Especial de domingo: BR-230, a transamazônica na Paraíba!

Fonte: Portal Ônibus
Paraibanos

Matéria/Texto: Philippe
Figueiredo

A partir
desta foto, vou resumir a história da BR-230, que corta o estado de leste a
oeste. É a espinha dorsal do estado. Pelo seu trajeto estão as nossas
principais cidades que se desenvolveram graças ao seu traçado. Cidades como Cabedelo,
João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa e
Cajazeiras, cresceram bastante desde o asfaltamento dessa BR em 1968. Nessa matéria abordaremos sobre a BR-230 e será ilustrada com fotos de ônibus que estão ou passam pela BR-230, a exemplo desse Urbanuss Pluss da Reunidas na linha 5101 – Cabedelo, onde começa a rodovia. Saibam
mais aqui sobre a BR-230!

No início do século XX, os principais transportes eram o cavalo, trem e
o navio. Na Paraíba não era diferente: o trem de passageiros ia somente a
Campina Grande e depois, a viagem era completada só a cavalo. Uma viagem a
cavalo para Sousa, por exemplo, levava de sete a dez dias. “Quando eu
tinha 11 anos, eu tinha certa inveja de um amigo, porque soube que seu avô
tinha sido cangaceiro e eu era fascinado e ainda sou pelo cangaço. Então eu
mentia na cara-de-pau, dizendo que meu avô por parte de pai também foi
cangaceiro.

Ele morreu em 2004 com 98 anos e já estávamos preparando a festa
dos seus 100 anos, mas o destino não nos permitiu tal alegria. Engraçado que
meu pai nasceu em Campina Grande e minha mãe em Conceição, distante 380 km um
do outro.



Entretanto, logo após a sua morte, soube que meu avô tinha sido
caixeiro viajante nas décadas de 30 e 40 de um grupo chamado: tropeiros da
borborema. Ele passava meses sem ir em casa trazendo algodão do sertão para
Campina Grande. Meu pai quando nasceu, em 1942, ele estava há dois meses longe
de casa. Pois é, depois dessa surpresa, fiquei muito emocionado e orgulhoso do
que ele foi.

Condor Urbano, ex-Real Auto Ônibus do Rio de Janeiro. Atualmente não existe mais
Com a chegada do automóvel isso mudou. Com a abertura das primeiras
estradas de chão batido, surgiam então os primeiros transportes de passageiros
em caminhões adaptados. Na minha cidade (Conceição) tinha um caminhão que vinha
a João Pessoa na época, era o carro do Sr. Antônio Leite. A viagem era muito
cansativa e desconfortável.
Nos anos 30, foi construído o porto de Cabedelo, então um distrito de
João Pessoa que hoje é cidade. Com o movimento deste porto, nos anos 40 foi
asfaltado o trecho João Pessoa / Cabedelo em asfalto no total de 12 km.

No
governo Juscelino Kubitschek, com o programa de governo 50 anos em 5, a Paraíba
foi contemplada com recursos na construção de estradas. No fim da década de 50 foi
inaugurada a rodovia João Pessoa a Campina Grande com 120 km de extensão. Um
detalhe desta obra é que ela foi construída toda em concreto. Mais uma vez de
Campina Grande em diante, o percurso era em estrada de terra.

Em 1966 foi eleito para governador o Sr. João Agripino Filho, de Catolé
do Rocha, que era irmão do ex-governador Tarcísio Maia do Rio Grande do
Norte e tio do hoje senador José Agripino, conterrâneo dos amigos Thiago e
Danilo. Esse homem era um cara destemido e valente, resolveu então desenvolver
a Paraíba construindo rodovias. O projeto mais ousado era a rodovia Campina
Grande / Cajazeiras (divisa com CE) em um trecho de quase 400 km. Muitos na
época diziam que era doido varrido e a obra nunca seria concluída. Todos se
enganaram! No ano de 1968, João Agripino contrata a empreiteira Camargo Corrêia
para a obra.

No mesmo ano o trecho Campina Grande / Patos a partir da saída de
Campina Grande (açude de Bodocongó) para o sertão é concluído em 1969. O trecho
restante, Patos / Cajazeiras foi concluído em 1971.

Com a Ditadura Militar, as
verbas para os estados eram mais gordas e fizeram com que em 1972 fosse
construída a Transamazôniza BR-230, interligando o nordeste a região norte do
país. Hoje essa rodovia é um cemitério a céu aberto, nunca foi concluída
totalmente, com alguns trechos em terra e outros muito danificados. A BR-230 começa
no ponto (km zero) na cidade de Cabedelo e termina na região norte.

Curiosidades – Entre os anos 50
e 60 ao sair de João Pessoa em direção a Campina Grande, passava-se por dentro
das cidades de Bayeux e Santa Rita. Aquele trecho que vai da saída para Natal
até a Alpargatas em Santa Rita não existia. No fim da década de 60 é que foi construída
aquela interligação, extinguindo a antiga estrada que passava por dentro
daquelas cidades. A primeira duplicação da BR-230 ocorreu em 1991 no
entroncamento BR-101/230 entre a saída para Recife e saída para Natal. A
segunda duplicação foi no trecho João Pessoa / Cabedelo nos anos de 1993-1997.

A duplicação da parte João Pessoa / Campina Grande foi iniciada em 1999
e ainda continua em obras. O trecho João Pessoa / Cabedelo passa a denominar como
rodovia Governador Pedro Gondim. A outra parte da rodovia (João Pessoa / Cajazeiras)
é chamada rodovia Governador Antônio Mariz, desde 1998.

Em Campina Grande
também não existia aquele trecho que compreende da entrada de Campina Grande
(sentido João Pessoa) até o presídio do sertão, saída para Patos.
Obrigatoriamente tinha que passar por dentro do centro de Campina Grande.

Em
1987 foi construído o entroncamento da BR-104/230, que passa pela casa de shows
Spazzio.

Hoje a BR está em reformas do trecho Campina Grande / Patos e esperamos
que no futuro ela seja totalmente duplicada e traga ainda mais progresso ao
estado. A BR-230 está se transformando em uma grande avenida com prédios, lojas
e indústrias em seus perímetros urbanos.

Para finalizar essa matéria, deixamos aqui três fotos. Na primeira um CAIO Amélia que está na BR-230 no trecho do município de Sobrado.

Já aqui vemos um Busscar Jum Buss da Expresso Guanabara, no trecho da BR-230 em Santa Rita, próximo à Alpargatas:

E por última mas não menos curiosa, um raríssimo CAIO Gabriela transformado em “trenzinho infantil” que está no trecho em São Mamede:

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