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Finadas empresas paraibanas: rodoviárias

Por Ônibus Paraibanos
Imagens Acervo Ônibus Paraibanos

Pela tradição da Igreja Católica, neste domingo, 1º de novembro, é comemorado o Dia de Todos os Santos, quando se reza por aqueles que morreram em estado de graça, com os pecados perdoados. O dia seguinte foi considerado o mais apropriado para fazer orações por todos os demais falecidos, que precisam de ajuda para serem aceitos no céu.  É por isso que no dia 2 de novembro se celebra o dia de Finados.

E neste dia de finados, vamos relembrar as empresas paraibanas rodoviárias “finadas” ao longo do tempo. Muitas delas faliram, outras incorporadas por outras foram incorporadas e algumas simplesmente sumiram do mapa.

Listamos apenas as empresas que operavam linhas regulares, sejam elas intermunicipais ou interestaduais.

Empresa Rodoviária Bela Vista

Uma das mais antigas empresas rodoviárias paraibanas, começou a sucumbir a exatos dois anos, quando em novembro de 2018, uma Resolução de nº 39/2018 do DER-PB determinou a suspensão de quatro das cinco linhas de transporte rodoviário intermunicipal de passageiros, exploradas comercialmente pela Bela Vista, na região do Brejo paraibano, em caráter provisório, e transferidas nas mesmas condições para as empresas Rio Tinto e São José, que já operavam normalmente na região.

Nove dias depois, um ônibus da empresa pegou fogo na Serra de Areia e prejudicou ainda mais o operacional da empresa que tinha seis meses para se reestruturar, sob pena de perder as linhas definitivamente ou ter a sua concessão cassada.

A reestruturação não aconteceu e 30 dias depois, a empresa perdeu a última linha que lhe restou.

Transportes Nordeste – Transnorte

A empresa surgiu após a cisão dos sócios que controlavam a Transparaíba. Assim Fernando Melo, um dos sócios retirou-se da sociedade e por direito, herdou 12 carros, curiosamente todos com motor dianteiro sendo Viaggios, El Buss 340 e um Diplomata 310 sendo este o único com chassi MBB e os demais Scania.

As linhas herdadas foram João Pessoa x Pilar; João Pessoa x Umbuzeiro e a João Pessoa x Itabaiana e assim se formou a Transnorte. Entre 1997 a 1999, a Transnorte cresceu consideravelmente com a renovação total da frota e com criação de novas linhas como João Pessoa x Jacaraú e João Pessoa x Serra da Raiz. Depois disto, a empresa parou no tempo e em janeiro de 2014 ela foi vendida para a Jonas Turismo.

Em 2020, só restam carros agregados operando as linhas da empresa e em outubro de 2020, a Viação Rio Tinto assume a grande maioria de suas linhas e assim a Transnorte sai de cena do intermunicipal paraibano.

Transportes Boa Viagem

A empresa iniciou suas operações rodoviárias com em suas linhas para as cidades do litoral sul paraibano. Com a falência da Expresso Guarabirense em 2006, a empresa assumiu as principais linhas da empresa.

Com a venda da Boa Viagem pro Grupo A. Cândido em dezembro de 2009, as linhas do brejo foram repassadas para a Rio Tinto um mês depois.

Empresa Viação Bonfim

Fundada em 1940, a Empresa Viação Bonfim foi responsável por várias ligações a partir da Paraíba para outros estados, como até mesmo o Rio de Janeiro.

Até o início dos anos 70, a Bonfim tinha cinqüenta ônibus na sua frota, 100% Mercedes-Benz e um quadro com cerca de 160 funcionários. Tinha agência própria em João Pessoa, Campina Grande, Natal e Recife.

Até então, nos primeiros anos da década de 70 tinha a concessão das linhas:

  • João Pessoa x Recife (Operada desde 1948 pela empresa e apenas essa desde 1979);
  • João Pessoa x Natal (Negociada com a Viação Nordeste);
  • João Pessoa x Rio de Janeiro (Negociada com a Itapemirim);
  • João Pessoa x Goiana/PE (Repassada a Viação Boa Vista);
  • João Pessoa x Cajazeiras (Repassada a Viação Gaivota);
  • João Pessoa x Patos (Repassada a Viação Gaivota ou negociada com a Viação Patoense, a verificar) ;
  • João Pessoa x Campina Grande (Negociada com a Real da Família Brito);
  • João Pessoa x Brejo Paraibano (Negociada com a Família Azevedo (Bela Vista) e possivelmente a Família Amorim da Guarabirense);
  • Recife x Natal (Negociada com a Viação Nordeste);
  • Campina Grande x Recife (Possivelmente negociada com a Progresso);
  • Campina Grande x Natal (Negociada com a Nordeste);
  • Guarabira x Recife (Negociada em 1979 com a Itapemirim);

Até a primeira parte dos anos 70 boa parte de suas linhas foi negociada, ocasionada por problemas de ordem familiar e, consequentemente, administrativa. Em 1975, a empresa teve 50% de redução da sua frota, ficando com apenas 25 carros para as duas únicas linhas: João Pessoa x Recife e Guarabira x Recife. De todas as suas linhas citadas acima, a João Pessoa x Recife era a mais rentável, uma vez que em Recife tinha de tudo que o pessoense necessitava, além das mercadorias serem mais baratas. Em 1979, ela negocia a linha Guarabira x Recife para a Itapemirim, passando a operar apenas uma linha, além de operar, também, no fretamento para turismo.

A única linha empresa foi adquirida pelo Grupo Vega do empresário Chiquinho Feitosa, e deu origem a Viação Total. E em 2015, após 75 a marca Bonfim deixa as estradas.

Expresso Paraibano

A maioria das pessoas que conheceram a Expresso Paraibano sabiam que a empresa operava sua única linha, a João Pessoa X Nova Cruz. Porém, a empresa operou muito mais linhas do que a linha que a acompanhou até o encerramento das atividades da empresa em 2014.

A Expresso Paraibano surgiu entre as décadas de 40 e 50, na cidade de Guarabira-PB, sendo fundada por Gustavo Amorim da Costa que era também parente dos donos do Expresso Guarabirense. Chegou a ser uma das maiores empresas de ônibus da Paraíba, constituindo linhas diárias e importantes de Guarabira para João Pessoa, Nova Cruz-RN, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, chegando a concorrer com empresas importantes como Bonfim, Real e Nacional.

Em 1975 a Paraibano operava as seguintes linhas:

João Pessoa X Guarabira
Araruna X João Pessoa
Belém X João Pessoa
Caiçara X João Pessoa
Boqueirão X João Pessoa
Guarabira X Recife

Na época, para operar essas linhas, a empresa adquiriu várias unidades do Ciferal Líder com chassi Scania junto a Cometa, aonde eram chamados de Turbo Jumbo.

Ainda nos anos 70, a Expresso Paraibano vende suas linhas João Pessoa X Rio de Janeiro e Guarabira X Rio de Janeiro a Viação Itapemirim. No entanto, com a morte de Gustavo a Paraibano fica nas mãos de viúva e filhos e com o passar do tempo, a empresa começa a passar por crise financeira ao longo dos anos 80 e 90, chegando a alugar ônibus para suprir horários e com uma frota bem deteriorada.

São Francisco

Após quase 40 anos operando as linhas entre João Pessoa e as cidades de Pedras de Fogo e Juripiranga, a empresa perde a concessão das linhas em 2013 e suas linhas passam a ser operadas pela Transnorte.

Viação Planalto de Campina Grande

A origem da empresa Planalto, remonta entre as décadas de 50 e 60 e foi uma das pioneiras no transporte de passageiros para outras regiões do país. Primeiramente, a empresa fez linha para o Rio de Janeiro e com o advento da nova capital Brasília, uma região até então desconhecida a Planalto começa a atuar nessa região promissora onde muitos nordestinos migravam para aquela região a procura de emprego, sendo portanto um setor bastante rentável.

As linhas da empresa especificariam somente a capital federal, saindo dos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. A linha para o Rio saindo de Campina Grande, ficou com a Itapemirim. Em 1995 a empresa constrói a sua nova sede próximo a rodoviária nova de Campina Grande e em 1996, muda sua pintura que era essa da foto, para aquela das bandeirinhas que perdurou até os últimos dias da empresa. Em 1997 a Planalto é arrendada a Real Expresso do Distrito Federal até sua venda.

Essa sociedade vem desde o final da década de 90, quando o grupo Real Expresso arrendou a Planalto em um período de tempo, com o compromisso de renovar toda a frota que por sinal estava velha, por uma nova. Realmente a frota foi toda mudada e os carros comprados 0 km. Mais houve uma briga na justiça entre o dono da Viação Planalto, o Sr. Raminho com os seus sócios da Planalto, que são donos da Real Expresso do Distrito Federal. Raminho queria 100% da empresa novamente em suas mãos, pois a empresa estava meio à meio entre os dois sócios.

Em 2009 a empresa é adquirida pela Guanabara e na nova gestão, a maioria das linhas que eram da Planalto são desativadas, encerrando melancolicamente a história de uma das mais tradicionais empresas de ônibus paraibanas.

Empresa Viação Boa Vista e Viação Luso Brasileiro

Nos anos 70, a Viação Luso-Brasileiro, mais conhecida como Canarinho, foi adquirido junto a família Azevedo. Essa empresa operava linhas para cidades do litoral sul paraibano.

Após a aquisição, o nome foi modificado para Viação Boa Vista e foi administrada por um dos filhos do Severino Camelo. Além de operar para o litoral sul paraibano, a Boa Vista passou a operar para Goiana e Recife. A empresa foi vendida para a Progresso e passou um tempo sendo operada pela Viação Cruzeiro, empresa do mesmo grupo, mas retornou a ser Boa Vista. Encerrou suas atividades em meados de 2001 e passou a operar no turismo em Salvador.

Empresa de Transporte Expresso Brasileiro Rio Tinto

Empresa que operava linhas no Litoral Sul e Norte paraibanos e que foi adquirida pela Viação Rio Tinto. Não foram achadas fotos da empresa.

Expresso Guarabirense

A empresa que foi fundada no anos 60 na cidade de Guarabira, no brejo paraibano, chegou a ter 28 linhas e 44 ônibus em sua frota, porém com a concorrência predatória do transporte clandestino e com a morte, em 1992, do seu fundador, a empresa começa a declinar em meados dos anos 90, chegando ao seu fim no ano de 2006.

Viação Rio Doce

Em 15 de junho de 2013 a Pontual Transporte assumiu as linhas intermunicipais que a empresa operava para os municípios de Cabaceiras e Boqueirão. Parte da frota da Rio Doce também foi para a Pontual.

Viação Mororó

A Viação Mororó foi uma pequena empresa de ônibus que atuava na operação do transporte intermunicipal de passageiros, principalmente na ligação entre Campina Grande e Mororó, distrito do município de Barra de Santana, que se encontra na região metropolitana de Campina Grande. Além da operação da linha regular, a empresa também atuava no turismo.

Desde 2014 a empresa não existe mais, assim como a sua única linha.

Empresa Viação IPALMA

A Empresa Viação IPALMA foi uma empresa patoense (Patos – PB) que liderou, na década de 1960, as linhas intermunicipais que ligavam o sertão ao litoral, sendo que detinha, também, a concessão de uma linha interestadual.

No final dos anos 1960, todas as linhas da IPALMA foram vendidas à Patoense, também da cidade sertaneja, que praticamente monopolizou os transportes entre o sertão e o litoral. A empresa Batalhão encerrou as atividades nos anos 1970, tendo vendido a linha Princesa Isabel – João Pessoa à Expresso Nacional.

As principais linhas da IPALMA foram:

Intermunicipais:

João Pessoa – Conceição

Patos – João Pessoa

Patos – Campina Grande, via Salgadinho

Patos – Itaporanga, via Olho D’água

Interestadual:

Patos – Garanhuns (PE)

Viação Andorinha

Resumindo a história da Viação Andorinha, a empresa surge em 1958 sendo a  pioneira na linha com itinerário registrado no DER-PB (na década de cinquenta) de Cajazeiras a Campina Grande, estendendo-se mais tarde até João Pessoa e Recife, e na proporção que desenvolvia seu plano de expansão ia também interligando Cajazeiras, Campina Grande e João Pessoa com novas linhas, a várias outras cidades paraibanas, como: Sousa, Patos, Pombal, Triunfo, Brejo das Freiras, Uiraúna, Conceição, São José de Piranhas e Bonito de Santa Fé. Nos anos 60 e 70, a Viação Andorinha passa a ser uma das principais empresas de ônibus do estado, fazendo concorrência com as Viações Gaivota e Patoense.

A Andorinha foi vendida para a recém-criada Transparaíba em 1982, com suas linhas bem como seus carros.

Empresa Viação Batalhão

A Empresa Viação Batalhão operava linhas a partir de Campina Grande para municípios do cariri paraibano como Monteiro, Sumé, Prata, Taperoá e Umbuzeiro.

Encerrou suas atividades nos anos 70 quando foi vendida para as empresas Patoense e Nacional. De suas antigas linhas, só sobraram a de Monteiro, que passou pela Patoense, TransParaíba e nos anos 90 foi repassada para a Realbus e a de Taperoá com a Nacional.

Transparaíba

Foi uma das principais empresas intermuncipais paraibanas e nasceu em 1982 ligando João Pessoa a vários destinos no interior do estado, principalmente no sertão paraibano.

A empresa foi adquirida em 1995 pelo empresário paraense Jacob Barata e foi absorvida pela Expresso Guanabara, que na época, com três anos de existência, estava em franca expansão.

Viação Gaivota

No dia 19 de agosto de 1954, a Viação Gaivota foi fundada, e nos anos 70 vendida para  Fernando Barbosa. A Gaivota na nova administração teve um notável crescimento se tornando em umadas principais empresas paraibanas. Chegou a operar a linha Recife x Iguatu/CE via João Pessoa e Campina Grande, além das linhas: João Pessoa x Recife, Cajazeiras x Recife e linhas de Campina Grande para o interior.

Transportes Patoense

Empresa Transporte Patoense da cidade de Patos-PB. Iniciou suas atividades em 1968 foi vendida em 1982, formando a Transparaíba. Possuía 54 carros, sendo a maior empresa do estado. Suas cores eram verde e amarelo e as linhas hoje que foram suas, são operadas pela Guanabara que adquiriu a Transparaíba em outubro de 1995.

Auto Viação Dutra

Empresa pioneira na ligação entre entre a Paraíba e o Sudeste do país. Também operava linhas municipais em João Pessoa.

Viação Paraíba Autoviária de Fátima

Poucas são as informações sobre a empresa, imagens, até então, só essa que ilustra a matéria, mas conseguimos uma informação rara sobre a sua operação.

A empresa, segundo pesquisas, operava linhas de João Pessoa para o Rio de Janeiro e São Paulo, não se sabe se a linha fazia João Pessoa X São Paulo Via Rio de Janeiro, ou eram independentes. Suas partidas da Rodoviária Novo Rio, no início dos anos 70, eram diárias com dois horários ás 08:30 e 19:00. A passagem custava NCR$ 78,74.

Viação Vera Cruz

Outra também desconhecida que não achamos imagens. Na época, a sua concorrência na linha, era a Viação Paraíba Autoviária de Fátima. Também tinha saídas diárias as 18:00, sendo que nas quartas, o serviço era leito. Ela cobrava NCR$ 78,50 no convencional e NCR$ 157,24 no leito.

Viação Brasília

Fundada em 1958 por Raimundo Correia Ferreira, a Viação Brasília Ltda, se inicia com três ônibus e faz a linha Cajazeiras x São Paulo saindo uma vez por semana.

Nos anos 60 mais uma linha é criada e desta vez, é a Cajazeiras x Brasília, nova capital federal e que faz jus ao nome da empresa. Não se sabe por qual motivo, se por desgosto da cidade que tanto amou ou estratégico,em 1974, Raimundo Ferreira transfere a sede e toda estrutura da empresa para a cidade de Patos-PB e passando a denominar-se Viação Brasília Transporte e Turismo Ltda vende a linha Cajazeiras X Brasília para a Planalto de Campina Grande que naquela época direciona seu foco para Brasília,saindo do eixo Rio-SP. e cria a linha Patos X RJ que logo após foi vendida para a Itapemirim.Restava somente a Cajazeiras x São Paulo que a partir da transferência para Patos,passa a denominar Patos x São Paulo. Esta linha até hoje sai de Patos, e passa pelo Vale do Piancó e segue para Cajazeiras.

Em 1983, a Gontijo adquire a Várzea Alegrense e a Viação Rio Negro também Cearense e ligava municípios cearenses entre si e a Fortaleza. Com o projeto de expansão no Nordeste, a Gontijo queria empresas ou linhas que ligava o nordeste ao sul do país e nesse contexto, o destino colocou dois homens no mesmo caminho: Abílio Gontijo e Raimundo Ferreira. No ano de 1987 a Gontijo vende para Raimundo a Rio Negro e na negociação, a Linha Patos x São Paulo é repassada para Gontijo. A Viação Brasília encerra sua história no transporte interestadual bem como na Paraíba. Sua estrutura é transferida para Juazeiro do Norte onde passa a fazer linhas urbanas e interurbanas ligando cidades do sul cearense a Juazeiro do Norte e ao Crato. A Viação Brasília encerrou suas atividades em 2009.

Cometa

Empresa embrião da Transparaíba e Transnorte, operava linhas da região de Itabaiana para João Pessoa e existe um rumor que a empresa operou a linha Rio de Janeiro X Itabaiana antes da Itapemirim.

Com certeza alguma empresa ficou de fora dessa nossa listagem. Lembrando que só listamos as empresas que operaram linhas rodoviárias na Paraíba, sejam intermunicipais e interestaduais. Se você lembrar de alguma empresa que não está nessa lista, só entrar em contato.



2 comentários em “Finadas empresas paraibanas: rodoviárias”

  1. Deixo uma sugestão. Quando a pandemia reduzir ainda mais ou acabar, fazer uma matéria no molde desta, se possível, com as empresas que operam atualmente e suas respectivas linhas.

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