Acidente com ônibus e quatro mortos em João Pessoa completa um mês

Fonte: G1 Paraíba
Foto: Divulgação

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Problemas de jornada exaustiva e acúmulo de funções por parte de motoristas de ônibus de transporte público de João Pessoa estão entre as causas dos 39 processos instaurados no Ministério Público do Trabalho da Paraíba entre 2015 e setembro de 2016. O desgaste físico e psicológico dos profissionais nos ônibus urbanos, evidenciado nas denúncias feitas ao MPT, voltou ao debate depois de um acidente envolvendo um ônibus que deixou quatro mortos na capital paraibana completar um mês na terça-feira (11). 

No dia 11 de setembro, um ônibus da linha 3200-Circular invadiu a calçada da Rua Almeida Barreto, no Centro de João Pessoa, e atropelou cinco pessoas. Três morreram no local do acidente, uma morreu três dias depois no hospital e a quinta vítima seguia internada até a sexta-feira (14) após ter uma complicação na cirurgia de correção da fratura no fêmur. Na época do acidente, o motorista do coletivo afirmou ter passado mal e perdido o controle do veículo. A perícia feita pelo Instituto de Polícia Científica (IPC) também na época do acidente, descartou falha mecânica.

De acordo com o Sindicato dos Motoristas da Paraíba, a carga horária diária dos motoristas do ônibus urbanos de João Pessoa é de 7h20, com um intervalo de uma hora. Ainda segundo o sindicato, normalmente não é permitido estender o expediente, mas eventualmente, alguns motoristas acabam fazendo uma hora extra diária. No dia do acidente, um domingo, o motorista do ônibus da linha 3200 havia pegado às 5h e na hora da tragédia, por volta das 13h, fazia sua última viagem.

No total, existem 177 processos registrados no sistema do MPT na Paraíba por irregularidades na jornada de trabalho dos motoristas. Cerca de 11 mil trabalhadores foram beneficiados com os processos.

Arimatéia Batista, irmão de João Batista Pequeno, comentou que o irmão segue sua recuperação com acompanhamento psicológico após ficar muito abalado com o acidente. Ainda segundo Arimatéia, seu irmão segue se recuperando bem, embora evite tocar no assunto. “Após a tragédia, ele ainda tem alguns momentos de tristeza, mas segue se recuperando”, comentou. De acordo com irmão, João Batista Pequeno havia folgado no dia anterior do acidente. “Não tem um horário fixo, todo final de semana muda de acordo com o ônibus. Tem motorista que pega às 4h e só vai sair de tarde. Naquele dia do acidente ele tava fazendo a última viagem”, explicou.

Laudo ainda não está pronto

Após 30 dias do acidente, o laudo pericial do IPC sobre o acidente deve sair até o final de outubro, conforme o chefe do setor de criminalística do instituto, Marcelo Burity. “Conversei com o perito responsável pelo caso e ele me garantiu que o laudo deve ser entregue neste mês de outubro”, comentou. O motorista envolvido no acidente foi ouvido e confirmou que passou mal, teve um apagão e perdeu o controle do ônibus.

A Unitrans, empresa da linha do ônibus dirigido por João Batista Pequeno da Silva, informou que que o funcionário “ficou de licença médica na primeira quinzena após o ocorrido, sendo neste período acompanhado pelos psicólogos da empresa, e depois entrou em gozo de férias, onde permanece até o final de outubro”. “Motorista desde 2012, ele nunca se envolveu em acidentes e não tinha em sua ficha profissional nenhuma reclamação pela sua condução”, destaca em nota.

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (Sintur-JP) também foi procurado, mas o presidente do sindicato, Mário Tourinho não se encontrava no momento do contato.

Sobrevivente voltou a ser internada

Maria de Lourdes Nascimento, de 51 anos, esposa e avó de duas das quatro vítimas mortas, foi informada sobre a morte de parte da família no acidente somente no final do mês de setembro, quando se recuperou das fraturas no braço e na perna decorrentes do atropelamento. Kléber Barros, genro de Maria de Lourdes, explicou que a sogra chegou a receber alta médica, mas precisou retornar ao hospital para tratar de uma infecção na perna que havia fraturado.

“Ela precisou ser internada de novo para fazer um procedimento de raspagem. Ela ficou sabendo da morte do marido e da neta logo após concluir as cirurgias, com uma equipe médica junto. Ela está reagindo bem, se conformou”, relatou Kléber. Ainda de acordo com o genro, ainda não há previsão de alta.

No acidente morreram Francisco Vitorino, de 72 anos, Ana Larissa Silva Nascimento da Costa, de 8 anos, esposo e neto de Maria de Lourdes, Jesser Dias dos Santos, de 40 anos, que estava com a família no momento do acidente, e Alex dos Santos Silva, de 27 anos, que passava pela Rua Almeida Barreto quando o ônibus invadiu a calçada.

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