Nichos e inovação são alvo da Volare

Por Jornal do Commercio
Imagens JC Barboza

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Em atividade desde 1998, a Volare, unidade de negócios da Marcopolo, possui unidades fabris em Caxias do Sul (RS) e São Mateus (ES). Emprega 1,2 mil colaboradores e cresceu mais de 40% no último ano, produzindo 1.781 unidades, das quais 80% colocadas no mercado interno. Sua rede de concessionárias tem 50 pontos no mercado interno e 30 no externo.

No ano passado, a unidade representou 11% da receita líquida consolidada pela Marcopolo, que foi de R$ 2,8 bilhões, incremento de 11,7% sobre 2016. A Volare, por sua vez, cresceu 27%, somando R$ 321,9 milhões, receita que inclui o valor dos chassis, já que se trata de um veículo pronto, contra R$ 253,4 milhões do ano anterior.

Neste ano, com base nos dados do primeiro trimestre, a marca elevou ainda mais sua representatividade no conjunto das receitas da fabricante de carrocerias de ônibus. O índice cresceu para 12,2% e consolidou receita de R$ 93,2 milhões, elevação de 56%, enquanto a receita da companhia, como um todo, evoluiu 38%, para R$ 764,8 milhões. A produção foi de 397 unidades, incremento de 14%.

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Das 20 unidades por mês inicialmente idealizadas, a empresa tem capacidade instalada para 25 por dia. “Saímos de um único modelo de veículo para uma família extensa, focada no transporte seguro e confortável das pessoas”, acrescenta o diretor da operação, João Paulo Ledur.

Empresas & Negócios – Como foi a trajetória da Volare nesses 20 anos?

João Paulo Ledur – A Volare, montadora de veículos leves e unidade de negócios da Marcopolo S.A., comemora, em junho, 20 anos de atividades. Nasceu em 1998 como um modelo leve inédito da Marcopolo para o transporte de pessoas e se transformou em montadora com grande sucesso no Brasil e exterior. Hoje, produz uma linha diversificada de veículos, tendo como principal diferencial o desenvolvimento de miniônibus inovadores, funcionais, robustos e personalizados para os segmentos de turismo, fretamento, escolar, urbano, rodoviário e autoescolas, entre outros. Nesses 20 anos, conquistamos a liderança de mercado no Brasil no segmento de micro e miniônibus, com mais de 50% de market share. Em apenas duas décadas, são mais de 65 mil unidades comercializadas. Somente no fornecimento para o Programa Caminho da Escola, do governo federal, foram destinados cerca de 15 mil veículos desde 2007, para diversos municípios brasileiros.

Empresas & Negócios – Como está o mercado em 2018, depois de três anos ruins?

Ledur – Iniciamos mais forte do que em 2017 e no mesmo ritmo de demanda que a do final do ano passado. As expectativas para 2018 são muito positivas, e devemos alcançar desempenho acima do registrado em 2017. Além da meta de manter o ritmo de crescimento nas vendas no varejo em cerca de 20%, devemos alcançar significativa participação nas novas licitações do programa Caminho da Escola.

Empresas & Negócios – Como foi a transferência da planta para Ana Rech?

Ledur – Em fevereiro deste ano, a Volare deu início à produção dos veículos da marca na sua nova linha fabril, localizada em Ana Rech, na unidade Neobus. A mudança de toda operação Volare da unidade Planalto para Ana Rech representou o primeiro passo da estratégia definida pela Marcopolo visando ao melhor aproveitamento das sinergias entre as três marcas. A planta é muito moderna, e foi adequada e preparada para produzir modelos Volare, Neobus e Marcopolo, de acordo com a demanda do mercado e sinergias definidas pela direção do grupo. A nova linha é ampla, possui equipamentos modernos e possibilita ganhos significativos, com a redução do custo fixo e melhor fluxo do sistema produtivo, além da otimização dos recursos de logística e almoxarifado, entre outros. Também proporciona vantagens sensíveis para os colaboradores em termos de ergonomia e conforto. Todas as pessoas que atuavam na unidade Planalto foram mantidas, e a produção atual está em 12 unidades por dia, entre os diversos modelos.

Empresas & Negócios – Como está a projeção de exportação?

Ledur – A empresa tem intensificado, desde 2015, o foco no mercado internacional e deve, em 2018, alcançar o recorde de exportação, com mais de 500 unidades enviadas a clientes do exterior. Em 2017, exportamos cerca de 370 unidades, e foi o terceiro melhor resultado. Em 2016, alcançamos mais de 400 unidades, em razão de um grande negócio fechado com o Chile. O mais importante é que temos ampliado a atuação não somente em volumes, mas em mercados. Conquistamos novos e importantes clientes na África e na Ásia, além de reforçar a presença na América Latina.

Empresas & Negócios – E a operação Volare em São Mateus, no Espírito Santo, como está?

Ledur – A unidade de São Mateus segue, de maneira gradual, ampliando sua produção. A unidade foi construída e planejada em um outro momento de demanda do mercado brasileiro de ônibus, que, desde 2014, vem sofrendo com a consequente baixa e menor produção do que a média histórica. Mesmo com o crescimento registrado em 2017 e no início deste ano, os volumes de produção atuais são muito baixos em relação aos investimentos e à capacidade fabril instalada. Desde o segundo semestre do ano passado, o mercado vem retomando gradualmente e, como sempre foi a conduta da Volare e da Marcopolo, a empresa tem procurado se antecipar e preparar a unidade de São Mateus para essa retomada que está vindo aos poucos. Para isso, tem investido na formação e no treinamento dos colaboradores dentro de um contínuo programa de aperfeiçoamento para adequação das linhas fabris existentes aos modelos que a Volare e a Marcopolo estão produzindo localmente para atendimento aos clientes das regiões Sudeste, Nordeste e Norte do País. Nesse contexto, e em razão dessa retomada do mercado, a unidade teve incremento de cerca de 400 novos colaboradores desde o ano passado, e hoje conta com cerca de 500 em relação aos 100 primeiros que começaram quando do início da produção, no final de 2014.

Empresas & Negócios – A Volare tem tradição de inovação. Pode comentar a respeito?

Ledur – A marca se destaca pelo foco na inovação e pelos lançamentos de novos modelos, inéditos e que o mercado ainda nem tinha à disposição. Além de todos os modelos desenvolvidos, no seu início, em 1999, apresentou o Escolarbus, primeiro modelo projetado para o transporte de estudantes e que se transformou em referência para o mercado nacional. Outras novidades importantes foram o lançamento dos modelos com tração 4×4, piso baixo e suspensão pneumática, além da utilização de conceitos automotivos, inéditos na indústria do ônibus. Mais recentemente, em 2015, lançou o Volare Access, o primeiro miniônibus com piso baixo, suspensão pneumática “full air” e motor traseiro. Em 2016, a marca lançou o Volare Cinco, modelo inédito e diferente de todos os veículos para o transporte de pessoas existentes no mercado brasileiro, que oferece aos passageiros e motorista os mais elevados padrões de conforto, ergonomia, segurança e eficiência. E, no ano passado, apresentou o Access-E, primeiro miniônibus com motorização 100% elétrica produzido no Brasil e desenvolvido em parceria com a BYD, empresa líder mundial no desenvolvimento de powertrain para veículos elétricos. É único em sua categoria em todo o mundo, pois tem comprimento e peso reduzidos, e conta com piso baixo, suspensão pneumática e zero emissão de poluentes. Sua autonomia é de 200 quilômetros.

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Empresas & Negócios – Quais as perspectivas para os próximos anos da Volare?

Ledur – O momento vivido é extremamente importante e relevante. Devemos alcançar um dos melhores, senão o melhor ano de toda a história em termos de comercialização de veículos. As exportações também deverão ser recordes, com destaque para o fornecimento de veículos para países da América Latina, África e Ásia. Em celebração aos 20 anos, estamos lançando uma nova marca, com uma nova nomenclatura para todos os modelos.

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