301 – Mangabeira: 30 anos de referência no corredor 3

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: Kristofer Oliveira
Colaboração: Josivandro Avelar
A linha 301 é a principal linha do maior
bairro pessoense, responsável também de “parir” e inspirar outras, abrindo
novas opções e possibilidades de transporte dentro do bairro. Nestas três
décadas de existência, a linha é uma das poucas que não perdeu a sua
“hegemonia” dentro do corredor pertencente, além do seu bairro, permanecendo no
posto firme de “artéria”, diferente do que ocorreu com outras linhas da
capital, a exemplo das 101, 510 e 601, por exemplo. Não que estas três citadas
perderam sua significância e importância, mas tiveram suas atribuições
divididas com outras linhas que surgiram devido a expansão dentro do bairro ou
área circunvizinha, ou tiveram sua frota reduzida. Nesta matéria, vamos
conhecer um pouco da linha 301. Confiram!

O bairro de Mangabeira – Antigamente, uma
fazenda de mangaba ocupava o território do bairro, daí a origem do nome. Foi
fundado em 1983 e atualmente possui oito etapas dentro de um território de
1.079 hectares. Possui aproximadamente 100.000 habitantes, sendo de longe
considerado o mais populoso bairro pessoense e paraibano. Se fosse uma cidade
emancipada, seria a 4ª mais populosa.

O bairro possui uma grande vocação para o comércio,
sendo a Avenida Josefa Taveira a segunda maior avenida comercial da cidade e
uma das mais valorizadas. Em termos de pontos comerciais, só fica atrás do
centro da cidade, incluindo o mercado público. Possui também bastantes
colégios, além de ser referência na saúde, com complexo hospitalar, incluindo
um hospital de trauma e maternidade, e diversas clínicas privadas
especializadas. Nessa imagem de satélite podemos ver a área que o bairro ocupa aproximadamente.

Também, no bairro situa-se a sede da Polícia
Militar, Detran, Inmetro, além de contar com diversas outras instituições públicas
e de utilidade pública. Está presente praticamente toda rede bancária presente
no estado, com agências próprias e caixas eletrônicos. Aporta instituições
religiosas de diferentes segmentos e ritos, dentre elas a sede da Federação dos
Cultos Africanos.
Com todo este aparato, o bairro possui uma
grande autonomia, sendo desnecessário o cidadão se deslocar para outra parte da
cidade para resolver seus problemas pessoais. Já existiu um movimento
separatista, que tinha o objetivo de transformar o bairro em uma cidade.
O transporte no bairro – da Nossa Senhora das
Neves à Transnacional –
A primeira linha que surgiu foi justamente a Mangabeira
via Pedro II, talvez partindo do atual terminal da 301. Era operada pela extinta
empresa Nossa Senhora das Neves, que possivelmente surgiu neste ano após a
falência da RB Transportes, que até então operava nos bairros próximos, Castelo
Branco e Cidade Universitária. Como a cidade foi se expandido para o lado de
Mangabeira, coube a NSN intermediar o transporte para esta nova localidade da
cidade.

Marcopolo San Remo I no Parque Solón de Lucena
O início do transporte não foi fácil, pois
assim como todo novo bairro, as ruas eram de terra batida ou barro, além de
esburacadas, tornando-se mais crítico em épocas de chuva. Após os primeiros
anos é que as ruas por onde os ônibus trafegavam foram pavimentadas.
A primeira frota que operou na Mangabeira foi
composta por Torino 1983, Caio Gabriela (foto ao lado) e San Remo, sendo estes dois últimos
possivelmente herdados da RB. Na frota da NSN, ainda tinha o raríssimo Incasel
Cisne, que possivelmente também foi utilizado. Também, a frota contava com o
San Remo II, que veio com motorização traseira. Em 1986, a linha ganha o
prefixo 301. Com o aumento populacional do bairro, a demanda foi aumentando e a
referência da linha aumentando, tanto para quem seguia à Avenida Pedro II e
adjacências, UFPB, Bancários, quanto para o próprio bairro. E assim a linha foi
se tornando uma das principais da cidade, sendo a sua praticidade como um dos
fatores.

CAIO Gabriela, 0777 da Transnacional ao lado de um Monobloco Mercedes O-365 da estatal Setusa
Apesar da sua grande fama nos anos 80, a
linha não estava imune aos problemas que o transporte pessoense enfrentava, com
uma frota muito aquém na conservação e manutenção, atrasos de horários, além
das constantes greves. Não iremos nos aprofundar nesta questão, que já foi
bastante abordado em postagens anteriores. O bairro se expandia e novas
necessidades no transporte foram surgindo. A 301 já não portava mais a demanda
e já não atendia satisfatoriamente alguns usuários que moravam distante da
principal do bairro, e tão pouco a linha poderia fazer desvios. Com isso, foram
surgindo outras, a exemplo da 303, conhecido por operar “por dentro”, a
Mangabeira via Rangel, que transformou-se na 206, que surgiu em meados de 1985.

Ônibus da empresa Nossa Senhora das Neves, a antecessora da Transnacional atual
Em 1987, a Nossa Senhora das Neves é vendida
para a Transnacional, sendo a porta de entrada na capital, de um grupo já consolidado
em Campina Grande. A sua frota e estrutura é herdada.

Tempos na Transnacional e sua frota – A linha, por conta da demanda e da referência criada no bairro de
Mangabeira, acabou por ser uma das linhas com prioridade em receber os veículos
de maior capacidade da empresa. Com isso, ônibus com chassis traseiros,
trucados e articulados passaram pela linha. No início dos anos 90, 14 veículos
operavam na linha.
Os primeiros carros notáveis da linha
na Transnacional foram os únicos Marcopolo de chassi traseiro que a empresa
teve até aqui. Numerados de 0762 à 0766, eram Marcopolo San Remo II com chassi
OH-1517 (alongado, eram conhecidos como “minhocões” pelo seu grande
comprimento) herdados da Nossa Senhora das Neves, nos quais a empresa só
colocou o seu nome sobre a antiga pintura da empresa. Já na foto abaixo do 0765 podemos ver a dianteira do ônibus, e percebe-se o pequeno espaço do itinerário, onde só cabia o código da linha e o nome do bairro. A informação que era via Pedro II (corredor 3) só vinha escrita numa plaquinha que ficava no para-brisa, junto com a palavra “DIRETO”.

São substituídos por
Urbanus OF-1618, mas ficam na linha no lugar deles. Nesse registro histórico ao lado vemos dois detalhes: o primeiro que chama a atenção são os moleques jogando água nos ônibus durante o carnaval, prática essa não muito comum atualmente na capital paraibana. O segundo detalhe é o San Remo II 0763 da então já Transnacional, porém ainda com a última pintura da Nossa Senhora das Neves (apenas o nome foi trocado).

Enquanto isso, os San Remo eram
mutacionados com frente e traseira de Torino 1989, recebendo a caracterização
da empresa e novos prefixos – 07125 à 07129 – sendo remanejados para a então
linha 206 (atual componente das linhas 2514/5206).
Ainda na linha, ficou notório os
Torinos LN 0761, 0767, 07105 e 07140, 1618, e os carros do lote 1620: 07143,
07146, 07147, 07149 e 07151. A Scania se fez presente na linha através de um
remanejado: o carro 07141, que ficou na linha até 2001, sendo junto com o 07142
os dois últimos Torino LN ainda ativos na empresa. A linha 301 teve vários
Torinos GV: os carros 0768 e 07174 eram os mais notórios.
Ainda no campo dos Urbanus, ela teve
várias unidades do modelo II. As primeiras chegaram em 1995: 0709, 0713, 0715 e
0716. No ano seguinte vieram 0739, 0752 e 0753, além de receber o 07176,
remanejado do 1510 (a linha havia deixado a TN nesse ano). E em 1998 vieram os
carros 0743 e 0747. Todas essas unidades eram no chassi MB OF-1620.

Torino 07133 na principal dos Bancários

Em 2000, vieram os primeiros Torino G6:
os carros 0745 e 0788, e, um ano depois, o 07183, remanejado da linha 1500.
As primeiras unidades do modelo Viale
na linha são os carros 0712 e 0719, em 2001. Posteriormente, chega o carro
07101. A linha ainda teve um  Urbanuss Pluss, o carro 07162 visto na imagem ao lado, que encerrou suas atividades na empresa em 2009 na 304 – Castelo Branco / Pedro II.
Mais Viales chegam na linha em 2003: os
carros 0741, 0742, 0793 (que chegou 0791 na empresa mas foi renumerado na
garagem) e 07182. Estes tinham traseira de fibra, ao contrário dos anteriores
que tinham vigia traseiro – aliás, este é parte do primeiro lote de Viale com
vigia fechado da empresa.

0750 chegando na Integração do Varadouro

Vários carros do lote vieram com letreiro eletrônico,
porém os carros incluídos no 301 tinham vista lonada.

07101, um dos primeiros Viales na linha 301
A linha é uma das primeiras a receber
veículos trucados. Todos os carros do primeiro lote de trucados da empresa
passaram pela linha. Os que se fixaram como titulares foram os carros 07100,
07105, 07127 e 07147. 07143 e 07144, apesar de terem estreado no 1500/5100,
foram para o 301 com a chegada de 0774 e 07200 em 2007. Porém dois anos depois,
os últimos são integrados à frota da 301, com a entrada de mais dois trucados
nos circulares.

0774 e 07138, respectivamente, nas imagens acima. Ambos Viale Mercedes-Benz OF-1722 6×2
Em 2006, chegam os primeiros OF-1722 da
linha, os carros 0780 e 07104. A linha ainda chegou a hospedar por 30 dias o
carro 0751, à época do 3200.
Em 2008, a linha recebe o carro 0742,
que é substituído um ano depois por um Torino no mesmo prefixo. O Viale seria
transferido para o 202, renumerado como 07114. Recebe ainda mais três trucados:
07196, 07138 e 0716.

Em 2009, entra na frota da 301 o primeiro
Torino da linha; o carro 07192. Meses depois, além do Torino 0742 já
mencionado, é integrado à 301 o 07204, na mesma configuração. Porém com a
entrada dos carros 0774 e 07200 na linha, remanejados dos circulares, os dois
Torinos são transferidos para as linhas 303 e 203, respectivamente.

07192, o primeiro Marcopolo Torino OF-1722 da 301, atualmente em Campina Grande como 0733
Em 2010, são incluídos na linha os dois
primeiros veículos articulados da empresa, os carros 07209 e 07210.
Em 2012, a linha perde o 07192 para a
Transnacional de Campina Grande, onde passou a rodar como 0733. Chega a ser
substituído pelo carro 07140, Torino ex-RJ 161.029 da Transportes Santo Antônio
de Duque de Caxias-RJ, comprado num lote de 12 veículos usados em setembro de
2012, mas o tamanho do carro não suportou a demanda da linha. Foi trocado pelo
0796, Torino comprado zero em abril do mesmo ano, que estava na linha 511.
Linha 301 no
sistema Opcional –
A linha foi componente do sistema
Opcional de 1997 à 2011. Os primeiros integrantes foram os carros 07205 e
07206, Torinos GV Altos, com TV e frigobar.
Os micros vieram em 2000: 07214 e
07215. Curiosamente esses carros destoavam do restante do lote, vindo a sugerir
terem vindo de alguma outra empresa do grupo, já que tinham placa de Natal e
pareciam ter sido pintados na garagem, além das próprias lonas terem sido
feitas de maneira artesanal. Também eram os únicos micros com sistema de abertura
pantográfico (estilo ônibus de viagem) das portas. Os dois encontram-se hoje na
Real Arapiraca, de Alagoas.

Em 2006 chegam os Senior Midi. Os
carros são os 07201 e 07202, que ficaram até o fim do serviço. Remanejados para
a Reunidas, permaneceram na linha com os prefixos 08201 e 08205 – o 07202 não
recebeu o prefixo 08202 pelo fato do prefixo já estar ocupado na empresa antes
do remanejamento – era o micro da linha 101.

O serviço Opcional é desativado em
dezembro de 2011, sob alegação de que a demanda já não comportava mais o
tamanho dos veículos. A linha era aumentada em mais um carro em ocasião disso.
Atuais
componentes da 301
Trucados: 0716, 0774, 07100, 07138, 07143, 07144, 07196, 07200

07100 quando ainda chamava-se “Tribus”, e tinha uma foto adesivada do Parque Solón de Lucena ao anoitecer
Articulados: 07209, 07210
07209, junto com o 07210 são os primeiros articulados da empresa
Convencional: 0796

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