A grande aposta para os transportes

Fonte: Brasil Econômico
Fotos: JC Barboza

Apontado
como a grande aposta para resolver os problemas de mobilidade urbana nas
grandes metrópoles brasileiras, os projetos de Bus rapid Transit (BRT) estão em franca expansão
no País. Até 2016, serão investidos na construção e expansão dos
corredores exclusivos de ônibus R$ 12 bilhões (recursos federais, municipais e
privados) e 19 cidades contarão com 742 quilômetros do modal em seus
sistemas de transportes públicos. Atualmente, em cinco (Curitiba, São Paulo,
Rio de Janeiro, Goiânia e Uberlândia-MG) já estão funcionando 182 km de
linhas. Os dados são da Associação Nacional das Empresas de Transporte
Público (NTU). 

De
acordo com especialistas, a relação custo-benefício é o principal motivo para a
proliferação dos projetos. O presidente da Logit Engenharia Consultiva,
Wagner Colombini, diz que, atualmente, a construção custa em média R$ 20
milhões por km, enquanto a mesma extensão de metrô custa entre R$ 400
milhões e R$ 500 milhões, mais de 20 vezes mais. O menor tempo de
obras também conta. “Todas as capitais brasileiras estão com
problemas que precisam de soluções rápidas. No Rio, para fazer 50 km de BRT
levaram dois anos e, para 14 km de metrô, serão cinco anos”, disse
Colombini. 
Segundo
o presidente executivo da Associação Nacional das Empresas de Transportes
Urbanos (NTU), Otávio Cunha, o BRT reaparece no cenário para retificar
mais de 20 anos de déficit de investimento em sistemas de transportes no País,
a tempo da Copa do Mundo de 2014. “É possível construir 10 quilômetros de
corredor de BRT num período de 18 meses, o que seria impossível na rede de metrô para atender também ao público da Copa”, salienta
Cunha. Na lista das cidades com projetos de BRT, 11 vão sediar jogos do
Mundial. 
O
gerente de desenvolvimento urbano do Institute for Transportation &
Development Policy (ITPD), Pedro Torres, ressaltou que outra grande vantagem
do BRT é a redução de emissões de gás carbônico em relação ao sistema de ônibus
convencional.
Solução
não é a única e integração de modais é fundamental
 

Apesar das vantagens de custo-benefício, o modal não deve ser visto como
solução única para os problemas atuais de mobilidade nas grandes cidades.
De acordo com a diretora de Projetos e Operações da Embarq Brasil (ONG que
promove projetos na área de transporte público), Daniela Facchini, outros
tipos de modais devem ser levados em consideração. “Precisamos investir em
ônibus e o BRT aparece como parte da estratégia. Porém, a grande resposta é
justamente a integração com outros sistemas, como metrô e trem”, apontou
Daniela. O presidente da ssociação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP),
Ailton Brasiliense, também tem uma opinião de que os BRTs não devem
substituir o metrô e que devem ser vistos como transporte ideal para uma
demanda de até 20 mil passageiros por hora, por sentido. 

“O
BRT tem bom custo-benefício em locais onde há possibilidade de implantá-lo com
eficiência. No Brasil, vemos que a arquitetura de uma ex-colônia
portuguesa dificulta muito, às vezes. O ideal é o modelo viário no estilo
espanhol, onde é comum as avenidas terem três faixas com canteiro central,
e não vias mais estreitas”, disse.
Capacidades
maiores vieram de Bogotá
Considerada
uma versão metronizada para o ônibus, o BRT nasceu em Curitiba, em 1974, onde
também é conhecido popularmente, como “biarticulado”. Entretanto,
o diretor da Logit Engenharia Consultiva (que faz projetos do setor
de transportes), Wagner Colombini, lembra que a grande virada para que os
BRTs passassem a funcionar com grandes capacidades, equiparáveis às dos
metrôs, foi a experiência de Bogotá. “Com três anos de mandato, o prefeito
de Bogotá resolveu o caos no transporte com o BRT TransMilenium”, conta
Colombini, lembrando que os BRTs do Rio de Janeiro podem transportar mais
de 25 a 30 mil pessoas por hora nos picos, o que já é considerada uma grande
capacidade. 
Ao
todo, 38 países já contam com BRT, totalizando 156 cidades e 277 corredores
exclusivos para o modal. Tanto países em desenvolvimento como os mais
desenvolvidos têm projetos desse meio de transporte. Entre os exemplos que se
destacam estão: Alemanha, França, Estados Unidos (principalmente na cidade
de Los Angeles), Colômbia, México, Peru e alguns países da África.

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