Metalúrgicos de Erechim querem anular 850 demissões em montadora de ônibus

Fonte: Sul21
Fotos: Thiago Martins de Souza

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Em assembleia realizada na segunda-feira (5), o Sindicato dos Metalúrgicos de Erechim assumiu a posição de pedir a anulação da demissão de 850 trabalhadores da montadora de ônibus Comil, sediada na cidade. A empresa anunciou a demissão em massa na última quinta-feira (1). Os sindicalistas alegam, no entanto, que o processo foi irregular uma vez que a Comil teria desrespeitado um compromisso firmado com o Ministério Público do Trabalho por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que prevê que todas as demissões coletivas precisam ser negociadas com o sindicato.

Em reunião na manhã de ontem, o procurador Roger Villarinho, do Ministério Público do Trabalho de Passo Fundo, deu prazo até o meio dia de hoje para a Comil apresentar uma proposta de negociação com os trabalhadores. De acordo com Fábio Adamczuzk, presidente do sindicato, a posição tomada em assembleia também deve ser informada ao MPT nesta manhã.

Adamczuzk alega que a empresa anunciou as demissões em meio a reuniões com o sindicato. “O representante da empresa disse na audiência que a lista dos empregados que seriam demitidos começou a ser preparada no dia 29 de agosto, no mesmo dia em que fomos comunicados que haveriam demissões e que os trabalhadores foram dispensados do trabalho por três dias. Isso confirma que a Comil simulou uma negociação com o Sindicato”, diz.

A proposta da Comil é fazer o pagamento aos trabalhadores das rescisões em 24 vezes, com parcelas de, no mínimo, um salário mínimo por mês. Já a categoria estava discutindo critérios como a empresa oferecer um plano de demissão voluntária, demitir primeiro os que têm outra renda, assegurar o emprego de pelo menos um membro da família no caso de várias haver várias pessoas da mesma família trabalhando na empresa, priorizar o emprego para os que estão próximos da aposentadoria e os que têm problemas de saúde.

Adamczuzk diz que o sindicato estava ciente da proposta da Comil e de que o processo estava em andamento, mas afirmoa que ainda não estava definido. “Sindicato e trabalhadores estavam cientes das 850 demissões, e reuniões estavam sendo realizadas para tratar o caso. No entanto, fomos surpreendidos com as demissões sem nenhum critério logo em seguida. Entendemos que a empresa precisa demitir para manter o emprego de pelo menos metade dos contratados, mas queremos discutir os critérios”, afirma.

O Sindicato também questiona a alegação da empresa de que as demissões foram provocadas somente pela crise econômica. Segundo eles, dados mostram que a Marcopolo, empresa do mesmo setor, apresentou um crescimento de 16% no segundo trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Na Marcopolo, o lucro líquido, segundo o Jornal Valor Econômico, foi de R$ 42,9 milhões de abril a junho deste ano.

Revolta

A assembleia desta segunda contou com a participação de cerca de 550 trabalhadores – a empresa tem 1,8 mil trabalhadores no total. Para os trabalhadores comunicados da dispensa, a sensação era de revolta e de humilhação.

“Temos um filho de quatro anos, o financiamento da casa para pagar e a nossa renda caiu para zero”, disse Marli Basso, que perdeu o emprego no mesmo dia do marido Ederson.

Dulce Fuzinato também trabalhava há oito anos na empresa e diz que se sentiu humilhada com a forma como as demissões aconteceram. “Separaram a gente em grupos: os que iriam ficar de um lado e os que iriam sair de outro”, disse.

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