Apps como Uber e 99 são predatórios ao transporte público, dizem representantes

Para eles, tais sistemas podem ser predatórios à atividade convencional

Por Canal Tech
Imagem Paulo Rafael Viana

Associações que representam os interesses das empresas de transporte público levaram à Câmara dos Deputados suas preocupações quanto à proliferação dos aplicativos de viagens compartilhadas, como o Uber Juntos, por exemplo. Para eles, tais sistemas podem ser predatórios à atividade convencional por não estarem submetidos às mesmas regras e legislações, um dos motivos pelos quais podem cobrar bem mais barato.

Os representantes do setor associaram o aumento na utilização destas soluções como um dos contribuintes para o aumento nas tarifas de ônibus e sugeriram medidas para trazer mais equidade ao mercado de transporte. A principal reivindicação é quanto a uma regularização da atividade, uma vez que os aplicativos não estão sujeitos às mesmas regras que os ônibus ou outras alternativas de transporte coletivo.

De acordo com o presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, Otávio da Cunha Filho, o órgão não é contra a atuação dos aplicativos e entende que eles trabalham de acordo com as regras de livre mercado. Por outro lado, ele também acredita que os serviços estão em pé de desvantagem em relação às soluções digitais.

Ele cita, por exemplo, as regulamentações e normas de circulação vigentes, bem como a série de isenções de tarifas disponíveis para alguns grupos de passageiros, como idosos, por exemplo. Segundo ele, tais benefícios têm um impacto de 17% no custo total das operações das empresas de ônibus, com o resultado final sendo um aumento nas tarifas para o restante da população.

O deputado Mauro Lopes (MDB-MG) concorda com a afirmação de Cunha Filho e sugere a criação de um funcho para manutenção das gratuidades. Já o presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos em Mobilidade Urbana, Rodrigo Tortoriello, sugere a criação de uma contribuiç!ao, da parte dos aplicativos de transporte, para que a infraestrutura urbana e os benefícios possam ser mantidos.

De acordo com ele, se R$ 1 de cada corrida realizada em Porto Alegre (RS) fosse destinada a um fundo de manutenção do transporte público, seria possível reduzir a tarifa de ônibus na capital dos atuais R$ 4,70 para R$ 4,30. Os participantes da discussão na Câmara também levantaram preocupações quanto ao trânsito, citando, por exemplo, a lotação máxima de apenas quatro pessoas nos carros de aplicativo contra a quantidade bem maior que pode ser transportada por um único coletivo.

Por outro lado, os representantes concordaram que o conforto e o preço mais baixo são as principais razões da escolha dos passageiros pelos carros, com uma pesquisa da Universidade de São Paulo (SP) indicando que 62% dos usuários dessa modalidade de transporte eram, antes, utilizadores do transporte público. Com isso, veio uma redução de 25% na demanda, aumentando a porcentagem de gratuidades e reduzindo a de pagantes, o que levou a problemas financeiros para as empresas.

Em algumas cidades, essa diferença pode ser ainda maior, como citou o prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth (PSDB). Segundo ele, desde 2016, quando os aplicativos de transporte foram regulamentados no município, o faturamento total das empresas foi de R$ 14 milhões, apenas R$ 1 milhão a menos do que o arrecadado por todas as 13 empresas que prestam serviço de transporte coletivo na cidade.

Para Lopes, outras iniciativas do governo também podem servir para aumentar a atratividade do transporte coletivo em relação aos aplicativos. Ele sugeriu a criação de mais corredores ou faixas exclusivas para os ônibus e a implantação de veículos leves sobre pneus, que seriam capazes de levar os passageiros com mais agilidade e facilitar a vida do cidadão.

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