Híbrido Volksbus e-Flex projetado no Brasil é surpresa da VWCO em Hannover

Por Automotive Business – Pedro Kutney
Imagens Divulgação

Dentro de sua estratégia de apresentar propostas de eletrificação acessíveis para países mais pobres, depois de surpreender o mercado ao apresentar o caminhão leve elétrico e-Delivery quase um ano atrás, a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) apresenta mais uma surpresa eletrificada ao público que visitar o salão de veículos comerciais de Hannover (o IAA Nutzfahrzeuge 2018, de 20 a 27 de setembro), na Alemanha. Desta vez a empresa brasileira trouxe para a Messe Hannover um protótipo do primeiro ônibus híbrido elétrico serial projetado no Brasil, o Volksbus e-Flex, que tem propulsão 100% elétrica e um motor a combustão VW 1.4 TSI bicombustível etanol-gasolina, que faz as vezes de gerador de energia para estender a autonomia do veículo.

Pouco antes de apresentar o e-Delivery, a VWCO criou uma divisão de engenharia elétrica para seguir desenvolvendo propostas de eletrificação possível dentro de sua vocação de apresentar soluções de custo-benefício equilibrado para mercados emergentes. Assim nasceu o protótipo do Volksbus e-Flex agora exibido pela primeira vez em Hannover. Toda a configuração do modelo-conceito foi pensada para ser uma proposta mais barata de ônibus híbrido.

O híbrido elétrico serial é assim chamado porque o motor a combustão é usado apenas para gerar energia, não traciona as rodas, mas garante uma fonte de energia para o veículo continuar rodando mesmo depois de consumir toda a carga armazenada nas baterias. No caso do Volksbus e-Flex, foi escolhido o propulsor 1.4 turbinado bicombustível de 150 cavalos, que a Volkswagen produz em São Carlos (SP) para equipar carros como o Golf e Audi A3 Sedan, como sinergia dentro do grupo ao qual a VWCO é aparentada – apesar da separação recente da companhia no Grupo Traton, as empresas mantêm cooperação.

O motor começa a funcionar sempre que a carga das baterias cai a 20% e desliga automaticamente quando atinge 80%. O consumo do “gerador” flex gasolina-etanol é bem mais baixo do que seria um motor diesel usado na propulsão do veículo, e tem a vantagem de zerar emissões no conceito poço à roda quando usa só o biocombustível, que depois de queimado é quase que integralmente reabsorvido pela própria plantação de cana-de-açúcar. Opcionalmente, também pode ser instalado um kit gás, para fazer o motor funcionar com metano (GNV) ou biometano – em ambos os casos também reduzindo expressivamente emissões de poluentes e CO2.

Adicionalmente o Volksbus e-Flex também conta com sistema de recuperação de energia nas frenagens e desacelerações, que ajudam a manter a carga das baterias. Para recarregar 100%, o ônibus e-Flex tem uma tomada para ser plugada na rede elétrica enquanto o veículo está parado à noite. Como o banco de baterias de 100 kW/h é menor do que seria em um veículo sem gerador embarcado, leva apenas de duas a três horas para completar a energia dos acumuladores de lítio, importados da China.

O motor elétrico de 650 V rende 260 kW (354 cv) e 2.150 Nm de torque máximo, disponível desde o primeiro toque no acelerador. Também é feito no Brasil, pela Weg – mas outros tipos de motorização elétrica do Grupo Traton, como da Scania ou MAN, também podem ser aplicados. O consumo estimado é de 1 kW/hora por quilômetro rodado e a autonomia deve variar de 100 a 150 km. Segundo a engenharia da VWCO, o protótipo ainda não foi testado em rota – o que só deve começar nos próximos meses –, por isso não há ainda números precisos de gasto de energia e combustível.

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O Volksbus e-Flex foi montado sobre um chassi de ônibus de 17,5 toneladas de peso bruto total, equipado com carroceria urbana Marcopolo de 10,1 metros de comprimento, 2,55 m de largura e 3,6 m de altura, que tem 26 assentos e capacidade total para 65 passageiros. Com ar-condicionado.

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