Suspeitos de organizar viagens religiosas para carregar drogas responderão por três crimes em MS

Por G1
Imagem Divulgação

As 9 pessoas presas na operação “Viagem Santa”, da Polícia Federal (PF), deflagrada nesta quinta-feira (21) irão responder por tráfico interestadual de drogas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A Operação investiga o grupo por supostamente ter usado o pretexto de utilizar viagens religiosas para traficar drogas de Mato Grosso do Sul para São Paulo, em Aparecida do Norte.

De acordo com o delegado Leonardo Nogueira Rafaini, uma denúncia anônima levou a polícia a localizar os ônibus onde estavam escondidos o carregamento de drogas. Ele afirmou que a maioria dos passageiros e romeiros que iam até Aparecida não tinha conhecimento do uso do grupo criminoso das viagens.

O delegado ainda apontou que as investigações mostraram que os criminosos constituíram empresas. “A ideia deles era para registrar os veículos em nome da empresa e também para lavar os valores obtidos ilicitamente com as drogas”, afirmou, à TV Morena.

Rafaini ainda disse que as próximas investigações irão analisar os materiais apreendidos e, havendo indícios da participação de outras pessoas ou da realização de outros delitos, as diligências seguirão no caso.

Além dos 9 mandados de prisão temporária, outros 14 mandados de busca e apreensão nas cidades de Deodápolis e Dourados, na região sul do estado, foram cumpridos. Os 86 agentes que atuaram na operação ainda cumpriram 44 ordens judiciais da 2ª Vara Criminal de Dourados, entre eles ordem de sequestro e bloqueio de mais de R$ 10 milhões em bens móveis, imóveis da organização criminosa e de valores depositados em contas bancárias dos investigados, além de 12 ônibus avaliados em mais de R$ 11 milhões.

A operação teve início em 2019, após a PF, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreender mais de meia tonelada de cocaína escondida em um ônibus de turismo. Ao longo das investigações, houve mais duas apreensões com quase 400 kg de maconha, também em veículos de transporte de passageiros, todos com destino a cidade de São Paulo (SP).

Conforme a investigação, todas as empresas envolvidas nas apreensões são de Dourados e, na ocasião da apreensão, apenas os motoristas de tais veículos foram responsabilizados pelo transporte da droga. No entanto, a entrega do ilícito ocorria na capital paulista.

Os policiais também apuraram que a organização criminosa montou uma rede de empresas de fachada, para lavar o dinheiro do tráfico de drogas, além de empresas de transporte de passageiros, cujos veículos eram utilizados para transportar a droga. O núcleo organizacional da empresa era dividido na logística do carregamento e transporte da droga, agenciamento das viagens e recrutamento dos passageiros e a lavagem de dinheiro.

Para não chamar a atenção das autoridades, os empresários do esquema criaram uma história, em que o passageiro dizia estar “pagando uma promessa” e por isso tinha a viagem financiada até a cidade de Aparecida (SP), tendo pagas todas as despesas de transporte, alimentação e hospedagem.

No entanto, todos os custos da viagem eram bancados com o lucro da venda da droga que era transportada nos ônibus do grupo criminoso e por isso a operação levou o nome “Viagem Santa”.

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