Transnacional em João Pessoa – Bodas de Pérola

De Ônibus Paraibanos
Por Kristofer Oliveira

Revisão Josivandro Avelar
Imagens Acervo histórico Paraíba Bus Team

100_2425

Neste domingo, dia 18 de junho, a Transnacional completa trinta anos de existência na cidade de João Pessoa. Não se tratou do começo de um empreendimento do Grupo A. Cândido, mas sim o marco da sua expansão fora da sua matriz no segmento de transporte urbano, consequência do seu sucesso administrativo que já se encontra na terceira geração familiar.

Continue lendo

Fusão das A101 e 102 – Somando os problemas

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: Kristofer Oliveira
Fotos: Fábio Gonçalves

0819

Neste sábado as linhas A101 e 102 foram fundidas, algo que ocorre pela segunda vez. Quem não se lembra do fiasco que foi em 2009, um ano farto de junções fracassadas? 116 com 501 = 5116 e 1516; as 101 com 114 que em algumas lonas apareceram como 100, mas que de fato era a 101; 508 com 520 virando 528. Só as junções da Reunidas duraram 10 dias. Pois bem, os anos se passaram, a STTrans virou Semob, mas a ideia de fundir linhas para dar a falsa sensação de mais ônibus circulando permanece. Continue lendo

Frota pessoense de 2006 pode rodar até hoje

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: Josivandro Avelar
Fotos: Gilberto da Costa Junior /  Kristofer Oliveira / Thiago Martins de Souza  / JC Barboza

DSC08355

Com a entrega de 20 novos ônibus no último dia 22, a Semob determinou a saída dos veículos fabricados em 2006. São ao todo 20 veículos que podem estar em seu último dia de circulação, sendo que um deles foi fabricado em 2005 e outros já deixaram a frota das empresas. Confira quem está praticamente de saída da frota pessoense, e quem já saiu das ruas. Continue lendo

Linha Cabedelo X Igarassu da JSLog já opera, com quatro horários diários

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: Josivandro Avelar
Fotos: Marcelo Cardoso

13241248_1324900110859709_2816076744206405626_n

Já está em operação a linha Cabedelo X Igarassu da JSLog, anunciada em dezembro do ano passado por este portal. Saiba como está sendo a operação desta linha, preços e horários. Continue lendo

Os Apache Vip II da São Jorge com a identidade visual do Consórcio Navegantes

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: Josivandro Avelar
Fotos: Thiago Martins de Souza

13054912_639071089565011_1575728112_o

Desde os primeiros dias de abril de 2016, a Viação São Jorge colocou em circulação seis ônibus seminovos, os quais são os primeiros a receberem a identidade visual do Consórcio Navegantes. Saiba mais sobre os ônibus. Continue lendo

A história pioneira da Princesa do Sul

Fonte:
Sul do Piauí

Fotos: Alberto Nonato / João Victor / Carlos Aguiar / Divulgação




A Empresa Expresso Princesa do Sul é uma das mais consolidadas no
ramo de transporte piauiense, tendo entrado em operação em 1928, com um
Caminhão Ford e dois Automóveis modelo T-1923. O fundador da empresa foi
Francisco Faustino de Lima, considerado o pioneiro do setor de transporte
rodoviário do Estado do Piauí. Ainda cedo, tornou-se mecânico e motorista.

A
soma das economias entre estas atividades e o pequeno comércio que
tinha, condicionou a compra dos seus primeiros três veículos. Tais transportes
foram comprados junto a Oreste Carvalho e Eudócio Melo. Assim, o
“Chicão” como era conhecido popularmente Francisco Lima, montou em
1928, a sua empresa que posteriormente passaria a se chamar Princesa do Sul,
uma homenagem à cidade de Floriano, também assim designada. A empresa
passou a transportar passageiros e cargas no percurso entre as cidades de
Teresina e União.

A partir de 1934, o empresário mudou-se de
União para Teresina e passou a operar linhas desta cidade para o sul do Estado,
dentre as quais se destaca a linha Teresina – Floriano. Nesta época eram
realizadas cerca de quatro viagens mensais. É válido ressaltar que as estradas
por onde passavam os ônibus da empresa eram recuperadas sempre que necessário
por Chicão.

O
crescimento da empresa possibilitou que a mesma passasse a realizar linhas para
Oeiras, Simplício Mendes, São João do Piauí, São Raimundo Nonato e Remanso da
Bahia. Francisco Lima passou então, a ser auxiliado pelos filhos Joaquim
Faustino de Lima e Jonas Faustino de Lima. Este por sua vez, continuou a
empresa mesmo após a morte do seu pai em 9 de agosto de 1955, ano em que o
jovem empresário comprou o seu primeiro ônibus, marca Ford, com capacidade para
36 passageiros.

Nos
anos de 1970, 1984 e 1986, a Princesa do Sul comprou respectivamente as
seguintes empresas: Bom Jesus
pertencente a José da Cunha Sepúlveda, Estrela da Manhã de propriedade de José
Cronemberg Reis e a Rapto Portuense que tinha como proprietário Bernardo Rego.
Estas empresas foram adquiridas juntamente com as linhas por elas operadas.
Também como parte do patrimônio da empresa, consta 95% das ações da empresa
Viação Transpiauí São Raimudense, que é responsável por realizar o percurso
ligando o norte do Estado ao Centro Oeste do País.

A
Princesa do Sul encontra-se dirigida atualmente pela terceira e quarta geração,
ou seja, o neto e os bisnetos do pioneiro Francisco Faustino de Lima, o Chicão,
com linhas para Corrente, Bom Jesus, Floriano, São Raimundo Nonato, Dirceu
Arcoverde, Guadalupe, Ribeiro Gonçalves, Uruçuí, dentre outros municípios. Na Empresa Expresso Princesa do Sul,
entre os seus dirigentes hoje, está Daniel Brito de Lima, gerente
administrativo (foto).

101-Grotão: Um “santo” descoberto para cobrir uma Colina

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: Kristofer Oliveira
Foto: Kristofer Oliveira

0820

Recentemente a linha 101 – Grotão mudou oficialmente o seu itinerário e consequentemente, o seu terminal, mudando para o Colinas do Sul, no terminal de integração do bairro, fazendo o mesmo trajeto realizado há anos no bacurau. Uma reivindicação que perdurava anos por parte dos populares do Colinas foi acatada pela Semob, ocasionando desconforto e transtorno para os usuários da linha no bairro do Grotão, Funcionários II, Ernany Sátiro e Costa e Silva. Para compreender melhor o impacto causado por essa mudança, apresentarei alguns dados e farei um retrocesso histórico.

A linha 101 nasceu na metade dos anos 80 para atender parte da expansão urbana da cidade que estava em curso na zona sul, entre os bairros Ernesto Geisel e Costa e Silva. O Ernany Sátiro e o Esplanada já eram atendidos pela linha 102 (bairros fundados nos anos 70), porém, quem residia no conjunto Tancredo Neves (nome oficial dos Funcionários) e no bairro do Grotão, tinha que pegar atalho por dentro do mato ou por ruas de terra batida (as que davam acesso as novas localidades) até uma parada próxima da linha 102 nos bairros vizinhos. O terminal não ficava no Grotão à toa, pois era a última fronteira da expansão urbana. Após isso, só tinha o vasto bairro de Gramame, que por anos e décadas teve o status de localidade rural. A nascente do rio Cuiá e seus primeiros metros de correnteza era a fronteira natural de ambos lados.

Apenas a linha 101 não era suficiente para atender a demanda, logo nasceu a linha 114, atendendo os Funcionários III e IV, além de reforçar a linha 102 no bairro do Esplanada. No início dos anos 90, eram 25 carros para atender os bairros do Grotão, Funcionários II, III e IV, Esplanada, Ernany e Costa e Silva (10 na 101, 9 na 102 e 6 na 114), um número até satisfatório para uma área em expansão. A Etur, que operava na área, até que não fez feio nesse sentido.

Vale lembrar também que entre 1988 e 1991, quatro linhas circulares passou a operar nesses bairros, com exceção do Esplanada, que foram as 1500, 5100, 1510 e 5110. A frota delas somados estava em torno de 30 veículos.

Em 1996, já com a Reunidas, a linha 101 tinha 12 carros e as 114 e 102 tinham 6 cada (a frota foi reduzida em um veículo), pra época até que atendia bem, mas ñ evitava a lotação no horário de pico. O terminal no Grotão ficou pequeno demais para ter tanto carro no repouso, ainda mais quando a obra de uma escola (necessidade por crescimento populacional do bairro) começou, justamente na área do terminal, com isso, foi transferido para os Funcionários II no mesmo ano.

Ainda em 96, o João Paulo II (que era um grande terreno entre os Funcionários II e o Geisel) foi crescendo ao ponto de já ter demanda de ônibus, a linha 107 foi a primeira a operar no bairro, mas a Boa Vista desistiu, e a 101 desde então passou a ter três carros (via JP II). Foi aí que parte dos Funcionários II já perdeu 3 carros radiais.

Os Funcionários II ao longo do fim dos anos 90 foi crescendo, assim como o Esplanada, Ernany e Costa e Silva, sem falar do Grotão. A demanda aumentava, mas a quantidade da frota da 101 ainda suportava um pouco. A partir daí, o ônibus normalmente já saía cheio do Grotão, ou, com poucas cadeiras disponíveis, coisa que duas paradas após o terminal nos Funcionários II já lotava. No início dos anos 2000 a linha 101 recebeu dois reforços, com a reformulação do sistema opcional, na qual a linha foi contemplada.

Já a grande localidade de Gramame foi loteado entre 97~98, recebendo o nome de Colinas do Sul, e só tinha a 113 cobrindo a área, mas na época a Boa Viagem criou a linha 116 com poucos carros. Como era uma localidade barata, muita gente que queria fugir do aluguel comprava o seu terreno e aos pouco ia fazendo sua casa. Nos anos 2000 a densidade demográfica no bairro estourou, ainda mais com a ampliação do loteamento batizado de Colinas II e o novo conjunto habitacional chamado de Gervásio Maia.

Nesse cenário de “explosão demográfica” a frota da 101 não aumentou, pelo contrário, foi retraindo, chegando ao ponto de contar só com 6 carros convencionais (seria 7, mas o barucau na época recolhia à tarde). Muita gente no Colinas saía do bairro pra pegar a 101, pois a quantidade de ônibus era maior, os veículos eram mais novos e o tempo de espera era inferior, além de ir sentado, daí justificando o “fetiche” pela 101. A linha 114 também retraiu, perdeu um carro, mesmo com o Funcionários IV crescendo e com um carro sendo desviado para atender um conjunto habitacional vizinho denominado Presidente Médici.

Em 2008 a antiga STTrans criou a linha 501 e ampliou a frota da 116, assim como a reativação da 103 que passou a partir do bairro, porém, o povo queria mesmo a 101 lá. Além dos testes realizados pela STTrans, unificando as linhas 116 com a 501 (5116 e 1516 – verdadeiro fracasso), a péssima qualidade da Boa Viagem contribuía bastante para o pão amassado pelo diabo ser a ceia diária dos moradores locais.

A partir de 2010 a situação passou a melhorar para o Colinas, com a Boa Viagem (atual Santa Maria) sob gestão do Grupo A Cândido e com a construção do Terminal de Integração do Colinas do Sul. A linha 114 teve o seu terminal transferido dos Funcionários II para o terminal supracitado. Para o Colinas, foi ótimo, mas para os usuários dos Funcionários III e IV, foi péssimo, pois a demora aumentou, os ônibus já chegavam lotados e a frota continuava a mesma, com cinco veículos. Alguns carros da 116 chegou a operar também nos Funcionários, mas atualmente não circulam mais.

Segundo o Censo de 2010, a população dos Funcionários girava em torno de 17.000 habitantes, a do João Paulo II e Costa e Silva, 10.000 cada, o Grotão, 6.000 e o Ernany Sátiro junto com o Esplanada, 9.000 habitantes. Já o Colinas do Sul na época ainda constava como sendo Gramame, tendo quase 7.000 habitantes. Durante esses cinco anos, em todos esses bairros a população cresceu, sobretudo no Colinas do Sul (incluindo o Colinas II, Gervásio Maia e a Irmã Dulce), e em todos esses bairros o processo de verticalização com edificações residenciais de até quatro andares está em curso. A demanda por transporte cresceu bastante, sobretudo no Colinas do Sul.

Uma linha mudar de itinerário ou um terminal mudar de local para acompanhar o processo de reordenamento espacial é natural, mas essa mudança tem que ocorrer com qualidade. Infelizmente não foi o que ocorreu com a linha 101, pois a Semob descobriu um santo para cobrir outro. As linhas 114 e 116 já tiveram o seu terminal transferido da integração do bairro para o Colinas II, para atender a nova demanda, e suas frotas não foram aumentadas e já chegam cheios na integração do bairro. A medida tomada pela Semob para resolver o problema foi atender a reivindicação do bairro, colocando a linha 101 para partir da integração do bairro, aumentando a oferta de nove veículos. Como ninguém gosta de andar em pé e desconfortável, ainda mais dentro de um trajeto longo até o centro, quem vem nas 114 e 116 nessas condições acaba descendo na integração e pegando a linha 101 vaga. O resultado é a 101 já chegar lotado no Grotão, lugar de onde a viagem começava, e chegar nos Funcionários II abarrotado de passageiro. Pior para os usuários do Ernany Sátiro e Costa e Silva que também dependem da linha. A qualidade e o conforto tão propagado pela AETC e pela Semob vão para o espaço, resumindo essas questões apenas na renovação da frota

Somando a população que temos nessa área da cidade (Colinas do Sul, Grotão, Funcionarios, João Paulo II, Esplanada, Ernany Sátiro e Costa e Silva, temos em média 60.000 habitantes, maior do que muita cidade paraibana. A frota das linhas radiais e semi-circulares 101, A101, 102, 103, 113, 114, 116, 5201, 2501 e das circulares que transitam nos bairros 1500, 5100, 1510 e 5110 são de aproximadamente 80 ônibus. Pode parecer muito veículo, a média e quantidade pode parecer na teoria satisfatório, mas na prática, na realidade é diferente, basta fazer uma visita e conferir in loco, ainda mais no horário de pico.

Um bairro como o Colinas do Sul, com a atual dinâmica de expansão residencial e aumento populacional em curto espaço de tempo precisa de uma linha expressiva para atender a demanda de deslocamento até o centro. Será que reforçar a linha 103 com uma quantidade satisfatória de veículo, reformulando o seu itinerário, fazendo com que ela pegue a BR-101 e o Acesso Oeste não seria uma saída? Assim a 101 poderia retornar ao seu antigo percurso, pois já tem uma demanda considerável. As linhas 114 e 116 poderiam ser unificadas e também reforçadas, além de terem seu itinerário reformulado. Uma linha integracional poderia ser criada, interligando o Colinas, Grotão e os Funcionários II. Enfim, soluções podem ser estudadas, para que um santo não possa ser descoberto para cobrir o outro.

Terminal de Integração do Varadouro: Como está, não pode ficar

Texto: Josivandro Avelar
Fotos: Paulo Rafael Viana/Kristofer Oliveira/Gilberto Costa Júnior/Thiago Martins de Souza/Josivandro Avelar

 

Na última semana um jornal de grande circulação divulgou que “O Terminal de Integração do Varadouro será desativado”. Num mundo onde a manchete vale mais do que uma notícia completa, essa notícia logicamente causaria uma certa incerteza em quem usa o equipamento todos os dias. Aqui gostaria de esclarecer o que querem fazer e porque isso deve ser feito, uma vez que no local onde está, o Terminal de Integração do Varadouro não tem mais para onde crescer, bem como já não suporta mais a demanda cada vez mais crescente do sistema de transporte público de João Pessoa.
 O TIV não vai ser desativado. Só vai mudar de lugar
E o terreno que fica ao lado do Terminal Rodoviário é o mais ideal possível para isso, tanto que o projeto do novo terminal é destinado a ficar nessa área. Se o Terminal Urbano foi construído para servir de ponto de ônibus para as pessoas que descem de lá para ir justamente para a Rodoviária, porque não ficar ainda mais fácil para elas se saírem do terminal urbano para o rodoviário sem atravessar a rua e ainda mais em segurança? Pois o atual TIV não permite isso.

As cabines de entrada e saída ficam numa calçada estreita, pura e simplesmente. Sem vazão para saídas nem tampouco filas para a entrada de passageiros. Fora o risco que o passageiro corre de ser assaltado ali, pois como todo mundo sabe, o terminal fica numa área delicada em termos de segurança pública. Quem passa do outro lado da grade sabe muito bem o receio que sente.

A incapacidade de lidar com a frequência dos ônibus
Outro problema do TIV que é causado pelo espaço limitado do terreno onde ele fica é esse: o de lidar com a frequência com a qual os ônibus passam.
O TIV possui 3 plataformas, e cada plataforma é dividida em 4 partes, e cada parte é distribuída para no máximo 4 linhas. Isso na teoria significa que o ônibus de uma linha deve parar exatamente onde lhe é determinado. Na prática, não é bem isso que acontece. Não por culpa do primeiro motorista que achou uma parada vazia. Não pela quantidade de passageiros que essa linha recebe, consumindo tempo que o ônibus fica parado na plataforma. Nada disso.

Vamos tomar como exemplo a parada destinada às linhas 601, 602, 603, 604, 2307 e 3207. Um ônibus da linha 601 chega no ponto, vai lá, abre a porta, os passageiros embarcam e desembarcam, ok. Só que no mesmo tempo, chega outro veículo, da linha 603. Faz a mesma coisa atrás desse carro do 601. Só que aí ele ocupa a parada que pertence as linhas 510, 511, 513 e 521. Chega um carro da linha 511. E o que acontece? Ele fica parado no meio da rua esperando um dos dois sair de lá. Atrás dele vem um 602 e fica também parado. Nenhum dos operadores dos ônibus das linhas 511 e 602 quer perder tempo. Ele faz o processo de embarque e desembarque no meio da pista mesmo. E quando um dos carros do 601 e 603 saírem de lá, depois de concluído o embarque, os dois que estão no meio da pista não podem mais esperar. Já tem que sair, pois também concluíram o embarque. Muitas vezes, elas terminam o embarque depois da saída dos ônibus que ocuparam as vagas, fazendo isso no meio da pista, submetendo os passageiros a riscos que certamente não são de atropelamento, pois nisso os motoristas de ônibus tem sido peritos em evitar maiores incidentes.

E acumule isso nas demais plataformas. O que temos é exatamente um congestionamento de ônibus. Tem carro que termina embarcando e desembarcando passageiro no meio da entrada do terminal. Os agentes da Semob controlam isso, mas sabem que isso na prática é impossível, uma vez que o carro fica parado por um bom tempo, e o passageiro tem pressa. Não é culpa do motorista que pára no meio da pista. Não é culpa do agente que tenta controlar. Eles não podem fazer milagre numa estrutura limitada como aquela.
E você já viu um terminal onde embarques e desembarques acontecem em plena pista? Pelo visto, só o Terminal de Integração consegue essa proeza. Nem os terminais de bairro de João Pessoa conseguem isso.
A estrutura limita até as manobras
Quem é motorista de ônibus sabe da dificuldade de fazer manobras no TIV. Não basta a organização falha, a impaciência de esperar o próximo carro sair da parada para ele passar, enfim, situações que são alheias a sua vontade.

Não bastasse a estrutura limitada do terminal, a saída dos veículos do TIV é a mais bizarra possível. Todos os veículos sem exceção entram por uma entrada ampla, ok. Mas esse esforço vai para o espaço na saída, que é estreita e tem curvas muito fechadas. E não é só isso. Os ônibus das plataformas da esquerda e do meio do TIV tem que ficar parados à espera de quem for sair da plataforma da direita. O caso da plataforma esquerda é pior, já que ainda tem os que vão sair do meio.
E para veículos de grande porte isso é pior. O Terminal de Integração recebe ônibus articulados, que manobram com considerável dificuldade no local, além da própria questão da ocupação de espaço, que é de dois ônibus. E com a crescente necessidade de se investir em ônibus de maior capacidade em João Pessoa, é público e notório que a estrutura não consegue comportar mais do que os cinco ônibus articulados das linhas que passam na Integração. E ainda tentaram arremedar: cada linha que possui num articulado pára numa plataforma, que não recebe mais que dois ônibus articulados cada uma. E se receberem mais no futuro, como é que fica?
Pequeno até para quem dele depende
O Terminal de Integração quando foi inaugurado, deveria ter o máximo espaço possível para vazão de passageiros e áreas de suporte, ou seja, onde ficam comerciantes, Semob, Polícia… Mas num local apertado como aquele, nem sempre dá para ter todo o suporte assistencial à disposição.
Os boxes dos comerciantes são extremamente apertados e ficam jogados mais para trás, ou seja, você não encontra um box a cada 100 metros. Todos são concentrados. É ruim até para o comerciante trabalhar. Nota-se que os comércios cresceram no tamanho da vontade dos comerciantes, porque em espaço físico eles são exatamente os mesmos.

A Polícia Militar possui um posto avançado no local, bem como a Guarda Municipal, que ocupa uma verdadeira caixa de fósforos ao lado desse posto policial. Há um posto de recargas dos cartões eletrônicos da AETC-JP. O local é muito procurado – afinal tendo um posto ali, quem vai para o do Terminal Rodoviário? – e isso acarreta em filas. E filas acarretam em mais perda de espaço no já limitado Terminal de Integração do Varadouro.
Nem os próprios seguranças do terminal e nem os fiscais da Semob possuem estrutura para trabalhar do lado de fora do Terminal. Tudo se resume em cadeiras de escritório que eles colocam por lá mesmo.
Falta de vazão para quem entra do lado de fora
A única entrada e saída do Terminal de Integração do Varadouro fica numa calçada estreita. Isso já mencionamos. Só esqueci de avisar que aquela é a única porta de entrada e saída do TIV.
A porta de saída foi transferida para próximo da faixa de pedestres do Terminal Rodoviário, numa forma de amenizar esses problemas. Mas as oito catracas de entrada ficam na calçada. Isso acarreta em filas num espaço que já não é amplo. Fazer fila significa bloquear a passagem dos pedestres. E ainda dividem espaço com ambulantes e alternativos chamando passageiros. Isso, é claro, quando o passageiro não é assaltado no local – e isso é uma coisa rotineira naquela calçada.
Imagine então para quem entra e sai do TIV carregado com malas de viagem? Pois já vi isso muito por lá.
A mudança é necessária
Já existe um projeto para a transferência do Terminal de Integração do Varadouro para uma área que, além de ampla, permite ainda ao passageiro de Bayeux, Cabedelo e Santa Rita usufruir desse equipamento. É lógico que os moradores dessas cidades desejam que as linhas de ônibus que os atendem tenham o mesmo direito que o morador de João Pessoa. A mudança de estrutura do Terminal de Integração vai permitir exatamente isso.

Permite ainda a ampliação do espaço de todos: ambulantes, Polícia, Semob, AETC. Um melhor aproveitamento do espaço subutilizado do Terminal Rodoviário, oferecendo comodidade a quem sai do Terminal para ir para a Rodoviária.

Permite ainda uma melhor vazão de saída e espaço para os ônibus independente de seu tamanho. Com a transferência do terminal, há espaço para uma pista de saída mais ampla desses ônibus.
Pode não ser a solução de todos os problemas de vazão de demanda do TIV, mas é o único modo do TIV crescer. Se formos acomodados como temos sido, a bomba uma hora vai explodir.

A mudança de local do TIV é necessária e precisa ser encarada sem receios. João Pessoa sozinha está chegando perto de 1 milhão de habitantes e precisa de um terminal central maior, mais amplo e estrategicamente localizado, como bem localizado é o Terminal Rodoviário da Capital. Melhor para os moradores, melhor para quem chega da Rodoviária, melhor para quem dele depende.
E é preciso ter pensamento de cidade grande nesse momento. Do jeito que está, não pode ficar.