Mário Tourinho: Sortudas as cidades cujos prefeitos priorizam o “coletivo”

Por Mário Tourinho
Imagens
Rodrigo Gomes

“É o óbvio” – alguém dirá!

Mas, em um Brasil tomando conhecimento de que há gestores púbicos buscando vantagens pessoais até nos procedimentos para aquisição de equipamentos e/ou medicamentos para o combate à pandemia da covid-19… Sei não!… Todos temos que muito valorizar e aplaudir os tantos (e sei que não são poucos) que realmente estão e agem comprometidos com o bem da comunidade! E este “querer o melhor para a comunidade”, caracterizado, por exemplo – como ocorre em João Pessoa – até no “slogan” CIDADE QUE CUIDA, este “querer” abrange o “coletivo” em sua mais ampla dimensão de prestação de serviço (saúde, principalmente), incluindo, com igual intensidade, o de transporte coletivo porquanto este setor tem, indubitavelmente, caráter essencial e é mesmo indispensável para o ir e vir da população 24 horas por dia, todos os dias!

Cabe, pois, a cada prefeito tratar o transporte coletivo (urbano) sem preconceitos nem prevenções contra o setor empresarial que o opere, devendo evitar, também, o viciado jargão de querer passar a imagem de que é contra os empresários (simplesmente para mostrar-se “contra”) e que deles exigirá serviço de qualidade, mesmo sem o oferecimento das condições mínimas, próprias de suas responsabilidades oficiais, a exemplo de “bancar” (subsidiar) os reais valores das gratuidades a merecedores segmentos sociais e abatimentos para estudantes,  acarretando a oneração da tarifa para os demais passageiros ou, não o fazendo, levando as empresas aos déficits que, Brasil afora, têm acarretado fechamentos de empresas (e desempregos), obviamente também em prejuízo à economia e às receitas sustentadoras das próprias prefeituras!

Desde 2017 que o setor de transporte coletivo urbano, no Brasil, está sob séria crise econômico-financeira. A queda no número de passageiros transportados (os que pagam o serviço) tem acontecido de forma preocupante, embora uma das causas seja bem conhecida e que corresponde aos congestionamentos do trânsito. Linhas de ônibus em que antes cada um de seus veículos realizava cerca de 10 viagens/dia, hoje, face aos congestionamentos, mal conseguem fazer 5 ou 6 viagens. Nem mesmo este fato de consequenciar aumento da frota e aumento dos custos operacionais, nem isto tem levado alguns prefeitos à consciência, e ao dever, de contribuir para a sustentabilidade e disponibilidade do transporte coletivo urbano com tarifa adequada para a população. Raras as cidades que assim têm agido, a exemplo de São Paulo, cuja tarifa técnica, calculada pela própria Prefeitura em R$7,65, é cobrada aos passageiros apenas em R$ 4,40. Quer dizer: há uma diferença de R$ 3,25 subsidiada pela Prefeitura e também pelo Governo do Estado, seja diretamente com verba no respectivo orçamento, seja pela isenção do ISS e, no caso do Governo do Estado, isenção do ICMS incidente no valor do óleo diesel utilizado pelos ônibus do transporte coletivo.

Prioridade pelo “coletivo” é assim!

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