Consórcio Santa Cruz é o segundo a entrar com pedido de recuperação judicial em menos de 15 dias no Rio de Janeiro

Por Extra
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JC Barboza

O Consórcio Santa Cruz, que atende a Zona Oeste do Rio e é responsável pelo transporte de 19% dos passageiros de ônibus da cidade, é o segundo a entrar em recuperação judicial em menos de 15 dias. O pedido foi deferido na tarde desta terça-feira, pela 1ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio. No começo do mês, foi a vez do Intersul. Nove das 29 empresas de ônibus que atuam na cidade estão na mesma situação.

Entre as alegações do consórcio estão o congelamento da tarifa há quase três anos, a queda de passageiros provocada pela pandemia, que chegou a 50%, e ainda não se recuperou e o acúmulo de ações trabalhistas deixadas pelas empresas que fecharam e somam mais de R$ 100 milhões. O consórcio alega também que é o mais prejudicado pela concorrência desleal do transporte clandestino feito por vans, que já ocupa metade do mercado.

A crise financeira levou ao fechamento de cinco empresas do mesmo consórcio (Andorinha, Top Rio, Algarve, Rio Rotas e Bangu). Das seis que ainda seguem em operação, três estão em regime de recuperação judicial (Campo Grande, Pégaso e Palmares).

— A Zona Oeste vive diariamente as consequências da desestruturação da mobilidade urbana, potencializada com a pandemia. Como se sabe, o avanço do transporte irregular tem gerado concorrência predatória, com reflexos devastadores às empresas, bem como aos passageiros. Temos confiança no planejamento que vem sendo adotado pela Prefeitura, porém, nos preocupa a velocidade deste trabalho, tendo em vista o crescente estrangulamento financeiro do setor. A Recuperação Judicial tem sido o último recurso das empresas para não fecharem definitivamente suas portas — alegou Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus.

Segundo Valente, a medida judicial é a forma encontrada para, pelo menos, manter o serviço, sem prejudicar os passageiros das 50 linhas atendidas pelo consórcio. Dados do RioÔnibus apontam que desde março de 2020, as empresas acumulam déficit financeiro de R$1,9 bilhão. A crise já levou ao fechamento de 16 empresas, além da demissão de 21 mil rodoviários.

— (O pedido de recuperação judicial) é uma tentativa de ganhar tempo para ordenar a casa, mas para sairmos da crise contamos com as ações da prefeitura — cobrou Valente, que reconheceu que algumas medidas estão sendo adotadas, como o novo sistema de bilhetagem que vai ser licitado, mas argumenta que as necessidades do setor são urgentes.

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