Aficionados por ônibus formaram até uma confraria do meio de transporte

Fonte:
Hoje em dia
Matéria / Texto: Vanessa Perroni
Fotos / Vídeo: Divulgação


Modelo Ciferal com chassi Mercedes Benz, ano 1976, todinho reformado


Há um tempo, eles eram chamados
busólogos, denominação para estudiosos de ônibus. Isso existe, caro leitor,
mesmo que você nunca tenha ouvido o termo. Porém, para esses apreciadores do
meio de transporte, a designação já caiu em desuso.

“Somos admiradores desse tipo de veículo”, declara
o jornalista Bruno Freitas, de 30 anos, fundador da Confraria do Ônibus de BH,
grupo que reúne aficionados por ônibus de várias partes de Minas.

A maioria deles carrega a paixão desde a infância
e, atualmente, participam de encontros de modelos antigos e movimentam as redes
sociais. No Facebook, eles são mais de 600, sem contar o grupo no WhatsApp, no
qual trocam informações sobre o setor, lançamentos do mercado, fazem seminários
sobre o assunto e marcam os encontros da turma.

Eles não apenas admiram, como gostam de usufruir
do meio de transporte. “O ônibus convencional no Brasil é desconfortável, mas
os de viagem são muito bons”, comenta Bruno, que considera o Move uma evolução
do setor em BH.

Em casa, o rapaz guarda cerca de 40 miniaturas de
ônibus em materiais como madeira, metal e papel. Mas não é só isso. “Tenho um
acervo de 30 mil fotos de ônibus de todo o mundo”, garante.
O primeiro encontro do grupo aconteceu em julho do
ano passado, em Itaúna, com cerca de 20 modelos antigos. “Nós temos por hobby
de resgatar a história do transporte em Minas”. Encontros nacionais ocorrem a
cada dois anos.

Paixão que vem da infância

Quando criança, o empresário Julio Cesar Diniz, de
57 anos, sempre reparava em como os motoristas de ônibus se cumprimentavam e
nos modelos dos veículos quando saía de Belo Vale, na região Central de Minas,
rumo a capital.
“Na época, todas as vezes que vínhamos para BH
tinha que ser de ônibus. E eu era encantado com isso”, rememora o empresário,
que acabou se tornando dono de uma grande frota, e atualmente reforma três
modelos antigos e emblemáticos, como o Mercedes-Benz Ciferal de 1976.

A paixão, além de levá-lo a trabalhar com o meio
de transporte, o aproximou de pessoas com gostos em comum. “Isso é natural. Até
que fui convidado pelo Bruno a criarmos a Confraria do Ônibus”, conta.
Assim como os colegas, ele também possui um
arquivo com fotos de modelos diferentes, mas que ele mesmo fotografa. São cerca
de 500 imagens feitas desde sua primeira viagem internacional há mais de 30
anos.

Integrantes da Confraria do Ônibus e as miniaturas de suas coleções. Foto: Flávio Tavares/Hoje em Dia

Miniaturas e acervo
 
Na vida do motorista Eugênio Ilzo, de 46 anos, de
Divinópolis, tudo começou quando tinha apenas nove anos de idade. “Meu pai
trabalhava em borracharia, atendia empresas de ônibus e eu o acompanhava”,
lembra. As idas até a garagem onde ficavam os veículos despertaram em Eugênio a
vontade de desenhar. “Comecei assim. Desenhava no papel e colava na madeira.
Comercializava entre os motoristas”, descreve.
 
Durante 23 anos dividiu sua rotina em trabalhar
como motorista de ônibus, fazer miniaturas e projetos de pintura para as
empresas. Atualmente ele prioriza as duas últimas funções. “Hoje é raro eu
pegar uma viagem. Mas para não perder o costume às vezes faço alguma”, comenta
o motorista que possui aproximadamente 200 mil fotos de ônibus, sendo 90% de
sua autoria e 50 mil delas reveladas. Sem contar o acervo de 200 revistas sobre
o tema.

O que no começo era pura brincadeira de criança
acabou se tornando negócio. Eugênio já mandou miniaturas até para a África. “Já
vendi para colecionadores do Panamá, Peru, México, Argentina, Chile e
Inglaterra”, enumera.
 
Fixação se transforma em trabalho de design

O designer André Orandi, de 28 anos, já tentou
lembrar quando iniciou essa paixão por ônibus, mas o esforço foi em vão. “Meu
pai viajava muito. Sempre ia com ele até a rodoviária e ficava reparando nos
modelos para chegar em casa e desenhar. Isso aos cinco anos de idade”, rememora
o rapaz.
 
Tudo se intensificou quando ele ganhou um
computador. “Navegando na internet vi sites sobre o assunto e encontrei pessoas
que também gostavam de ônibus, que é algo bem peculiar”, conta André, que na
adolescência não revelava aos amigos que tinha esse hobby. “Tinha vergonha
porque parecia algo de menino bobo”, se diverte.

André mostra orgulhoso seu projeto de conclusão de curso pautado nos ônibus. Foto: Frederico Haikal/Hoje em Dia

Futuro
 
O passatempo ficou sério e se tornou um projeto de
pintura e identidade visual para ônibus. O meio de transporte foi o mote para o
trabalho de conclusão do curso de Designer.


“Fiz um projeto sobre o sistema de comunicação dos
ônibus de Belo Horizonte. Foi uma ideia para falar do que eu gosto e contribuir
para a sociedade”, justifica.
 
No projeto, André descobriu que a população, na
maioria das vezes, não sabe como funciona o sistema de códigos, que engloba as
cores dos ônibus e siglas que carregam. “Por enquanto são projetos, espero um
dia concretizar tudo isso”, almeja.

Enquanto isso não acontece, André segue com as
pinturas e acompanha a turma da Confraria do Ônibus nas redes sociais. “Não vou
muito aos encontros, mas sigo a turma virtualmente”, conta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Este conteúdo é protegido.