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Sindicato dos mecânicos se reúne com prefeito de Joinville sobre o Caso Busscar

Fonte: Canal do Ônibus
Matéria / Texto: Adamo Bazani
Para evitar mais especulações entre os trabalhadores da encarroçadora de ônibus Busscar, que estão há dois anos e um mês com direitos e salários atrasados, o Sindicato dos Mecânicos de Joinville e o prefeito do município em Santa Catarina, se reuniram nesta segunda-feira para discutirem o plano de recuperação judicial da companhia, que enfrenta crise desde 2008 e acumula R$ 1,3 bilhão em dívidas, dos quais cerca de R$ 800 milhões com fornecedores, bancos e trabalhadores.

Na semana passada, o prefeito Carlito Merss, declarou que era favorável ao plano de recuperação da Busscar, o que causou descontentamento entre os cerca de 5 mil trabalhadores que têm a receber da empresa de encarroçamento. Atualmente, pouco mais de 800 pessoas ainda têm vínculo com a Busscar. Boa parte dos funcionários se desligou em busca de outras ocupações.

A empresa teve oportunidade no dia 31 de outubro do ano passado de apresentar uma proposta de recuperação com acompanhamento da Justiça. O plano, no entanto, não foi bem visto por diversos credores, entre eles os trabalhadores, que decidiram rejeitar as propostas. Entre os pontos mais polêmicos estão a compatibilidade do plano com a realidade do mercado e os descontos sobre os  débitos propostos pela Busscar. A empresa que foi fundada em 1949 pela família Nielson foi uma das maiores fabricantes de ônibus do País disputando expressivas parcelas de mercado, inclusive a liderança, com outras empresas de grande porte como Caio e Marcopolo.

A companhia prevê para este ano receita de R$ 335, 6 milhões e produção de 1,8 mil carrocerias. A Busscar conta com um programa de incentivo à exportação de ônibus para a Guatemala financiado pela BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social. O BNDES liberaria cerca de R$ 400 milhões à diversas empresas encarroçadoras, sendo que R$ 140 milhões para a Busscar. Mas o plano ainda não saiu do papel.

Alguns credores também ainda não foram convencidos de que a empresa conseguirá produzir as 1,8 mil unidades este ano. Até o início deste mês de maio, foram feitas cerca de 100 unidades. A empresa não divulgou o número preciso de carrocerias produzidas. Mas o ponto que mais tem provocado reações negativas ao plano é o que prevê descontos sobre as dívidas da Busscar. Estes descontos variam de 5% a 95% dependendo do tipo do débito e do credor. Para os trabalhadores que teriam descontos no que devem receber, os abatimentos seriam entre 7% e 37%m segundo as diretrizes do plano.

Na semana passada, representantes da Busscar estiveram reunidos com o prefeito de Joinville, Carlito Merss, que fez declarações positivas sobre o plano de recuperação. “O problema é que o pessoal da Busscar só mostrou um lado do plano. Quando falaram em descontos de débitos para os trabalhadores, informaram que só iam descontar multas e outros pontos de menor relevância, o que não é verdade. Os descontos não podem ser feitos e como são colocados no plano englobariam direitos que são garantias do trabalhador, como o aviso prévio de desligados” – disse à reportagem do Blog Ponto de Ônibus, o presidente do Sindicato dos Mecânicos de Joinville, Evangeslista dos Santos.

Caso o plano seja rejeitado na Assembleia Geral dos Credores, que deve ser realizada nos dias 22 de maio e 29 de maio, a Justiça pode até decretar a falência da Busscar. “Nós não queremos o fechamento da empresa e nem sua falência, mas os trabalhadores não podem pagar para isso não ocorrer. Queremos discutir um plano que realmente seja bom para todos os lados.” – disse Evangelista. Bancos e outros credores também não se mostraram favoráveis ao plano. Alguns deles têm se reunido para elaborar alternativas. “Essas  soluções e propostas chegando ao sindicato, certamente serão estudadas. O fato é que 2 anos sem receber salários e direitos trabalhistas deixa qualquer trabalhador apreensivo. Mas o que é devido tem de ser pago de maneira correta. Não é porque os trabalhadores precisam voltar a receber que se deve aceitar a redução do que é devido a eles” – complementou o líder sindical.
Hoje a produção na Busscar está em ritmo mais lento do que era esperado. Se o plano for aprovado, a empresa teria cerca de 60 dias para absorver os cerca de 800 trabalhadores que ainda fazem parte da encarroçadora. A fábrica alega que em 2008 sentiu a crise econômica mundial de restrição ao crédito e que boa parte de seus planejamentos dependiam de financiamentos que foram reduzidos.

Já os críticos da empresa dizem que a Busscar apresentava problemas administrativos e por isso, diferentemente de outras companhias, não resistiu à crise. A situação, na visão destes analistas, ainda seria reflexo de outro momento financeiro difícil vivido pela Busscar entre 2001 e 2004, quando a empresa precisou de auxílio do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Quanto ao encontro nesta segunda-feira com o prefeito de Joinville, Carlito Merss, o presidente do Sindicato dos Mecânicos, Evangelista dos Santos, disse que o chefe do executivo vai reconsiderar sua posição e que se sensibilizou com a situação dos trabalhadores.
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