O aumento da tarifa em João Pessoa – "vale a pena ver de novo"?

De Portal Ônibus Paraibanos
Por Kristofer Oliveira
Imagens JC Barboza / Paulo Rafael Viana

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No último domingo passou a vigorar a nova tarifa na capital, que passou de R$ 3,00 para R$ 3,20. O valor seria maior conforme a necessidade constatado pela comissão que a define após analise dos insumos e outros fatores que impactam na operacionalização. De praxe o prefeito fez seu “charminho” ressaltando que o reajuste não estava em pauta no momento, mas acabou referendando um valor inferior, vigorando o valor supracitado. E como não poderia faltar em todo reajuste, o movimento estudantil foi contra e prometeu mobilização nos próximos dias. Enfim, nada de novidade.

Curiosamente na última segunda-feira, primeiro dia útil após a nova tarifa passar a vigorar, passei por uma situação que nunca havia passado antes. Quando estava retornando para casa e fui pegar o 208 (0745), sequer subi no veículo e o motorista informou que estava quebrado e encostou ali na praça Pedro Américo. Pouco depois atrás veio um da 204 (0742), estava bem cheio, mas com dificuldade consegui entrar. Quando o ônibus entra na General Osório, começa a “engasgar” e sobe com muita dificuldade até a Venâncio Neiva. O motorista constata que a porta traseira não está fechando direito. Tenta abrir e fechar, mas sem sucesso. O ônibus encosta no semáforo e não consegue mais sair. Para quem não sabe, o Marcopolo Torino 2014 não anda com a porta aberta. Muita reclamação dos passageiros, ressaltando que o reajuste não serviu de nada, pois continuam a andar no ônibus lotado e acaba quebrando. Alguém se comprometeu em segurar a porta pela aba interna e enfim conseguiu sair, mas na Diogo Velho tal pessoa não conseguiu mais segurá-la e o ônibus não mais seguiu viagem. Depois de alguns minutos, o motorista faz alguns procedimentos na parte mecânica da porta e consegue dar partida e seguir viagem – até onde conseguiu ir não sei – desci e optei pegar outro.

A situação acima é uma figura fiel do transporte em João Pessoa, com ares de improviso e com uma estrutura que não atende mais satisfatoriamente a demanda da cidade. É notório que o reajuste é necessário, o sistema de transporte não está fora da dinâmica das demais coisas, ainda mais dentro do modelo que vigora. Alguns dizem…tudo sobe mas só se reclama do reajuste do transporte! É verdade, concordo. Mas sentindo o termômetro dentro dos ônibus em conversa paralela e nas paradas de ônibus, percebo que a reclamação que pauta o descontentamento não é simplesmente pagar alguns centavos a mais, mas sim o sentimento de que as semanas, meses e anos passam, mas não é percebido uma melhora no transporte, em alguns casos fica até pior. Nem vou elencar aqui, quem acompanha o portal sabe do que se trata, problemas em várias linhas, sobreposição em corredores e horários, superlotação e demais coisas já foram abordadas.

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Durante o processo de reajuste, uma das coisas que me chamou atenção foi o atual superintendente da Semob afirmar que o número de passageiros de ônibus caiu. Não percebo isso e nem as demais pessoas que utilizam as mais variadas linhas da cidade nos mais variados horários. Sabe quando tu enches o pneu de uma bicicleta até o limite e deixas vazar um pouco de ar, mas ela continua dura e não é percebido tal perda? Talvez esses passageiros evasivos sejam isso. Ou até mesmo os caloteiros. Também, convenhamos, quem tem condições de ter uma moto, carro ou uma carona, estando insatisfeito com o sistema, não passará a se submeter a isso. Os usuários do Grotão, Funcionários, Costa e Silva e adjacências que o digam, pois tiveram suas linhas sabotadas. Os do Bairro das Indústrias, demais áreas do Valentina também mandam lembranças. Sorte que o pessoense é um povo pacífico demais e não passa da fase do descontentamento, e são iludidos por diversos políticos oportunistas que também não passa da fase do barulho para aparecerem em época de reajuste municipal não possui um plano concreto e sólido que possa ser executado a médio e longo prazo. E curioso que alguns desses não se manifestam quando o reajuste interurbano e intermunicipal ocorrem. 

O futuro BRT, que é tido como a solução no futuro virá. Mas se for igual a lambança que ficou na Lagoa, como diz um amigo…#oremos! E a questão de um plano a médio e longo prazo a ser executado (o que seria necessário para implantar um sistema eficiente por vários anos) é um grande problema dentro do modus operandi da nossa política, um fardo republicano que carregamos desde 1889. Raramente existe um projeto que possa ser concretizado por um tempo que perpasse a gestão de quem idealizou e/ou começou a executar, pois o risco de um “inimigo/adversário” político ou de legenda cortar as faixas de inauguração é enorme. E como o ego político pessoal está acima do bem comum, melhor para sua imagem fazer paliativos para deixar como “legado” da sua gestão. Sem a superação desse paradigma existente não teremos mudanças profundas no nosso transporte, tão almejadas por todos.

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Enquanto a Semob atribuir a culpa dos problemas a tudo, tirar seu corpo fora e não chamar a responsabilidade pra si, o movimento estudantil só aparecer na época de reajuste e os políticos não levarem a sério seus mandatos e não trabalharem de verdade para o povo, e claro, o povo continuar a dar calote, continuaremos fardados a fatídica reprise anual.

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