Aumentam soluções sustentáveis aplicadas ao transporte no país

De Transpo Online
Imagem Divulgação

A Universidade Federal de Santa Catarina construiu um centro de pesquisa com painéis fotovoltaicos capazes de gerar energia solar suficiente para o funcionamento do prédio. A energia excedente abastece um ônibus que circula pelo campus da universidade. No Pará, um barco solar transporta passageiros e cargas entre a Ilha das Onças e a capital Belém. Além disso, contribui para o monitoramento de áreas protegidas.

Esses são dois exemplos de soluções que reduzem os impactos ambientais e melhoram a vida da população. Elas fazem parte do Programa de Tecnologias para Cidades Sustentáveis, lançado em 2012 pelo MCTIC. Dividido em quatro eixos temáticos – construções sustentáveis, mobilidade e transporte coletivo, saneamento ambiental e sistemas sustentáveis de energia –, ele já tem resultados.

Inaugurado em 2015, o Centro Multiusuário de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar Fotovoltaica (Fotovoltaica) da UFSC recebeu R$ 3,6 milhões do MCTIC para ser implementado. Trata-se do primeiro centro de pesquisa desse tipo no Brasil que, além de ser 100% alimentado por energia solar fotovoltaica, gera mais do que consome.

Toda a energia utilizada pelo complexo é gerada por painéis fotovoltaicos instalados na cobertura do edifício, e a energia excedente serve para abastecer um ônibus que liga o campus da UFSC ao Sapiens Parque. O chamado E-Bus foi desenvolvido pela equipe da Fotovoltaica e comporta até 38 passageiros em cada viagem. O MCTIC apoiou o desenvolvimento do projeto com R$ 1 milhão.

O veículo faz o percurso de 50 quilômetros de ida e volta entre o campus da UFSC e o Sapiens Parque com redução de um terço do tempo antes gasto para o deslocamento. Além disso, o ônibus parece um escritório, com cadeiras e conexão Wi-Fi. Nele, as pessoas podem trabalhar, fazer reuniões e estudar.

Considerado puro, o veículo possui apenas tração elétrica e foi desenvolvido com tecnologia brasileira. É o primeiro ônibus elétrico do país movido a energia solar. Quando está parado no trânsito, não há consumo de energia como acontece com os veículos com motores movidos a combustão. Além disso, o gasto com cada trecho é de R$ 18, enquanto o mesmo percurso, em um veículo movido a diesel, é de R$ 60. Já a tecnologia de frenagem regenerativa gera energia, que é injetada nas baterias, aumentando a autonomia do ônibus. A previsão é que o veículo entre em funcionamento regular a partir de abril.

Barco solar – Aurora Amazônica é um barco solar que faz o trajeto entre a Ilha das Onças e a Belém (PA) desde outubro de 2015. Desenvolvido por meio de uma parceria entre o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energias Renováveis e Eficiência Energética da Amazônia (INCT/EREEA), é uma alternativa para o transporte de pessoas e cargas, ecoturismo e monitoramento de áreas protegidas. Até 22 passageiros são transportados em cada viagem do barco, que dura cerca de 30 minutos.

Em Brasília (DF), o Governo do Distrito Federal (GDF) trabalha na implementação de pequenas usinas geradoras de energia solar fotovoltaica para iluminar escolas e prédios de órgãos públicos, com recursos oriundos do Fundo Mundial para o Ambiente (GEF, na sigla em inglês). O primeiro passo é a capacitação de mão de obra para a instalação e manutenção dos painéis solares. A partir do segundo semestre de 2017, a primeira planta deverá estar ativa, atendendo dez escolas públicas.

Despoluição do rio Capibaribe – Um dos principais problemas do Recife (PE) é o escoamento de esgotos clandestinos no rio Capibaribe. Dejetos, sujeira e muitos poluentes químicos são despejados no curso d’água sem qualquer tipo de tratamento. Para sanar problemas como o mau cheiro e a contaminação, a prefeitura e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estão desenvolvendo um sistema de jardins filtrantes – projeto também financiado pelo GEF. O método criado pelo francês Thierry Jacquet foi empregado para despoluir o rio Sena, em Paris.

O projeto consiste na utilização de plantas para filtrar os poluentes químicos do rio. Quando a água passar pelas “estações de tratamento”, as raízes de cerca de 40 espécies da região vão retirar os compostos inadequados, melhorando a qualidade da água ao longo do rio, fortalecendo o desenvolvimento da biodiversidade.

Inicialmente, serão construídas duas unidades de jardins filtrantes nas margens do Capibaribe. A previsão é que eles sejam concluídas em 2018. “Assim que ficarem prontos, já poderão ser utilizados. Esperamos que esse projeto seja uma referência para outras cidades do Brasil”, completou.

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