Trinox, o rodoviário da Cobrasma

Fonte:
Mobilidade em Foco

Matéria
/ Texto: Carlos Alberto Ribeiro

Fotos:
Acervo Paraíba Bus Team

Depois
do lançamento do Trinox em 1983, a encarroçadora Cobrasma começou a pagar o
preço de sua inexperiência no setor, não registrando qualquer pedido expressivo
do novo produto. Afinal, alguns erros de marketing levaram os empresários do
ramo a acreditar que um veículo com preço em ORTN era inviável, bem como não
botaram fé na entrada do tradicional fabricante de produtos ferroviários na
área rodoviária, crendo ser apenas uma atitude para ocupar mão de obra ociosa.
Hoje a Cobrasma responde a estas dúvidas com a manutenção do veículo em linha
e, ainda, estuda o lançamento de um ônibus com dois eixos, design agressivo e
bonito.


Quando a Cobrasma projetou o Trinox, seu ônibus rodoviário de aço inox, que
trazia inúmeras inovações em termos de tecnologia, não esperava que o mercado
fosse entrar em tão profunda recessão, em virtude da crise econômica e dos
problemas que o Brasil enfrentou nos anos 80. Adiamentos no reajuste dos preços
de passagens, queda na quantidade de passageiros transportados, a guerra da NTC
contra as encomendas nos bagageiros de ônibus e o preço do óleo diesel, eram
fatores que inflacionavam as planilhas de custos das empresas de ônibus.

Também a Cobrasma não esperava que justamente a Itapemirim, uma das maiores
incentivadoras do projeto, fosse ficar apenas na compra do protótipo inicial,
contrariando todas suas promessas. Também havia a esperança de fornecer ônibus
para a Cometa, que decidiu em 1983 partir para a fabricação própria, devido a
falência da Ciferal. Todas as dificuldades iniciais, tais como problemas no
protótipo, preço considerado muito alto, foram superadas. Foi feita uma
reformulação no Trinox, desde o preço até o marketing. Na parte técnica foram
reforçadas as estruturas do teto, pois havia reclamação de que a chapa de aço
inox ondulava levemente quando o veículo estava em movimento e o acabamento
interno, considerado espartano, foi aperfeiçoado. As poltronas foram trocadas,
colocadas novas com sistema de reclinação (nem isso ele tinha). E as novas
foram consideradas as melhores do mercado.


Com um peso em ordem de marcha de 12.600 kg, altura de 3,50 metros e largura de
2,60 metros, o Trinox podia ser configurado com até 50 assentos. Estando o
chassi Mercedes-Benz O-370 RSD ainda não homologado para encarroçadoras, o
Trinox tinha como opções de chassis, Scania KT 112 e Volvo B58E, tendo, nos
bagageiros externos, um dos seus maiores trunfos, 11,7 metros cúbicos de
capacidade nos chassis Scania e 12,3 metros cúbicos nos da Volvo.

Mesmo com todas as vantagens e inovações, de 1983 a 1985 foi uma decepção as
vendas do Trinox, somente a partir de março de 1985 começaram a entrar pedidos
do mesmo na divisão de ônibus da Cobrasma. Com a inflação, o reajuste da tabela
de preços dos concorrentes, a readequação do preço do Trinox, este ficou
competitivo, devido a fatores como o aço inox, o menor peso da carroçaria,
consequentemente, melhor relação custo/benefício e custo por km/rodado com
números menores do que os apresentados pela concorrência, além de estar imune
aos problemas da corrosão. Até no caso de impacto lateral ou frontal, o aço
inox era superior, pois tem maior elasticidade e condição de absorver parte do
impacto, preservando seus passageiros. A carroçaria, toda em aço inoxidável,
pois assim era a linha CX 201 e 301, vendeu pouco também depois de 1985, apesar
de todas as readequações feitas ao projeto pela Cobrasma, sendo fabricada até o
dia 28 de fevereiro de 1990.

Entre
as empresas que compraram o Trinox estão a Auto Ônibus Manoel Rodrigues,
Nacional Expresso, Transfada, Eterna, Limosine Carioca, Garcia e Itapemirim. A
Limosine Carioca, com sede na cidade paulista de Sumaré (cidade da fábrica da
Cobrasma), foi a primeira do Brasil a comprar um Trinox. A Itapemirim foi a
grande decepção da direção da Cobrasma, pois Camilo Cola incentivou a
fabricação do ônibus, o desenvolvimento do projeto. E, já que a Ciferal tinha
falido em 1981 e a Itapemirim estava sem fornecedor do seu principal modelo de
carroçaria para chassis pesados, Líder e Dinossauro, a Cobrasma esperava vender
várias unidades do Trinox para a empresa capixaba. E para decepção da empresa
paulista, Camilo Cola comprou apenas 01 unidade do Trinox. Outra esperança de
vendas que naufragou foi a Cometa, também cliente da Ciferal e que, assim como
a Itapemirim, partiu para a fabricação própria de ônibus.

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