Inversão de embarque nos ônibus – bom ou ruim?

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria / Texto: Paulo Rafael Viana
A novidade mais destacada até agora no transporte coletivo de João Pessoa é a inversão do embarque e desembarque nos ônibus da capital paraibana. Desde o começo desse mês de março que começaram a inverter o posto de cobrador com sua catraca para a parte da frente do veículo. A empresa Unitrans que começou com as mudanças, somado à Santa Maria poucos dias depois. A Semob alega maior segurança e agilidade no embarque, os rodoviários alegam uma segurança maior perante a onda de assaltos nos ônibus. Mas afinal, o que essa mudança traz de novo no sistema?

Desde os anos 70 que se tem registros do embarque pela porta traseira, onde havia uma cadeira para o cobrador e uma catraca, sempre ao lado da porta traseira, com algumas cadeiras disponíveis antes de passar na catraca. Com o passar do tempo, no começo dos anos 2000, a Transnacional e a Reunidas passaram a aderir uma configuração de embarque pela porta traseira que até então era bem diferente por aqui: catraca de frente para a porta traseira, um “curral”, onde se ficava apenas uma pessoa, com pagamento imediato. Possibilidade de “calote” quase zero, enquanto por outro lado, a demora para entrar todas as pessoas é algo comum, além de quem fica esperando para subir ter que ficar no sol ou na chuva.
A configuração adotada até então em João Pessoa está sendo a seguinte, como podemos ver na foto no começo dessa matéria: cobrador atrás do motorista, catraca a aproximadamente um metro da porta dianteira e desembarque pela porta… eis a questão. Das duas uma, pois ou a Semob e/ou empresas não estabeleceram isso, ou cada motorista está criando seu padrão de desembarque como preferirem. Acontece que tem motorista que só está abrindo a porta central para desembarque, enquanto outros só estão abrindo a porta traseira, e ainda tem os que estão abrindo as portas traseira e central. Resta saber por onde se desce afinal…
Outros dois problemas nessa configuração que está sendo adotada em João Pessoa, além do indeciso desembarque (por parte das empresas, Semob ou motoristas), são a posição do cobrador e a falta de espaço na frente.
O cobrador atrás do motorista não tem nenhuma visão das portas, a não ser que o ônibus esteja vazio, que nem sempre é o caso. Desse modo ele não pode auxiliar de nenhuma forma sobre quem já desceu e se pode fechar a porta com segurança. Tudo vai depender de um minúsculo retrovisor a distância.
A falta de espaço reservado para pessoas com necessidades especiais na frente também é um problema. Um idoso, por exemplo, está tendo que subir pelo meio ou por trás, e lá tendo que depender da gentileza de outras pessoas, já que as cadeiras são todas iguais e juntas. Uma gestante principalmente.
Outro problema, dessa vez inicial, foi a falta de comunicação com a população sobre a mudança. Simplesmente, na garagem, trocaram as catracas de lugar, escreveram em cima da porta (onde ninguém lê, melhor usar o logotipo do modelo mesmo), e jogaram nas ruas, deixando motoristas, cobradores e principalmente, o povo, se virar. Algumas semanas depois decidiram adotar uns adesivos indicando o embarque pela porta dianteira, e logo depois, uns adesivos maiores, dando mais destaque. Na foto abaixo vemos um dos ônibus da Santa Maria com a informação em destaque:
Em Recife a mudança da catraca começou em 2004. Antes disso, também sempre foi na parte traseira do veículo. Porém, desde o primeiro veículo a receber a mudança até o último, sempre receberam um adesivo azul com letras brancas, com os dizeres “Embarque pela porta dianteira”, além de fiscais da então EMTU/Recife entrando nos ônibus e orientando sobre a mudança. Nessa foto abaixo, de meados de 2004, podemos ver um ônibus recentemente invertido da empresa Borborema Imperial com o adesivo na frente:
Sobre o embarque pela porta dianteira, podemos apontar as seguintes vantagens e desvantagens:
Vantagens
* Melhor distribuição de peso no veículo: entrando pela frente, os usuários se distribuem melhor para a parte traseira do veículo, que foi projetada para aguentar melhor o peso, pois possuem rodado duplo, além de não ter o peso natural do motor (no caso dos ônibus com motor dianteiro, que é o nosso caso)
* Segurança: o motorista e o cobrador ficam juntos, tendo o motorista uma visão do que se passa e de alguma ação errônea do criminoso
* Assentos reservados separados: os assentos que ficam entre a porta dianteira e a catraca podem ser usados apenas por pessoas preferenciais
Desvantagens
* Visão do motorista: o motorista precisa ver por retrovisores internos o que se passa na porta traseira, e com o ônibus cheio, a situação piora, principalmente desacompanhado de cobrador, que pode auxiliar com uma visão melhor da porta de desembarque
* “Calote, pitu, bigú”: é mais vulnerável perante a entrada de pessoas sem pagar, já que a porta fica sem nenhum funcionário. Só de ter um funcionário na porta já intimida. INTIMIDA, não garante 100% de certeza
* Pessoas preferenciais precisam de boa vontade dos outros usuários: na falta de assentos separados, as pessoas com necessidades especiais teriam que se misturar com o restante dos usuários no salão do veículo, tendo que depender da boa vontade de cada um, já que não estaria evidenciado que ali é um local preferencial
Uma sugestão ideal de embarque pela porta dianteira é o padrão usado em cidades como São Paulo e Recife: cobrador e catraca na segunda janela após a porta, tendo assim entre seis e oito assentos reservados para idosos, gestantes, policiais militares (fardados ou não) e deficientes em geral.
Na foto ao lado, um dos ônibus do grande Recife. O espaço na frente é mais amplo, sendo possível reservar assentos para preferenciais, além de caber mais pessoas. O restante dos usuários devem entrar e passar pela catraca, deixando os assentos reservados livres. Também tem a parte que deve ser feita pelas pessoas preferenciais: se identificar na hora de desembarcar pela frente, apresentando sua identidade, carteira de livre acesso ou pagando a passagem e girando a catraca (no caso de gestantes). A identificação das gratuidades deve ser feita na hora de descer mesmo, já que todos, pagantes ou não, embarcam pela porta dianteira. Mas nada impede uma identificada básica espontânea.
Cobrador do mesmo lado das portas: mais fácil de visualizar as portas para desembarque e auxiliar o motorista sobre o momento certo de saída

7 comentários em “Inversão de embarque nos ônibus – bom ou ruim?”

  1. Só acho que o desembarque pela porta traseira dificulta a visão do motorista,aumentando o risco de acidentes e estressando mais ainda um dia de trabalho!!

  2. Com certeza é o início do fim para os cobradores, cabendo a população se unir e exigir a volta do embarque traseiro, antes que seja tarde demais. As empresas de ônibus não estão tão preocupadas com a segurança, elas querem é lucro, e sem cobradores o lucro será bem maior. A qualidade do transporte coletivo em João Pessoa está em declínio, não vamos cair nesse golpe de "segurança", estão planejando o fim dos cobradores, e nós não podemos aceitar.

    1. O embarque traseiro não é garantia para o emprego dos cobradores, tanto que em 99% das cidades que adotaram o embarque pela porta dianteira, os cobradores ainda se mantém firmes e fortes. Para uma empresa tirar cobrador basta um pouco de criatividade, e não tão somente transferir o embarque pela dianteira. Se isso acontecesse, os empresários dariam um jeito.

      Tanto que é possível adotar entrada pela traseira sem cobrador, já que existem sistemas que empregam validadores do tipo moedeiro, que aceitam dinheiro (em moeda) além de cartão e só liberam a catraca com o pagamento do valor relacionado ao da passagem.

  3. Na minha opinião o certo a se fazer seria recolocar a entrada pela porta traseira,pois o cobrador ajudava batendo a moeda na catraca e avisava que o motorista podia ir embora com o ônibus.e a entrada pela porta dianteira só melhorou para os "mofi" que entram por traz sem pagar,se a intenção era facilitar a entrada de bandidinho no ônibus vocês empresários estão no caminho certo.meu deus mudem logo isso.

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