Vou de taxi? Não! Vou de “buzum”!

De Maxicar
Por Fernando Barenco
Imagens Fátima Barenco / arquivo pessoal

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Antigomobilismo é assim: tem os que gostam dos grande e potentes carrões americanos; outros preferem os pequenos esportivos europeus; alguns só curtem os Volkswagens com motor refrigerado a ar; há quem prefira as motocicletas clássicas; os apaixonados pelos fora-de-série brasileiros…; e até aqueles que são fissurados por ônibus. É o caso do simpático protagonista dessa nossa matéria.

André Luiz Simas é o seu nome. Esse advogado e profissional do mercado imobiliário, com 37 anos e jeitão de garoto, é nascido e até hoje vive em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Sua admiração pelos ‘buzuns’ começou muito cedo, lá pelos anos 1980,  e desde que  ele se entende por gente.

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Simas guarda até hoje um Amélia de papel que construiu quando criança

 

A primeira vez que prestei atenção num ônibus eu tinha uns 4 anos e tinha saído com minha mãe. Coincidentemente era um Amélia e fiquei fascinado. Desde então, meu interesse foi só aumentando. Quando criança, vivia fazendo ônibus de papelão, já que não havia os de plástico para vender — nos contou.

 

 

Mas que história é essa de Amélia? Vamos explicar para aqueles que não são do ramo: Amélia foi um modelo fabricado pela Caio durante a década de 1980. Era um ônibus urbano muito comum nas cidades brasileiras. E a coincidência está no fato de Simas ter nos feito aquela confidência enquanto dirigia seu próprio Caio Amélia 1987 pela BR-040, durante uma pequena viagem que fizemos com ele, entre Petrópolis e Paraíba do Sul, no último dia 27 de maio. Pegamos carona para fazer a cobertura do encontro anual dessa cidade distante uns 75 quilômetros da nossa.

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O ônibus no dia da compra. com pintura escolar

O coletivo em questão pertenceu primeiro à Marinha no Rio de Janeiro, depois havia virado ônibus escolar em Alto Rio Doce, interior de Minas Gerais. Foi então descoberto por Simas e chegou bem judiado às suas mãos em 2014. O interior estava bem judiado, primeiro pelo uso militar e depois de crianças. A pintura era a típica de um veículo escolar,  branca e verde com aquela faixa amarela. Estava desgastada e já deixava transparecer o tom cinza azulado dos tempos da caserna, o que deu ao novo proprietário mais uma dica sobre a origem do veículo, a outra era o fato de o ônibus não ter a roleta e o banco do cobrador, típicos do uso de passageiros.

André tratou logo de dar aquela restaurada no bruto. A pintura voltou à cor de origem, com direito a emblema da Marinha do Brasil e tudo. Os bancos foram  reestofados no padrão original. As fórmicas das laterais e teto foram trocadas pelo próprio André. No letreiro, o dizer de fábrica “Amélia”, ganhou a companhia de “Marinha” e “Valparaíso”, que é o bairro de Petrópolis onde ele vive.

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Viagem tranquila pela BR-040

A experiência da viagem que fizemos a bordo do “Marinheiro” foi muito positiva. O veículo transpôs com valentia e sem nenhum problema o percurso. Sua velocidade de cruzeiro, 70/80 quilômetros por hora, mostrou que a estrada não é o ambiente natural de um ônibus produzido para uso urbano, que tem como prioridades  o torque e a resistência — para trafegar lotado de passageiros — e não a velocidade. Já Simas ao volante provou que nasceu para a coisa. Presenciamos sua perícia em algumas manobras bem difíceis.

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Em Paraíba do Sul

Recentemente o Amélia passou por criteriosa vistoria feita por clube de veículos antigos e foi aprovado, tendo assim obtido as placas pretas. Em dezembro de 2016 Simas e seus amigos fizeram uma longa viagem a São Caetano do Sul, SP. Foram participar de uma exposição de ônibus e caminhões que acontecia naquela cidade do ABC paulista. Aliás, ele já virou figurinha fácil nos eventos de antigomobilismo do eixo RJ/MG.

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A visita a uma empresa de ônibus

No encontro de Paraíba do Sul, que durou dois dias, o Amélia ficou posicionado junto aos veículos militares, já que também ele era um deles. E no domingo, antes da volta para casa, Simas fez questão que os organizadores do evento o levassem a um lugar muito especial. Adivinha! Isso mesmo: à sede de uma empresa de ônibus da cidade. Dá para acreditar?

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Mas essa história não acaba ai! Há alguns meses, ele passou a ser o feliz proprietário de mais um ônibus. Outro 1987. Outro Caio Amélia. Outro veículo governamental, esse comprado em leilão dos Correios. E esse também já ganhou um apelido: “Carteiro”, naturalmente. Pelo jeito, esse negócio vai longe…

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