CROSLEY

A
Crosley, de Fortaleza (CE), foi uma das raras fábricas de carrocerias de ônibus
a operar no nordeste entre as décadas de 50 e 60. A atividade de construção de
carrocerias de madeira sobre chassis de caminhão sempre foi tradicional na
região – desde os históricos “paus-de-arara” –, porém invariavelmente de forma
artesanal, e a Crosley parece ter sido a primeira a fabricá-las em aço, com
alguma uniformização de projeto e um mínimo de estrutura industrial. Iniciando
como reformadora de ônibus usados, passou à construção de  carrocerias de
madeira e, em torno de 1958, introduziu a estrutura metálica, possivelmente
utilizando componentes de encarroçadoras do sudeste (um dos  modelos
mostrados abaixo, fabricado em 1959, tem para-brisas e caixas dos faróis
idênticos aos dos urbanos da Caio
do mesmo ano). Esteticamente, o fabricante buscava inspiração no must da época
– a Ciferal, ideal de estilo e
qualidade em ônibus –, evidenciado pela grade frontal aplicada não apenas aos
veículos novos como também aos reformados.
CONTINENTAL
Fábrica
de carrocerias instalada em 1949 no bairro do Ipiranga, São Paulo (SP).
Publicidade da época da inauguração da empresa se anunciavava “inteiramente
aparelhada com sua completa linha de montagem, para construção e fornecimento
de peruas, ambulâncias, ônibus, caminhões, furgões, carros funerários – as mais
perfeitas carrosserias de todos os tipos, para todos os fins, sobre qualquer
marca de chassis“. Ao contrário da maioria das concorrentes, se dedicou ao
encarroçamento de chassis pesados também para o transporte rodoviário, tendo
fornecido para importantes operadoras da época, como Pássaro Marrom e Util.
 
De
razão social Carrosserias Continental Ltda., também aceitava complexas
encomendas especiais, tais como a da Viação Pássaro Marrom, para a qual
construiu 25 ônibus rodoviários calcados nos norte-americanos ACF Brill IC-41,
“iguais aos usados entre S. Francisco e Fort Worth nos E.U.A.”, como era desejo
da transportadora. No mesmo ano de 1952, também inspirados em modelos dos EUA,
25 outros foram fornecidos sobre chassi FNM. A Continental foi bastante ativa
até meados da década seguinte, quando encerrou as atividades.
Vejam as edições anteriores da série:

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