O Diplomata 11.000

Por Ônibus Paraibanos com informações de Lexicar
Imagem Museu digital Nielson Diplomata


Antecessora da Busscar, a firma Nielson & Irmão começou a operar em 1946 como oficina de marcenaria. Criada por Augusto Bruno Nielson e seu irmão Eugenio com o objetivo de fabricar móveis, portas, janelas e esquadrias de madeira, por vários anos funcionou em um galpão no fundo de sua residência, no centro de Joinville (SC). Em 1947, pela primeira vez reformou uma carroceria de ônibus, dois anos depois fabricando o primeiro veículo de sua própria concepção, um ônibus para uso urbano construída em madeira sobre um caminhão Chevrolet Gigante 1946 a gasolina.

Em 1961, dois anos depois de ter-se tornado diretor-superintendente da empresa, Harold Nielson, filho mais velho de Augusto Bruno, inscreveu o seu nome na história do ônibus brasileiro ao lançar o modelo rodoviário Diplomata, com teto em dois níveis, que marcaria o estilo da Nielson pelas duas décadas seguintes. Embora não tenha sido o primeiro produto nacional do tipo (anos antes a Cermava já havia apresentado o seu), o Diplomata tinha um detalhe inédito, só encontrado nos ônibus Flxible norte-americanos então operados pelo Expresso Brasileiro na rota Rio-São Paulo: a grade de largos perfis de alumínio adornando a traseira e encobrindo os para-brisas e as últimas janelas laterais. O interior, equipado com o que havia de mais atualizado na época, tinha poltronas reclináveis, compartimento isolado para o motorista e banheiro. O revestimento externo trazia chapas frisadas de alumínio anodisado e, na borda das saias, grosso perfil no mesmo material. Foi o primeiro modelo da marca com colunas inclinadas.

O estilo um tanto pesado dos primeiros exemplares foi logo corrigido, tornando o Diplomata – especialmente na versão montada sobre chassi Scania – um clássico brasileiro. Este lançamento definiu a vocação da Nielson como fabricante de carrocerias rodoviárias, elevando-a ao patamar de fornecedora de prestígio de âmbito nacional. Em função do grande sucesso do modelo, a empresa abandonaria a fabricação de carrocerias de caminhões e camionetas, ainda então produtos importantes no seu portfólio, mudando a razão social para Nielson & Cia..

Aos poucos o rodoviário foi sendo aprimorado em estilo e acabamento. Comprovando sua vocação para vestir chassis mais pesados, em 1964 foi lançada a versão para FNM e dois anos depois, no V Salão do Automóvel, a mais bela de todas, sobre chassi Scania, ocasião em que finalmente a empresa pode deixar patente a qualidade técnica e o cuidado na apresentação dos seus produtos. Para o VI Salão, em 1968, a carroceria foi mostrada sobre chassi Magirus-Deutz com balanço dianteiro reduzido, trazendo interessantes soluções de conforto e lay-out: alojamento para motorista auxiliar sobre o motor traseiro, tampas de ventilação no teto, poltronas estofadas com veludo sintético, cintos de segurança, sistema de som, geladeira e dispositivo para garrafas térmicas, janelas de emergência basculantes. Houve diversas alterações estéticas com relação ao modelo anterior: nova grade, faróis retangulares, teto com menor curvatura, para-brisas mais amplos, vasto uso de fibra de vidro e acionamentos aprimorado para as novas poltronas.

Em 1969 o estilo do Diplomata Magirus foi retocado, principalmente na dianteira, que teve a grade ampliada em altura e ganhou quatro faróis retangulares. Embora viesse concentrando o interesse no mercado rodoviário de longa distância, setor onde era cada vez mais requisitada, a Nielson não deixou de produzir versões mais “plebéias”, com teto em um nível para chassis Mercedes-Benz LP, decididamente desinteressantes.

A linha Diplomata foi drasticamente modificada em 1970, tornando-se muito mais elegante, uma vez mais se destacando quando montada sobre mecânica Scania. O aspecto de leveza da carroceria foi acentuado pelos para-brisas e janelas laterais muito inclinados, pela esbeltez das colunas e pelo histórico teto em dois níveis, agora mais plano, que seria mantido como “marca registrada” da Nielson até a metade da década seguinte. O modelo ganhou novas poltronas e o uso de fibra de vidro foi generalizado (capô do motor, caixas dos faróis, extremidades do teto, painel e toalete). A parte superior da grade passou a ser basculante, facilitando o acesso aos órgãos de manutenção corrente; opcionalmente podia ser abolido a para-brisa traseiro. No final de 1972 o modelo passou por outra renovação: nova grade, reposicionamento das lanternas, nova caixa dos faróis e, o mais inesperado, adoçamento do desnível do teto, mais sutil e menos distante da extremidade dianteira.

Apesar do prestígio dos ônibus Diplomata junto às empresas de transporte de longa distância, a Nielson permanecia uma empresa de pequeno porte e reduzida produção – somente 136 ônibus em 1971, correspondendo a 2,5% do total do setor. A empresa, porém, não descuidava do mercado, e sem audácias e riscos financeiros imprimia aos seus negócios um ritmo de investimentos próprio, quase conservador, que lhe permitiu galhardamente atravessar a profunda crise de mercado do início da década de 70 e crescer, sem qualquer descontinuidade, pelos dez anos seguintes. Em 1981 ultrapassaria a barreira das mil unidades/ano, alcançando 9,5% da produção nacional.

Assim, a carroceria Diplomata continuou recebendo intervenções periódicas, sem rompimentos estéticos ou conceituais, mas pausada e cautelosamente, à moda da administração Nielson. Em 1974 a grade foi mais uma vez mudada; moldada em fibra de vidro, assumiu novo formato, com largas barras verticais e faróis duplos alojados na vertical. Dois anos depois (quando a razão social foi mais uma vez alterada, agora para Carrocerias Nielson S.A.) as intervenções foram mais profundas, embora o modelo ainda preservasse as janelas laterais inclinadas, moda que já caía em desuso. Dianteira e traseira ganharam linhas verticais, recebeu amplos para-brisas panorâmicos, a primeira janela perdeu o formato de trapézio e o desnível no teto passou a ser obtido por três pequenos degraus (e mais três, na traseira, nos veículos equipados com ar condicionado); a grade era a mesma do modelo anterior. Muito bem acabado, podia receber bar e som ambiente. Em 1977 os para-brisas aumentaram de altura, e por trás deles, dentro do salão, foi alojada a caixa de itinerário.

A empresa não se furtava a preparar versões especiais em atenção a pedidos de clientes também “especiais”, tradicionais compradores como a Viação Garcia, de Londrina (PR), para a qual construiu ônibus com seis faróis e rodoviários articulados para 60 passageiros. Montados sobre chassis Scania (BR-116 e B-111), ambos modelos acabaram por ser introduzidos no catálogo da empresa.

A etapa seguinte de modernização de seus carros compreendeu a eliminação das colunas inclinadas. Iniciada com o rodoviário articulado de 1977 foi completada na linha 1981, ano em que todas as carrocerias vieram com janelas verticais. A única alteração estética relevante ocorreu na versão sobre chassi Scania BR-116, de motor traseiro, que passou a trazer seis faróis montados no para-choque e falsa grade ocupando toda a extensão da dianteira. Em 1982, em resposta ao lançamento do Tribus, ônibus com 3º eixo da Itapemirim, a Nielson desenvolveu seu próprio sistema, totalmente pneumático e montado sobre mancais de borracha, homologado pelo CDI em setembro daquele ano. Projetado para os chassis Scania BR-116 e B-111, permitiu construir carrocerias com até 13,2 m de comprimento e volumosos bagageiros com um metro de altura e 13 m³. Ao novo ônibus daí derivado a Nielson deu o nome de Diplomata Super. Naquela altura a Volvo já iniciara a produção no Brasil e muitos Diplomata foram equipados com os chassis de motor sob o piso e dois ou três eixos da marca sueca (que na Volvo vinham montados de fábrica), no último caso obtendo-se o maior rodoviário do país, com 14,8 m, 62 lugares e 12 m³ de bagageiro.

A seguir a empresa se dedicou a aumentar o espaço interno dos veículos, logrando ampliá-lo 10 cm em largura, passando a denominá-los 2.60 – nomenclatura logo abandonada, aliás. Com seu lançamento, em 1983, foram finalmente abolidos os “degraus” do teto, substituídos por uma inclinação contínua. Em junho de 1984, numa rápida resposta à Marcopolo, que acabara de lançar o Paradiso, a Nielson apresentou seu primeiro rodoviário high-deck, o Diplomata 380 para chassis Scania e Volvo de três eixos. O modelo, que teve as primeiras unidades vendidas para os países vizinhos, atingia 13,2 m de comprimento e 3,9 m de altura, com bagageiros de 15 ou 16,6 m³ (Scania e Volvo, respectivamente). Com acabamento esmerado, tinha porta de entrada e tampas dos bagageiros de acionamento pantográfico e vidros verdes ou fumê. No início do ano seguinte a linha foi completada pelos modelos 310, 330 e 350, referência aproximada à altura da carroceria; todos eles ganharam nova grade falsa, para-choques com seis faróis e caixa de itinerários instalada por trás dos para-brisas. Para fechar este período de tantas novidades, a empresa disponibilizou o 3º eixo com suspensão pneumática para os rústicos chassis Mercedes-Benz OF.

Em 1986, quando a encarroçadora completava 40 anos, a Nielson comercializou o Diplotama de número 11.000. O modelo 350, montado sobre o chassi K112 CL da Scania, foi vendido para a Cia. São Geraldo de Viação que o numerou com prefixo 9161.

Aliás, a São Geraldo, que foi uma das principais empresas nacionais até sucumbir em 2015 após ser adquirida pelo Grupo Gontijo, foi uma das maiores clientes da encarroçadora catarinense.

A empresa mineira teve modelos do Diplomata montados sobre os chassi das montadoras Volvo, Scania e Mercedes-Benz

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