Cinto em ônibus – Viagem insegura

Fonte: Vrum
Fotos: Kristofer Oliveira/Divulgação

Além
da obrigatoriedade prevista pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o uso do cinto
de segurança por passageiros de ônibus, em viagens intermunicipais ou
interestaduais, é disciplinado pela Resolução 643, de julho de 2004, da
Associação Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que exige recomendação do
motorista antes da partida. Mas, na prática, grande parte dos viajantes de
ônibus diz nunca ter ouvido a recomendação ou, pior, alguns relatam ter
escutado o pedido do motorista apenas diante de fiscalização iminente. Em mais
uma reportagem abordando o tema segurança, o caderno de Veículos do Estado de
Minas ouviu motoristas e passageiros de ônibus e uma enquete foi realizada pelo Portal
Vrum: mais da metade das pessoas disse não usar o cinto em viagens de ônibus. O
mesmo resultado foi encontrado em pesquisa realizada pelo Departamento de
Estradas de Rodagem (DER) de Minas Gerais, a ser publicada em breve.

A
primeira dificuldade está na simples existência do cinto, que é exigido somente
para ônibus e microônibus fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, de
acordo com a Resolução 14 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Quase
nove anos depois, no entanto, boa parcela da frota já foi renovada e grande
parte dos ônibus examinada por Veículos na rodoviária de Belo Horizonte tinha o
equipamento. Porém, na maioria o cinto estava debaixo dos bancos, dificultando
ou até mesmo impossibilitando seu uso.

Troca
“Viajei
1,9 mil quilômetros, de Guaraí (TO) até Belo Horizonte. Houve troca de
motorista a cada quatro horas e só um deles pediu para colocarmos o cinto,
mesmo assim porque poderia haver fiscalização”, conta o comerciante Walter
Reis, afirmando fazer questão de usar o cinto sempre. “O motorista não
pede. Ninguém usa, então você nem lembra”, acrescenta a auxiliar de
serviços Régia Chaves. Ela está entre os 55,5% de passageiros entrevistados na
rodoviária de Belo Horizonte, que disseram não usar o cinto. A maioria por
falta de lembrança e poucos por achar incômodo.
O mecânico Adelzito de Souza Araújo procura o cinto e faz malabarismos para conseguir passá-lo para cima do banco e finalmente encaixar o dispositivo 
Outros
29,6% disseram fazer questão do cinto. “Eu já deixei de viajar por uma
determinada empresa, porque os ônibus não tinham cinto. Faço questão, mas vejo
que a maioria não usa”, diz a aposentada Rachel Kux. “Eu uso e tem
até gente que me chama de boba. Mas lei é lei”, completa a franciscana
irmã Rosa. “No Rio de Janeiro, dá multa, então é a primeira coisa que eu
faço”, enfatiza a empresária Gilda Alvarenga. Os demais 14,8% disseram pôr
o cinto somente quando o encontram facilmente. Na enquete realizada pelo Vrum, somente 22,6% disseram usar o equipamento.


Fiscalização



Ainda
na rodoviária, uma boa surpresa: minutos antes de seguir viagem, o motorista
Jeremias Martins faz uma explanação que lembra as recomendações dos comissários
de bordo, antes de uma decolagem. Depois de indicar as saídas de emergência,
ele pede que os passageiros usem o cinto e finaliza: “Tenham todos uma boa
viagem e que Deus nos acompanhe”. A atitude não é em vão, mas Jeremias e
outros colegas lembram que muitas vezes os passageiros põem o cinto no momento
da explanação, mas tiram em seguida. E, na maioria das vezes, quando há um ou
mais passageiros sem cinto, o multado é o motorista.

O
superintendente de Serviço de Transporte de Passageiros da ANTT, José Antônio
Schmitt de Azevedo, reconhece a dificuldade no controle do passageiro, que não
tem a cultura de usar o cinto. Mesmo assim afirma que a única maneira de
fiscalizar é multar a empresa. “É uma injustiça, mas não temos poder de
polícia sobre o passageiro”, diz. “O passageiro sem cinto fica ao
sabor da batida, causando prejuízo não só a si como a outros viajantes, pois
pede ser arremessado contra um deles”, justifica, ponderando a necessidade
de campanhas educativas, o que já ocorre por meio de alguns convênios. Postura
parecida tem a Polícia Rodoviária Federal (PRF) que autua o motorista.
Hábito
A
falta de costume é o grande problema também na opinião da chefe do Núcleo de
Educação para o Trânsito do DER-MG, Rosely Fantoni, que acaba de finalizar
pesquisa com passageiros de ônibus. Os resultados ainda não foram publicados,
mas ela adianta que chamou a atenção o fato de a maioria das pessoas dizer que
não usa o cinto quando está de ônibus, mas usa quando anda de carro. Com
relação à exigência do cinto apenas nos ônibus produzidos a partir de janeiro
de 1999, ela afirma que o DER deu prazo para renovação da frota que circula no
estado até 2014.

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