Ônibus Paraibanos

“Peguei um Ita no Norte”

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: JC Barboza/Sueli Gushi
Foto: Acervo Paraíba Bus Team

Muitos brasileiros na casa dos 40 anos de idade
já ouviram falar dos famosos Itas, os pequenos navios Itatinga, Itaquatiá,
Itaimbé, Itaberá, Itapuca, Itagiba, Itapuhy, Itassucé, Itajubá e Itaquara e os
grandes Itaipé, Itahité e Itapagé, entre outros. O apelido “Ita” fica
óbvio: todos os nomes começavam por “ita”.Os Itas pequenos tinham
cerca de 60 metros de comprimento, os médios chegavam a 90 metros e os grandes
em torno de 120 metros. Além dos
transportes de mercadorias do Norte para o sul e vice e versa, foi grande
responsável pela ida de nortistas e nordestinos para trabalhar no sul e sudeste
do Brasil. Navios tão
conhecidos que inspiraram a canção “Peguei um Ita no Norte” de
Dorival Caymmi, o livro “O Capitão de Longo Curso” de Jorge Amado e o
Samba enredo do Salgueiro de 1993. Vamos viajar um pouco na história e conhecer os “Itas” que fizeram e fazem parte da história do nosso transporte interestadual de passageiros!!!

Baseado nessa história é que a Viação Itapemirim criou essa propaganda em 1971 divulgando suas viagens diárias entre o nordeste e o sudeste do país em seus confortáveis e inconfundíveis monoblocos que na propaganda, a empresa compara com os famosos Itas que no passado levou muitos nordestinos que queriam ganhar a vida no sudeste do Brasil.
A Itapemirim ressaltava que as ligações entres as cidades de João Pessoa, Campina Grande e Recife com o Rio de Janeiro e São Paulo com os seus “Itas” eram feitas com muita qualidade, deixando seus passageiros satisfeitos.
No século XX a migração do nordeste para o sul e sudeste era muito forte, tanto que existia inúmeros ônibus tanto de empresas ou particulares fazendo essa ligação. Por isso que as propagandas das empresas eram tão fortes, pois eram inúmeras as viações concorrentes no trecho e o merchandising era uma das armas para poder se destacar no mercado. Além da qualidade do serviço prestado que era o diferencial que mantinha a Itapemirim na liderança do mercado na época.
Nas décadas de 1970 e
1980, os grandes movimentos migratórios ocorriam em função da mecanização da
agricultura e a consequente expulsão da mão de obra. Agora, esse movimento
continua ocorrendo, porém em uma intensidade menor. O fluxo agora é o inverso. Essa população que partiu do nordeste para o sudeste no passado, hoje faz o percurso contrário e com o desenvolvimento da região, a migração para o sudeste recuou quase 50%.
Um novo “Ita”
Com a redução do preço das passagens aéreas e a melhora na renda da população, principalmente a partir de 2007, o “Ita” agora é o avião. De 2002 a 2010,
o número de passageiros de avião cresceu 115%, e o de passageiros de ônibus
informado pelas empresas caiu 31%.

 

Um exemplo é a própria Itapemirim na Paraíba. A linha João Pessoa X RJ que tinha horários diários e hoje só opera poucas vezes por semana e somente na alta temporada. Ela é coberta pela Guarabira X Rio de Janeiro, que entra na rodoviária de João Pessoa e leva os passageiros que seria da João Pessoa X RJ. O mesmo se aplica para a João Pessoa X São Paulo.
Isso também acontece com a São Geraldo que extinguiu o serviço leito da João Pessoa X RJ, caso o passageiro queira viajar no trecho com esse serviço, tem que utilizar a linha Natal X Rio de Janeiro que ainda mantém o serviço leito, mas mesmo assim não entra na rodoviária de João Pessoa, deixando o passageiro na garagem da empresa na capital paraibana. Sem contar que a linha cobre a Recife X Rio de Janeiro, que tambem deixou de ser diária. 
Enquanto isso os saguões dos aeroportos andam lotados, dificilmente voos entre o sudeste e o nordeste estão vazios. Na baixa temporada consegue-se passagens aéreas por R$ 155,00 no trecho Rio X Recife, com duas horas e meia de viagem, a São Geraldo oferece o mesmo trecho por R$ 357,86 e 37 horas e 38 minutos de viagem. A diferença é absurda. Só viaja hoje de ônibus que tem medo de avião ou realmente gosta de viajar de ônibus. O forte das empresas de ônibus no nordeste são as linhas regionais que ligam as capitais com o interior ou entre cidades na região. Vide empresas como a Expresso Guanabara e a Auto Viação Progresso que já são líderes em suas regiões e possuem linhas com esse perfil.
Já as rodoviárias cada vez mais vazias, vêem muitas empresas em grandes dificuldades financeiras. Um exemplo é a própria Itapemirim que já se desfez de quatro empresas de ônibus que faziam parte do seu grupo e também de linhas para manter o equilíbrio financeiro. A São Geraldo e sua afiliada Nacional foi vendida em 2003 para o Grupo Gontijo. Muitas outras empresas que operavam no trecho acabaram, foram adquiridas por outras maiores ou encolheram, ficando com poucas linhas regionais.
Com o passar dos anos os “Itas” vão mudando sejam os pequenos navios, os monoblocos da Itapemirim ou os Airbus da nossa atualidade.

2 comentários em ““Peguei um Ita no Norte””

  1. Bela Materia Parabéns. Vale lembrar q. no passado anos80 saian horarios diarios p/ varias cidades nordestinas( Itapemirim / São geraldo e Gontijo )Bem como nas capitais q. eu já ví em época de final de ano 5 horarios p/ Ex: RECIFE) Nos dias Atiais SÃO AS EMPRESAS AEREAIS q. praticamente saem voos diversos p/mesma cidade e LOTADO. eu já presenciei

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