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Viação Itapemirim: sócia critica paralisação total e alerta sobre falência

Por Ônibus Paraibanos
Imagens Paulo Rafael Viana

O anúncio da Viação Itapemirim de que pararia completamente suas atividades a partir de amanhã surpreendeu até quem acompanha o transporte rodoviário com maior atenção. Isso porque a empresa está em recuperação judicial e tal medida pode comprometer ainda mais sua saúde financeira. Empresas suspenderam, cancelaram ou alteraram horários de linhas. Além da Itapemirim, a Novo Horizonte também tomou a iniciativa de parar completamente, mas por conta de restrições em quase todos os estados onde atua.

Além da recuperação judicial, a empresa ainda enfrenta problemas de relacionamento entre seus sócios Sidnei Piva e Camila Valdivia. Piva está no comando da empresa após entrar com agravo de instrumento contra Camila Valdivia, em dezembro do ano passado. Camila ainda é sócia, mas sem poderes para decidir nos rumos da Itapemirim.

Demonstrando estar preocupada com os rumos que a empresa está tomando no meio da crise, Camila Valdivia enviou um e-mail aos sócios e administrador judicial após tomar conhecimento da suspensão. Ela alerta sobre a possibilidade da recuperação judicial ser em vão e da empresa encerrar as atividades, uma vez que segundo Camila, tal parada completa por si só acarreta em risco para o processo de recuperação judicial da empresa.

Camila ainda alertou sobre a essencialidade do serviço anexando página do Diário Oficial com o decreto nº 10.282, que determina o que são os serviços essenciais que não podem ser paralisados completamente, dentre os quais o transporte interestadual de passageiros, cabendo a ANTT qualquer parecer a respeito. Criticou até mesmo os contratos de aluguel com empresas para operação de linhas no centro e sul do país, referindo-se aos ônibus que operam como Kaissara em linhas já comprometidas pela crise, sugerindo que os recursos poderiam ser realocados para operação de linhas no Nordeste, onde o comprometimento do serviço não está tão agudo.

A capacidade financeira da empresa também é uma preocupação explícita de Camila Valdivia. Segundo ela, a empresa não tem como pagar as rescisões que já foram realizadas, enquanto a Itapemirim teria uma estimativa de demitir 700 funcionários. Alerta que demissões acontecem em Paraíba do Sul, com 15 motoristas demitidos, e que em setores como Rio de Janeiro e Cachoeiro do Itapemirim, o setor administrativo e operacional foi todo mandado embora. Alerta que a empresa pode ser multada pelo Ministério Público do Trabalho por não conseguir pagar as rescisões de todos os demitidos. E que a multa seria milionária.

Outro alerta de Camila é a possibilidade da ANTT intervir na empresa por causa da paralisação geral. E que não iria permitir que a empresa vá a falência por “atitudes desenfreadas”

A sócia do Grupo Itapemirim aguarda que medidas sejam tomadas para que evitar que danos irreparáveis aconteçam e a Viação Itapemirim encerre suas atividades em breve.

O site Ônibus Paraibanos deixa o espaço aberto para que a presidência do Grupo Itapemirim se manifeste e traga a sua versão.

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