MWM faz 60 anos com 4 milhões de motores produzidos

Fonte: Automotive Business
Matéria/Texto: Pedro Kutney
Foto: Divulgação

A
fabricante de motores diesel MWM International comemora este
mês 60 anos no Brasil, praticamente o mesmo tempo da instalação da indústria
automobilística no País, na interessante posição de multinacional com
desenvolvimento local independente de produtos para mercados globais. Nestas
seis décadas, a empresa produziu 4 milhões de motores – marca alcançada no
último dia 15. Também em abril se completam oito anos que a companhia de origem
alemã MWM foi comprada pela americana Navistar, para formar, em 2005, a MWM
International, que hoje supera a matriz em produção. Em 2013 a projeção é fazer
aqui 140 mil propulsores, em crescimento de 25% sobre o fraco 2012, contra
cerca de 100 mil nos Estados Unidos. Os investimentos seguem a expansão e devem
somar US$ 50 milhões este ano. 

A história da MWM
International segue ordem inversa do ocorrido com a maioria das empresas
multinacionais do setor que se instalaram no Brasil nos anos 1950. Em vez de
replicar aqui tecnologias desenvolvidas pelas matrizes, foi necessário desenvolver
no País os próprios motores. Por isso, com produtos voltados só para a América
do Norte, a Navistar encontrou no Brasil o portfólio que precisava para se
internacionalizar. 

Esse movimento
ocorreu em dois lances, o primeiro em 2001 com a compra da divisão de motores
do Grupo Iochpe Maxion (criada em 1984 com a aquisição das operações
brasileiras da canadense Massey Perkins). Quatro anos depois veio a aquisição
da MWM, cuja história remonta aos primórdios da indústria automotiva, quando
Karl Benz, o inventor do automóvel com motor a combustão, criou uma divisão
separada de motores da sua empresa, ao fundar em 1922 a Motoren-Werke Mannheim
AG, que originou a sigla MWM. O negócio em 1926 foi adquirido pela também alemã
Knorr-Bremse, que em 1986 vendeu para a Deutz a unidade de motores na Alemanha,
focada só em motores estacionários, mas manteve a operação solitária no Brasil,
que desde os anos 1970 fez dos fabricantes de caminhões e ônibus seus
principais clientes. 

DESENVOLVIMENTO NACIONAL 

“Como nenhuma das
duas empresas (que deram origem à MWM International) tinha casa matriz no
exterior, tudo foi desenvolvido aqui e continua sendo assim em muitos casos,
pois nosso centro tecnológico (instalado na fábrica no bairro paulistano de
Santo Amaro, que opera desde 1956 no mesmo endereço) é responsável por todos os
projetos de motores exportados ou produzidos pela companhia fora da América do
Norte, incluindo a adaptação de toda a linha para os padrões de emissão Euro,
que são os mais usados em todo o mundo”, conta José Eduardo Luzzi, presidente
da MWM International, que tem 3,5 mil empregados em três fábricas no Mercosul,
duas no Brasil (São Paulo e Canoas, RS) e uma na Argentina (Jesus Maria). O
faturamento não é divulgado oficialmente, mas é sabido que ultrapassa a casa de
US$ 1 bilhão por ano.

“A MWM é hoje a
base do crescimento global da International Engine Group, tanto em exportações
diretas para mais de 30 países como em transferência de tecnologia para outros
mercados”, completa Luzzi, citando os casos da Índia e China, onde são
produzidos motores com tecnologia desenvolvida pela subsidiária brasileira da
Navistar. O centro de engenharia em São Paulo tem 220 engenheiros, que contam
com 28 bancos de prova e 68 estações de desenvolvimento CAD/CAE. Ao todo, a
empresa tem um portfólio próprio de cinco linhas de motores automotivos para
caminhões e picapes, além de outras quatro para aplicações off road, em
tratores e máquinas agrícolas.

“O alto nível de
desenvolvimento e conteúdo local sempre foi nosso diferencial competitivo”, diz
Luzzi. “Hoje nossos produtos têm índice de nacionalização médio de 70% e em
alguns casos acima de 90%, o que nos coloca em situação vantajosa para atender as
exigências do Inovar-Auto (a política industrial voltada ao setor automotivo,
que prevê o aumento do uso de componentes domésticos nos veículos nacionais e
maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento no País).” 

CRESCIMENTO ATÉ NA ARGENTINA 

Luzzi está otimista
sobre as perspectivas futuras de crescimento. Ele enumera vários vetores que
devem impulsionar a produção de motores nos próximos anos: “A deficiência da
infraestrutura do País exige muitas obras, assim como os grandes eventos
esportivos (Copa em 2014 e Olimpíada em 2016). Um possível programa de
renovação da frota deve expandir o mercado de forma sustentável, sem criar
bolhas. As safras agrícolas recordes precisam de muitos caminhões para
transportá-las. São todos fatores que levam à expansão dos nossos negócios”,
afirma o executivo. 

Com as linhas de
produção aquecidas (foi o melhor janeiro da história, com 10.697 unidades
vendidas), a MWM decidiu reativar a produção de motores na fábrica de Jesus
Maria, na Argentina, que nos últimos 10 de seus 19 anos de idade anos só fazia
componentes, como cabeçotes e eixos. Toda a linha de motores de 9,3 litros foi
transferida de Canoas para lá e 100% deles serão exportados para o Brasil.
Também serão feitos na planta argentina os motores agrícolas 229 e os MaxxForce
4.8 e 7.2, principalmente para atender a produção de ônibus e tratores da
Agrale no país vizinho, além de outros possíveis clientes ainda em prospecção.
A expectativa é produzir 1 mil propulsores este ano, 600 deles para o mercado
brasileiro. “Essa é uma forma inteligente de equilibrar a produção entre os
dois países e atender as necessidades de produção local colocadas pelo governo
argentino”, explica Luzzi.

Segundo o
executivo, a resposta para a tendência de maior verticalização dos clientes,
que têm planos de colocar motores de fabricação própria em seus veículos, está
na boa relação construída ao longo de décadas e da flexibilidade para se
adaptar às necessidades, como aconteceu com a MAN e a GM. Em 2012, ambas
passaram a usar motores próprios no Brasil, mas ambos são produzidos em
fábricas da MWM. 
“Nós não perdemos
os clientes e eles não precisaram investir em novas plantas, nem no
desenvolvimento de fornecedores ou logística. Fazemos o serviço completo”,
destaca Luzzi. Hoje esses são os maiores contratos já fechados na história da
empresa e respondem por pouco mais de 50% da produção. O motor VM, usado pela
GM na nova geração da picape Chevrolet S10, ocupa todas as três fábricas da MWM
no Mercosul: o bloco é usinado em São Paulo, o cabeçote na Argentina e a
montagem é feita em Canoas.
As exportações
também devem continuar a avançar com a maturação de dois grandes contratos, com
a Otokar da Turquia e a Daewoo na Coreia, qus nos próximos cinco anos devem
comprar 20 mil motores MaxxForce 3.2H Euro 3, 4 e 5 para seus micro-ônibus.
Mais de 90% desses propulsores produzidos no Brasil pela MWM são exportados,
mas Luzzi adianta que essa proporção deve mudar em breve, com a conquista de
clientes nacionais para o modelo. Ele calcula que, nos próximos três anos, o
mais novo filho da engenharia brasileira da empresa deverá representar cerca de
15% da produção total. 
Em volumes, as
exportações de motores completos devem representar 8% da produção este ano, mas
Luzzi lembra que a MWM também usina e envia daqui todos os blocos para motores
de 13 litros montados pela International nos Estados Unidos, além de 100% dos
cabeçotes para propulsores de seis cilindros feitos na matriz. 
Em 2013 a MWM
projeta continuar com fatia de 30% dos motores diesel produzidos no Mercosul,
que deverão somar 475 mil na região este ano, em expansão de 11% sobre 2012. A
empresa projeta crescer mais que o dobro da média do mercado, 25%, com 140 mil
unidades fabricadas, 53 mil delas para equipar caminhões. São esperados avanços
em todas as áreas de atuação. A produção de caminhões deve avançar 28%, para
170 mil; a de tratores 14%, para 33 mil; a de máquinas agrícolas 10%, para 70
mil; e a de picapes 10%, para 190 mil. 
Os motores para
caminhões continuam respondendo pela maior parte das vendas da MWM, com 38% do
bolo este ano. O segundo maior negócio são as picapes (17%), seguido por ônibus
(16%), reposição (16%) e tratores e máquinas agrícolas (14%). 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

ATENÇÃO: Este conteúdo é protegido.
Como ficariam os ônibus urbanos da Itapemirim? Relíquias do Museu da Itapemirim O amor pede passagem Busscar El Buss da Auto Viação 1001 Número das vendas e exportações de carrocerias de ônibus – 04/2021 Montagens de modelos com o layout da Nacional e Continental O Apache Vip na frota metropolitana da Grande João Pessoa O Apache Vip na frota municipal de João Pessoa Apache Vip da Util Renovação de frota na Boa Esperança