Dos carros blindados aos ônibus: A história da MOV

De Lexicar
Imagens Divulgação

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Desde 1978 especializada na fabricação de carros blindados para o transporte de valores, a MOV – Indústria e Comércio de Carrocerias Ltda. foi líder de mercado na década de 80, chegando à produção de três veículos diários. Instalada em São Paulo (SP), em 1991 ingressou no ramo de ônibus, como forma de compensar a retração de vendas no seu negócio principal. Sua primeira carroceria foi apresentada na VI Brasil Transpo, em novembro: era um micro modelo turismo, sem denominação própria, com estrutura de aço galvanizado e luxuoso acabamento, preparado para chassis Mercedes-Benz Volkswagen. O micro teve relativo sucesso, tendo sido vendidas cerca de 150 unidades em um ano, sob diversos formatos (urbano, escolar, executivo e furgão), inclusive para o mercado externo. No ano seguinte o micro ganharia um nome: Passeo.

Em outubro de 1992, na Expobus, a MOV lançou seu primeiro rodoviário, o Presence. Montado sobre chassi Volvo B10M de três eixos, com 12,80 m de comprimento, 3,50 m de altura e estrutura em aço, o veículo agregava todos itens de conforto e acabamento usualmente vistos nos rodoviários de luxo nacionais: encosto das poltronas com regulagem contínua, iluminação fluorescente, ar condicionado, controles individuais de iluminação e ventilação, botão de chamada da comissária, banheiro com extração pneumática dos detritos e vidros fixos. A “rodomoça” ganhou cabine própria, localizada ao lado do toalete, com geladeira e forno de micro-ondas. Na frente trazia para-brisas inteiriços e faróis do Ford Versailles; as lanternas traseiras eram do Chevrolet Monza. O bagageiro tinha 11,50 m³ e portas pantográficas.

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No início de 1993 a empresa completou sua linha de ônibus apresentando um urbano de 11,0 m, ainda chamado Passeo. Da mesma forma que ocorreu com os modelos anteriores, também neste caso a MOV demonstrou cuidado com a aparência do veículo, do qual a pintura das esquadrias das janelas em epóxi preto é um exemplo. A preocupação com os custos de manutenção levou à adoção de soluções simples, porém eficazes estética e economicamente, como a utilização de para-brisas quase planos, largas vigias nas colunas dianteiras para melhorar a visibilidade do motorista e acabamento do entorno das caixas de rodas em peça única de fibra de vidro. O acabamento e o lay-out internos, como de praxe, ficavam por conta das necessidades do cliente.

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A diversificação de produtos incentivou a administração a adquirir novas instalações industriais em Guarulhos (SP), onde ainda em 1993 previa-se fabricar os ônibus de maior porte; as linhas teriam capacidade para seis veículos/dia. A MOV, porém, não teve fôlego para suportar tantos gastos concentrados em tão pouco espaço de tempo. Assim, a compra da fábrica e o lançamento de três diferentes carrocerias em apenas três anos trouxe dificuldades para a empresa, que em agosto daquele ano teve dois pedidos de falência registrados na Justiça. O processo teria longa tramitação, mas já em maio de 1994 a MOV deixara de produzir.

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