Crise na Veleiro: greve, ônibus lacrados e incerteza

Com problemas financeiros, empresa alagoana tem dificuldade para pagar os salários e manter a frota, refletindo no serviço prestado à população de Maceió.

Por Ônibus Paraibanos, com informações de G1 Alagoas e Busologia Alagoana
Foto Rodrigo Fonseca

Em Alagoas, a Auto Viação Veleiro, que opera linhas municipais e intermunicipais em Maceió e Região Metropolitana, enfrenta uma crise que parece não ter fim. Nos últimos dias, seus funcionários entraram em greve pelo menos duas vezes neste mês, sendo a última delas hoje, iniciada nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (21) e terminada ainda próximo de meio-dia.

De acordo com o G1 Alagoas, a negociação entre a empresa e os funcionários foi mediada pelo Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, onde ficou acordado que a empresa concluiu hoje o pagamento do ticket-alimentação e no dia 27 de janeiro o pagamento da quinzena, ficando para 30 de janeiro o pagamento do valor referente ao mês trabalhado.

Tudo normal, só que não

O fim da paralisação não foi o suficiente para que os serviços da Veleiro, que já não estavam regulares, se normalizassem. Após a greve, a SMTT – Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Maceió – lacrou 49 ônibus da empresa, ou seja, eles não podem mais circular. Isso porque ultrapassaram a idade-limite de 10 anos de uso estabelecida em licitação, da qual a Veleiro ganhou o lote 300. A empresa opera com 60 veículos em sua frota municipal.

Não fosse suficiente os ônibus lacrados, a empresa ainda perdeu três ônibus para o banco Mercedes-Benz, que alega falta de pagamento. A Viação Veleiro entrou com uma liminar na justiça para reavê-los. Enquanto isso, eles estão em Paulista-PE.

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E em meio a paralisação dos rodoviários da Veleiro, a Justiça de Alagoas cumpriu o mandado de busca e apreensão de alguns ônibus da empresa. A apreensão não nos causou surpresa. Semana passada, descobrimos o processo que tem como autor o Banco Mercedes-Benz e a ré Veleiro pela falta de pagamento em um financiamento, processo este expedido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Ao todo, são mais de 35 ônibus que estão em processo de apreensão, são os Citmax da série 84xx (34xx), 85xx (35xx), além dos Svelto série 31xx. No vídeo, mostra o 3135 e o 3153 sendo apreendidos, além do 3138. Logo mais a tarde, recebemos a informação que viram os ônibus na BR-101, em Jaboatão dos Guararapes, sentido Recife. A empresa Veleiro já entrou com liminar para suspender as buscas e apreensões e a devolução dos 3 (três) ônibus apreendidos. Sendo que a qualquer momento a empresa poderá entrar de greve mais uma vez. via WhatsApp.

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Diante da situação, ônibus de outras empresas devem atender os itinerários da Veleiro até que a empresa consiga ao menos veículos dentro da idade média para substituir os 49 que a SMTT proibiu de rodar. A missão não vai ser fácil para a empresa, que alega desequilíbrio econômico-financeiro para manter a sua estrutura de funcionamento, conforme expresso nesta nota divulgada em sua página do Facebook.

A Auto Viação Veleiro atende em 15 linhas do sistema de Maceió. Ao todo, a empresa emprega 600 colaboradores. Atua ainda no transporte intermunicipal ligando Maceió a Rio Largo, onde opera desde 2015 substituindo a Transportes Tropical. Para tal, adquiriu 38 ônibus seminovos. A última grande renovação de zeros na empresa alagoana foi em 2011, com a aquisição de 22 unidades do Comil Svelto encarroçadas em chassis OF-1418 e OF-1722M da Mercedes-Benz. A empresa ainda possui uma única unidade do Torino na versão atual, esta adquirida zero, encarroçada em chassi 15-190 OD da Volkswagen.

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