Novo Campione vindo aí

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria / Texto: Carlos Alberto Ribeiro
Fotos: Divulgação / Thiago Martins de Souza

Quem acompanhar com isenção, deixando de lado o emocional e se pautando pela
razão, jamais poderá dizer que os ônibus rodoviários fabricados pela Comil não
apresentaram na sua linha do tempo uma evolução inquestionável. Assim que
assumiram a planta industrial da Incasel na metade dos anos 80 deram
prosseguimento na fabricação de alguns modelos que ainda tinham excelente
conceito no mercado, como a carroceria Jumbo. Pra valer, o primeiro lançamento
de impacto da Comil ocorreu no ano de 1991, modelo 1992. Era o Galleggiante,
disponível para encarroçamento sobre chassis trucados, Mercedes 0-371 RSD,
Volvo B10M e Scania K113TL.

Praticamente, em vez de começar pelos modelos de entrada na linha de
rodoviários, a Comil iniciou na classe superior, com o Galleggiante 3.80.
Pode-se dizer que ele era aerodinâmico, tinha frente com o parabrisa inclinado.
E era equipado, portas pantográficas e possibilidade de refinado acabamento
interno, com inúmeras opções de configuração do salão de passageiros com o que
de mais moderno havia no mercado. Outro detalhe, suas poltronas foram
consideradas as melhores da época. Tudo bem que a carroceria teve o
compartilhamento de peças de outras carrocerias, como, por exemplo, as janelas
laterais do Comil Condottiere. O objetivo foi reduzir custos de produção,
customizar.

O Comil Galleggiante era um HD (High Deck). Neste segmento, entrou no mercado
para concorrer com o Busscar Jum Buss 380 e o Marcopolo Paradiso 1400 G.IV. Em
1992 a fabricante gaúcha estreou em outro segmento, lançado em 1989/1990, o das
carrocerias MD (Midle Decker), representado pelo Busscar Jum Buss 360 e o
Marcopolo Paradiso 1150 G.IV. De configuração de 1 piso e meio, 3,60 metros de
altura, eram cerca de 20 centímetros mais baixos que os irmãos maiores. O MD da
Comil passou a ser o Gallegiante 3.60. O primeiro “face lifting” dos
Galleggiante veio em 1994, com alterações (perfumarias), entre elas, caixa do
itinerário sobre o painel, brake-light e o lançamento da versão 3.45.


Quatro anos depois, em 1998, o Galleggiante deu adeus a linha de produção. No
seu lugar entrou o Campione, versões 3.25, 3.45, 3.65 e 3.85. Linha
complementada em 1999 com o Campione 4.05 HD (High Deck), mas que na verdade
era uma carroceria tipo LD (Low Driver), passando a concorrer com o Busscar
Panoramico 400P e o Marcopolo Paradiso 1450 LD G.V. Nele a possibilidade de
requinte na configuração interna era superior, com vidros das janelas colados,
o maior bagageiro da categoria, cabine do motorista e da tripulação com cama e
controles do ar condicionado e do aquecedor independente do salão de
passageiros.

Quase seis anos depois, em junho de 2005, um “banho de loja” foi dado nos
rodoviários Campione. A carroceria foi totalmente renovada, com nova imagem
geral dos ônibus da marca. O ambiente interno passou a oferecer ainda mais
conforto e segurança. Privilegiou-se a iluminação interna, melhoria nas
poltronas, dotadas de espumas com curvatura mais ergonômicas e aumento do
isolamento termoacústico. Para tanto, o teto e as laterais passaram a ter
módulos em poliuretano injetado. O porta-pacotes passou a ter iluminação
indireta com detalhes de alumínio. Três foram as versões do novo Campione:
3.25, 3.45 e 3.65. O novo HD 4.05 seria lançado em 2007.

Logo se percebeu que melhorou o acesso a parte mecânica e elétrica das novas
carrocerias, na porta mais larga, maior altura interna (1,90 metro),
direcionadores do ar condicionado e das luzes de leitura, individuais, novo
toalete com melhor eliminação de odores, novo painel do motorista e novo
cluster de instrumentos. Com a nova linha, a Comil ampliou suas vendas e sua
participação de mercado, tendo, inclusive, recebido a outorga de premiações
pelo design dos novos produtos. Em 2007 a linha Campione teve o incremento dos
Vision. Então, as configurações passaram a atender pelas nomenclaturas “L, X e
Vision”.

Em 2008 chega também ao mercado a opção do Campione HD Vision. Três anos
depois, em dezembro de 2011, é lançado o novo HD 4.05 Vision. Já no ano
seguinte, 2012, entra em cena o primeiro DD (Double Decker) da Comil. Nesse
mesmo ano, nova reformulação dos Campione, a que está no mercado até agora e
tem conseguido relativo número de unidades vendidas. Mesmo sendo um produto
ainda competitivo, bom de vendas, diferenciado, pois não segue a mesmice do
design das carrocerias Marcopolo G7, Mascarello e Neobus, todas adotando o
padrão estilístico incorporado pela Irizar desde 1999, a Comil prepara
novidades.

Vem aí uma nova linha dos seus rodoviários e vai ser lançada na Fetransrio 2014,
nos dias 5, 6 e 7 de novembro. Já era esperado. Assim como ocorreu com os
Galleggiante em 1991, quando a Comil partiu dos modelos maiores para depois
lançar os menores, o mesmo se repetiu agora. Em 2011 tivemos o lançamento dos
novos HD 4.05 e DD. Ficou faltando a reformulação da versão Midle Decker, MD,
Campione 3.65, do médio semipesado Campione 3.45 e da versão de entrada, o
Campione 3.25. E o ambiente é favorável para a nova linha, eis que a G7 da
Marcopolo já começa a padecer de cansaço visual.


Presença maciça, esmagadora nas estradas e rodoviárias ocasionou desgaste
prematuro de imagem. E também porque já são cinco anos no mercado. Mascarello
Roma e Neobus New Road seguem o design dos Irizar, todos repetitivos. Há espaço
para um produto novo, diferenciado. E este parece ser o norte da nova
carroceria da Comil. Não seguir tendências, não copiar. Há nele, aparentemente,
um toque, um leve “que” do Versatile Gold e Standard. O estilo bojudo tão
verificado nos dias de hoje, “easter egg’s” (ovo de Páscoa), também se faz
presente. Isso faz com que se amplie o espaço interno, mesmo mantendo o mesmo
comprimento de carroceria. As laterais do teto, em conjunto com o aparelho de
refrigeração, passa uma sensação de “muscle car”.

Observamos também que as luzes de cortesia e o layout do porta-pacotes sofrerá
alterações. Entre elas, novos revestimentos internos nas laterais, no teto,
novas poltronas. Os faróis dianteiros parecem que não vão mudar em relação ao
atual Campione, mas pode ter surpresas e a caixa de faróis incorporar Leds. No
teto dá para ver que o mesmo, na parte dianteira, será mais aerodinâmico, com
queda mais pronunciada e ar condicionado de novo aspecto visual, tendência já
seguida pelos Marcopolo G7, Mascarello e Neobus, a mesma dos Irizar. Tudo leva
a crer que será uma carroceria que ditará regras, tendências, não seguirá
modismos já adotados por outros e também não será um mero “face lifting”.

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