Rinaldo Grossi fala sobre os 40 anos da Rio Doce

Por Diário de Caratinga
Imagens Assessoria Rio Doce /  Villela Design

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A viação Rio Doce, patrimônio considerado de Caratinga, mas que já ultrapassou tantos limites e já está em outros estados, completa 40 anos. No aniversário da empresa, 15 novos ônibus foram adquiridos para proporcionar mais conforto aos passageiros e uma carreata foi feita pela cidade. E para falar da empresa, ninguém melhor que o seu presidente, Rinaldo Pires de Miranda Grossi, 61 anos, o filho do saudoso “Sô Dário Grossi”.

Rinaldo é casado com Silvana Laguardia Grossi, pai de quatro filhos, sendo eles, Pedro de 30 anos, médico em Caratinga; João, 28 anos, advogado em Belo Horizonte; Lucas e o Marcos, que são gêmeos, sendo que o Lucas é oficial da PM e Marcos é engenheiro civil, eles têm 26 anos, apenas o Lucas é casado, e ainda não tem netos.

Rinaldo recebeu a reportagem do Diário de Caratinga em seu escritório para um bate-papo descontraído e não deixou de comentar sobre muitos assuntos interessantes, entre eles a sua opinião sobre a atual situação política do país.

Desde quando é o presidente da Rio Doce?

Entrei para a presidência em 2003. Meu pai ficou de 1978 a 1998 quando faleceu, então entrou meu tio Miguel que ficou cinco anos e agora estou aqui há 15 anos, totalizando os 40 anos

Qual o funcionário mais antigo da Rio Doce?

Além de mim? Porque também entrei em 78. Tem vários, o José Martins, o Cosme, Toninho… Tem muita gente que entrou junto com meu pai em 78. Gerentes de setores, mecânicos, lembro mais dos daqui porque estão perto, mas tem muito mecânico de 78. Mecânico vira chefe de oficina, gerente de setor, tenho muitos aí.

Atualmente qual a frota da empresa?

Temos 315 ônibus, comprei 15 agora, mas meu número é 300, porque quando compro 15, procuro vender outros 15. Já tivemos 400 carros, dá pra fazer o mesmo serviço, os carros pra não dizer as pessoas, era muito preguiçosos, trabalhavam pouco. E o carro foi ficando caro e a gente teve que aprender a usar mais o carro. O ser humano trabalha 8 horas por dia, o carro pode trabalhar 24. Então procurei dentro da minha gestão botar esse carro pra trabalhar, hoje com os 300 carros rodo a mesma quilometragem que rodava com os 400, faço o mesmo serviço e naturalmente é um custo menor.

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Onde a Rio Doce possui filiais?

Tenho várias filiais, começando ao norte, temos em Conquista, em Ilhéus, Teófilo Otoni, Itaobim, Araçuaí, Almenara, Pedra Azul, depois tem Governador Valadares, Manhuaçu, Muriaé, Além Paraíba, no Rio de Janeiro tem uma garagem muito grande, do tamanho desta, 10 mil metros de construção. Temos Cataguases, Juiz de Fora, Carangola, são aproximadamente vinte

Em 40 anos, qual o melhor momento da empresa? É o atual?

É o que está se mostrando agora. Atual não é, estamos saindo de uma crise e está começando a clarear, estou gostando do que estou vendo. Com a crise você aprende a trabalhar mais enxuto, ser mais econômico, fazer as coisas com mais cuidado, e vencemos a crise, saímos dessa crise, não saímos capitalizados, mas não saímos devendo. Não temos dinheiro, mas não temos dívida, e agora com a coisa melhorando, vamos deslanchar. Já estamos no Rio fortemente, estamos em São Paulo, devagar podemos fortalecer. Acho que o melhor momento é este que está se aproximando, dependendo de uma questão: de quem escolheremos para nos governar agora em outubro. Temos o hábito de botar a culpa nos outros, mas colocamos eles lá, e eu coloco com a mesma força que você, nosso voto é um só, a gente tem a mania de falar dos políticos, o que escolhemos é o espelho do que somos. ‘Mas me enganaram’. Você é bobo, você se deixa enganar? Ou se deixa enganar por uma vantagem, um dinheiro, um emprego, por uma amizade, qualquer outra coisa? Então agora em outubro, se nós tivemos juízo, eleger um governo sadio, teremos bons tempos, caso contrário, continuaremos queixando dos políticos, que nós escolhemos.

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A Rio Doce já é uma empresa totalmente informatizada? Isso reduziu o número de funcionários?

Totalmente é meio demais né? Ela é muito informatizada, mas tem muita coisa ainda pra informatizar. Motorista não tem como informatizar, mas trocador tem. Uma maquininha na mão do motorista, na Europa já é assim, ele rapidamente aperta onde quer, onde vai entrar, onde vai descer, a pessoa paga um cartão naquela própria maquininha, não tem troco e ele anda. O trocador pode informatizar, os resultados do trocador, por exemplo ele vende a passagem, tem uma série de pessoas que computam isso, acertam, fazendo na máquina chega pronto aqui no financeiro. Economiza gente no controle, na administração, no financeiro. Já está caminhando pra isso. O homem tem que ficar para trabalhos mais importantes, não é ter qualificação tecnológica, a qualificação que penso que o homem tem que ter para o futuro é correção, seriedade, caráter… Porque um empregado levado, você gasta dois para tomar conta dele, um empregado preguiçoso que não faz o serviço direito, a dona de casa fica doida para conferir serviço, tem que parar com esse negócio. A qualificação que digo não é de conhecimento, é de berço. Penso que terão poucas vagas de trabalho, vagas boas que só o homem saberá fazer, serviço de qualidade. Logicamente as máquinas vão resolver muitas coisas. Chegaram os ônibus aqui, não tem mais embreagem, são mais que automáticos, têm freios automáticos, tem jeito de dirigir mais econômico ou menos, tem tanta tecnologia que muitos automóveis de primeiro mundo não tem e isso causa certa dificuldade ao motorista, mas depois ele percebe que isso vem pra ajudar e gosta. Aqui por exemplo entrou muita informática na questão de controle de papeis, na contabilidade, no departamento pessoal… Hoje você paga, vende o produto, a nota fiscal já sai, o imposto já vem, o governo já sabe. Um exemplo disso são os bancos, não tem mais ninguém dentro do banco, são muitas máquinas. Então esse reflexo na firma, aqui na Rio Doce, trata com o banco também através das máquinas.

A Rio Doce é uma empresa de grande valor para região. O senhor acha que ela é correspondida por isso?

É sim, não tanto quanto a gente gostaria. Às vezes me assusta quando vejo a reclamação de um conterrâneo nessas redes de reclamações. Engraçado é que mais gente de Caratinga reclama, aí fico com uma certa mágoa, fico percebendo que não é um passageiro, é um desafeto cujo marido não conseguiu emprego aqui, mas são tão poucos. A gente acha que a gente é tudo de bom, dou o sangue por esse serviço aqui. Mas enquanto tem dois, três criticando, tem mil elogiando, mas a gente gostaria que você mais reconhecido. Mas estou satisfeito.

Quais foram as principais mudanças nesses 40 anos de estrada?

Nossa, foram tantas… Tantas emoções…(risos). O equipamento, os ônibus são muito mais seguros, mais confortáveis, mais práticos, duram mais, são mais silenciosos… As estradas melhoraram demais, tem um tempo pra cá que os investimentos estão paralisados, por conta destas crises aí, mas as estradas melhoraram demais, não rodo em estrada de chão, muito pouco. Tenho dificuldade em dizer onde rodo em estrada de chão hoje, e há 40 anos eu rodava mais da metade em estrada de chão, Deus me livre de estrada de chão, é muito buraco, muita poeira, muita vibração, muita tristeza, muito barro, ela só é boa na poesia (risos).

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Como o senhor analisa o atual momento político no país?

Nosso Deus! Esse assunto dá uma entrevista de dois dias, de tão complexa que é essa pergunta. Acho o eleitor de uma maneira geral, porque para falar de política você tem que falar do eleito e do eleitor. Do eleito não temos o que falar, todos já sabem os que estão aí o que são, a grande maioria, mas tem muita gente boa, não pensa que é só bandido lá não. O eleitor deveria ter mais responsabilidade, ler mais, se informar com pessoas de confiança, com pessoas certas… Porque não lê, não conhece, não se informa, como vota? Vota com coração, como emoção, gostou dele, deu uma telha de amianto pra ele, vota e depois vai para o boteco, sem cerimônia e começa a criticar os políticos, esquece que nenhum político entra para o poder se não pelo voto. Aqui na Rio Doce converso muito com meus funcionários, explico o que penso, mas não sou uma pessoa mau caráter que tem a coragem de chegar ali e apontar esse ou aquele candidato. Eu digo o perfil que devemos ter, quais que eu acho que se enquadram, até porque eu seria um idiota, voto é secreto, chegar lá vota em quem quiser. Mas não deixo de conversar, de expressar minha opinião, cumprir meu papel de cidadão. Não é que sou melhor, nem mais culto, nem tenho mais conhecimento. Na verdade tenho mais oportunidade de contatos, converso com pessoas que estão por dentro, com os políticos, governadores, prefeitos, com amigos que passam por esta situação. O Pedro Leitão veio aqui conversar comigo, está saindo candidato, o Mauro Lopes veio aqui, tenho oportunidade de ouvir um e outro, sentir pessoalmente. Creio que tenho condição de ter um voto um pouco mais de acordo com o que penso e não com o que os outros me falam. Estou muito preocupado com as eleições em outubro, estamos saindo de um trauma, tem gente aí falando em votar em nenhum dos que estão aí. Negócio complicado. Será que nenhum presta? E será que os novos darão conta? Ou será que nossa cidade votará renovando e a outra mais esperta votará no que tem tarimba para manobrar e nós nunca termos acesso a nada? Complicado. Mas a política que move tudo, se votarmos errado, teremos o governo errado, pagaremos a consequência.

O senhor acredita que com a nova geração teremos políticos melhores?

Não tem nada a ver. Acho que gente honesta, gente desonesta, teve em todas as épocas e há ter no futuro. Agora, o eleitor a partir que o tempo mudo, tem mais acesso a informação, ele tem a chance de fazer melhor. Mas e se não quiser? E se quiser votar na bagunça? Lá no Rio de Janeiro, uma mulher bacana, não tenho nada contra, até gosto dela, a Jojo Todynho, ela é candidata a deputada federal. Você já pensou o que ela fará na Câmara? A gente tem que entender que a Jojo é ótima cantora, fulano é ótimo ator, beltrano é ótimo radialista, fulano é ótimo educador, beltrano é ótimo policial, mas temos que escolher ótimos políticos. Pessoa que tenha coragem de expor. Por exemplo, o deputado que votamos, ou que representam nossa região, você sabe como se portaram com relação a pontos políticos complicados em nosso país? O que é o mais complicado no nosso país hoje? Antes de saúde e educação é a segurança, porque se você não pode sair na rua, não pode ir ao hospital. Qual a posição dos nossos deputados em relação à segurança? O que me refiro sobre segurança? Questão do menor, responder ou não responder?  O que o deputado que te representa pensa sobre maioridade penal? Ele pensa que deve ser de acordo com a sensibilidade da pessoa, passar por um grupo de psicólogos, psiquiatras especializados, entender que esse menino tem responsabilidade e puni-lo de acordo com a responsabilidade que ele tem? Você não sabe o que seu deputado pensa sobre isso, porque ele não expõe, porque o voto dele sobre esta questão é de acordo com o politicamente mais adequado, não é o correto. Pena de morte. Controverso demais, eu como cristão ainda. Mas uma pena de morte provisória, por um período? Porque morrem 60 mil pessoas por ano no Brasil, de morte violenta. Paulada, pedrada, tiro… Esses números são controversos, tem gente que diz que é mais, menos não. Morte por acidente de trânsito, mata demais e mata jovem. Os assassinatos são só jovens. E se eu perguntar o que seu deputado pensa sobre isso? Ah, ele pensa colocar negócio de velocidade pra fazer indústria de multa, não compreendo. Tem lugar na estrada de Belo Horizonte, que tem 30km/h numa cidadezinha que chama Ewbank da Câmara, dentro de BH, na Avenida do Contorno, cheio de gente, de carro é 60km/h, alguma coisa me pira. No anel rodoviário em Belo Horizonte tem placa de 70, 80 e de 50. Lógico que confundo, volta e meia tomo uma multa ali. O que o deputado pensa disso, o que ele faz? O que ele faz em relação a essa matança? São 5 mil por mês e um avião lotado por dia, entre trânsito e morte violenta. Não estou dizendo que seu deputado não faz nada, mas você não sabe, não tem transparência, não tem cobrança. Outra questão, da saúde, trouxeram os médicos aí de Cuba, que são uns enfermeiros mais burilados, são boas pessoas, mas não é médico nada, não sabe fazer um incisão, um pequena cirurgia, sabem fazer o serviço de ambulatório, dar remédios, é tipo um farmacêutico experimentado. Tanta gente precisando de emprego e eles importam, não resolveu nada. Tem hospital em Santa Rita, em Santa Bárbara? O que fazem é dar ambulâncias, e leva para outro lugar para atender. Não era mais fácil montar os hospitais? Mas ambulância é fácil de comprar, dá voto. Aí coloca todo mundo dentro de Vans, levam pra Belo Horizonte e acabam de matar o resto nas estradas.

Parafraseando a campanha da Rede Globo, que Brasil o senhor quer para o futuro?

Eu desejo um país com eleitor inteligente, que vote bem, em bons políticos para que tenhamos um bom país. Porque com eleitor manobrado, manipulado por mídia, por doações, nunca sairemos do lugar. O que desejo é que nossa população acorde, que abra os olhos e saiba votar em gente boa e sobretudo que saiba administrar, porque não adianta se você é bem intencionada, até acredito que a Marina Silva é uma dessas, é uma mulher de bem, tem boas ideologias, mas não administra nem a própria casa, não tem força física, não consegue falar, ela é frágil, não tem tônus, e se sabe que o sistema lá é bruto, é contenda uma atrás da outra na presidência, e teve um caminhão de votos, tem que acordar. Não é votar no cara que me parece simpático, é votar no cara que vai dar retorno para nosso país, que seja honesto. Um Ciro Gomes desse aí que vem de público falar da democracia da Venezuela. Eu estou doido. Lá se mata por discordar do governo. Espero que o eleitor acorde, que pense, que consulte, que não disperse e vote bem, caso contrário, espero nada.

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Rinaldo Grossi perto de um dos 15 novos ônibus adquiridos pela Rio Doce

E para finalizar, o que o senhor gostaria de falar da Rio Doce?

Gostaria de falar que estamos fazendo 40 anos de muita luta. Começamos em 1978, meu pai começou um pouco antes na São Geraldo, lutou 20 anos… Quero dizer que ele morreu feliz, fiquei os últimos dias ao lado dele, no leito da morte e morreu feliz por ter feito muitos amigos, nunca incomodou com dinheiro. Dinheiro para ele era benção, tinha mais do que precisava, não incomodava com carro bonito, com roupa chique, com viagem para longe, ele incomodava em ter amigos e fez. Gostou muito disso e morreu em paz. Transferiu essa empresa há 20 anos. Estou lutando há 20 anos, comemorando agora os 40 anos, também estou em paz. Com essa crise que está saindo agora, tive uma boa dificuldade esse ano que passou, que me alertou e adaptei a administração aqui, consegui manter as nossas despesas menor que nossas receitas, a custo às vezes de desempregos de alguns, tive que fazer isso, aquele ditado que diz que vão-se os anéis e ficam os dedos, tive que aplicar aqui, porque somos intensivos em mão de obra, grande parte do nosso custo é mão de obra, tive que mexer nisso e não me orgulho de ter feito isso, tive que tirar pouco mais de 170 pessoas, não me orgulho disso, mas tive que fazer para proteger os mil que ficaram. Mas fui mais forte com os consumos de outras coisas, enfim, tem um saldo positivo nesses 40 anos que me orgulha, mas eu acho que o melhor está por vir, acho que vamos viver momentos melhores dependendo da nossa responsabilidade em outubro. E a imprensa tem grande responsabilidade, as pessoas leem seu jornal e acreditam em vocês.

1 comentário em “Rinaldo Grossi fala sobre os 40 anos da Rio Doce”

  1. Fernando de Souza

    Eu não sou fã da Rio Doce, mas ela tem muitos setores pra crescer. No ES, tem a Planeta e Alvorada em Sao Paulo ainda ha algumas empresa menores que podem ser compradas. Até no Rio ha empresas que operam com uma ou duas linhas, como é o caso da UNIDA E PARAIBUNA. Com a crise, perderem algumas oportunidades como pegar as linhas da Beltur do Rio pra MG etc

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