Caio-Induscar lamenta ano difícil e diz que municípios devem priorizar o transporte para uma plena recuperação

De Acontece Botucatu
Imagem JC Barboza / Divulgação

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A Caio Induscar viveu em 2016 um dos piores momentos dos últimos 15 anos, desde a recuperação judicial em 2001, após ter decretada sua falência em dezembro de 2000, quando voltou a operar com força. A recente instabilidade financeira do país atingiu em cheio o ramo de transportes, especialmente o setor de ônibus.

Com os impactos sofridos pela crise política e econômica atual, a empresa teve uma diminuição de produção significativa, de 34 para 12 carrocerias/dia. Somente em 2016 foram 200 funcionários dispensados segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, responsável pelas rescisões.

“O ano de 2016 foi difícil para todo o país, em todos os segmentos, inclusive para o setor automotivo, e o nosso setor produtivo especificamente, o de fabricação de ônibus. As instabilidades política e econômica refletem diretamente no volume de compras por nossos clientes, que não têm tarifas condizentes com seus gastos administrativos e operacionais, além de queda de passageiros transportados, altos juros e dificuldades na obtenção de financiamentos, somados às incertezas sobre a volta da estabilidade em nosso país”, disse ao Acontece Botucatu Mauricio Lourenço da Cunha, diretor industrial da Caio Induscar.

Em dezembro os funcionários votaram pela renovação da jornada reduzida de trabalho, que começa em janeiro e termina em abril. A redução de jornada de trabalho e salário, é flexível, podendo chegar até 25% ao mês. O Grupo Caio Induscar arca com 40% da redução de salário. Por exemplo, se em um mês a redução for de 20% na jornada, o colaborador terá uma redução de salário de 12%, sendo o restante 8%, pago pela empresa, segundo informações da própria diretoria.

Fomento do Governo Temer

A situação delicada da empresa com a redução na jornada pode ser revista, caso o setor apresente sinais de recuperação. Recentemente o governo Michel Temes anunciou que irá disponibilizar uma linha de financiamento de R$ 3 bilhões aos empresários do setor rodoviário com recursos do FGTS.

A medida pretende renovar até 10% da frota de ônibus do sistema de transporte do país. A Caio vê com bons olhos, mas diz que o setor de transporte precisa ser priorizado pelos novos prefeitos que assumem em 01 de janeiro.

“Nós, do grupo Caio Induscar, esperamos realmente que essas notícias se concretizem e o mercado de ônibus possa melhorar. Porém, para que isso aconteça, o Governo precisa ter caixa para liberação do montante divulgado e os novos prefeitos priorizarem o transporte. Também há toda uma burocracia que leva meses para ser resolvida”, disse Maurício Lourenço da Cunha.

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Além disso, o Grupo Caio-Induscar diz que para se renovar a frota e aumentar a demanda por novos pedidos, é preciso o reequilíbrio das empresas de ônibus nos municípios. “Além de financiamentos, é necessário também o acerto de tarifas em várias cidades brasileiras, para que os operadores possam ter empresas saudáveis, com poder de compra e condições de pagar os financiamentos”, finaliza Cunha.

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