Ônibus Paraibanos

A série F da Scania

Fonte: Revista Autobus
Matéria/Texto: Antônio Ferro

A relação
entre um chassi com motorização dianteira e a marca Scania é antiga. Vem desde
os primórdios da montadora em nossa terra, quando foi apresentado o B75 em
1959. Através dos anos esse tipo de chassi não deixou de figurar no portfólio
da marca, sendo que muitas versões foram produzidas. Se até 1988 a versão S112,
aquela com eixo dianteiro sob o motor, não permitindo balanço nenhum, era a
única na categoria, a partir de então a Scania apresentou uma renovação em seu
modelo destinado a operações mais severas. Surgia o F112, com o eixo dianteiro
afastado para trás permitindo nesse balanço da carroçaria a instalação de
porta. 21 anos depois de seu lançamento e após pouco mais de 4 anos sem
oferecer ao mercado nacional, a Série F 230/270 está de volta aos nichos
urbanos, de fretamento e para linhas rodoviárias de curtas distâncias.

Se antes
a nomenclatura do chassi revelava a litragem (11 litros) do motor e a geração
do chassi (2), agora ela contempla a potência do bloco DC9 (intercooler) com 9
litros e cinco cilindros, que passa a contar com duas opções em potência –
230cv e 270cv, a torques de 1050 Nm e 1250 Nm, respectivamente. A suspensão do
modelo é composta por feixe de molas. E por que retornar a comercialização
interna desse tipo de chassi, se a Scania o disponibilizou a partir de 2005
somente ao mercado externo? “A demanda por
chassis (acima de 14 toneladas) com motores dianteiros mantém-se muito
aquecida. Queremos com a retomada de oferta ao Brasil reconquistar o espaço
perdido e antigos clientes, oferecendo um produto ideal para quem procura
robustez e reduzido custo operacional”
, destacou Wilson Pereira, gerente executivo de
Vendas de Ônibus da Scania no Brasil. E não é para menos. Somente em 2008 foram
quase 10.000 chassis dessa categoria vendidos no Brasil.
O chassi incorpora uma série de itens para promover otimização operacional e
melhores condições de dirigibilidade. A Scania adotou a tecnologia embarcada
como forma de rentabilidade. O sistema de comunicação CAN (Computer Aided
Network) interage entre o chassi e a carroçaria, permitindo a diminuição do
número de fiações e conexões elétricas. Através dele alguns aspectos de
fundamental importância, como o gerenciamento do motor, dos freios, da
velocidade, entre outros, trabalham em perfeita sinergia. “Com isso
temos mais informações disponíveis, diagnósticos mais eficientes, menor
possibilidade de falhas, maior confiabilidade e amplos benefícios ao
transportador”
, disse o engenheiro João Paulo Dionelo, da Engenharia de
Vendas da Scania. Outro detalhe é que o chassi vem equipado com computador de
bordo, que informa dados da viagem (quilometragem total, consumo, velocidade
média), dados instantâneos (pressão do óleo, do freio, tensão da bateria) e
configurações (quilometragem de manutenção, configuração do painel e códigos de
falhas), sendo que seu controle está instalado no volante, proporcionando
conforto ao motorista ao utiliza-lo.
A
configuração da Série F ainda enfatiza o APS (Sistema de Processamento de Ar),
exclusivo módulo de gerenciamento do compressor de ar que se comunica com a
unidade de comando do motor, não retirando potência do bloco em momentos
necessários, como em subidas. Nesse caso o compressor não trabalha, mantendo a
segurança exigida na operação. A nova central elétrica, em comparação com a
série anterior, é compacta, simples e adaptada facilmente a qualquer operação.
O posto do condutor tem uma nova proposta idealizada dentro de uma moderna
ergonomia, com espaço de folga e fácil acesso aos comandos. Foi projetado para
pessoas com estaturas que variam entre 1,5m até 2,0m. O novo volante permite 15
posições de ajustes (feitos pneumaticamente) e facilidade de entrada e saída do
cockpit. A montadora dispôs os pedais de freio, acelerador e embreagem de modo
suspenso, não provocando desgaste muscular das pernas do condutor e
proporcionando facilidade de limpeza na área. O painel de instrumentos tem
conta giros com lâmpadas Led’s representando a faixa verde dinâmica, o que
corresponde ao melhor desempenho do motor. O motorista ainda conta com a
transmissão manual produzida pela própria Scania – caixa G701 com seis
velocidades. O sistema de freios é a tambor, com controle pneumático, mas,
opcionalmente, pode possuir o ABS, para maior segurança em trajetos estradeiros.
Os testes
de campo com os chassis F 230/270 atingiram a marca de 500.000 km rodados sem,
de acordo com informações da Scania, nenhum desvio encontrado no sistema
elétrico, freios, motor, caixa de transmissão e suspensão. Dionelo observou que
o chassi pode apresentar um resultado salutar em consumo de combustível frente
a outros modelos convencionais de ônibus. “O consumo de
combustível é sempre resultante das condições de carregamento versus condições
topográficas das linhas. Em condições de grandes lotações e topografia adversa,
acreditamos poder oferecer excelentes níveis de consumo em relação à
concorrência”
, manifestou.

Por
dentro do chassi F
.
Comprimento
– 9.860 (11.620 opcional)
Encarroçamento final – 13,20m
Motor – Scania DC9 13 230
Potência – 230 cv (169 kW) @ 1.900 rpm
270 cv (198 kW) @ 1.900 rpm
Torque – 1.050 Nm @ 1.100-1.400 rpm
1.250 Nm @ 1.100-1.400 rpm
Transmissão – Scania G 701, manual com seis velocidades.
Capacidade técnica kg:
Eixo dianteiro- 7.500
Eixo traseiro- 12.000
PBT – 19.500
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