Os obstáculos do cadeirante no transporte público

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Texto: Kristofer Oliveira
Foto: Josivandro Avelar

Na última sexta-feira (15/01) presenciei um momento que me deixou
indignado e ter o conhecimento do quanto certas regras implicam em atos
de cidadania e respeito ao próximo, ações tão urgentes e necessárias no
atual momento em que o individualismo e o egoísmo reinam.

Seguindo
minha rotina nos dias úteis, larguei do trabalho e fui pegar o ônibus
na Praça Pedro Américo e vi justamente um ônibus da linha que eu pego – a
204 – parado com o operador do veículo (o termo mais atual dentro da
concepção de que o motorista não apenas dirige o veículo, mas cobra a
passagem, libera a catraca, opera o elevador de cadeirantes e também é
responsável por manter a paz e a harmonia no
recinto) tentando embarcar um cadeirante sem sucesso, pois o elevador
não estava funcionando. Mediante a frustração no insucesso da operação, e
até com ar de constrangimento de supostamente “atrapalhar” a viagem do
ônibus, o cadeirante manifestou interesse em pegar outro veículo, mas
tanto eu como algumas pessoas não deixamos e nos oferecemos em colocá-lo
dentro do veículo. Aí é que vem a surpresa…

Quando o operador
ouviu isso, nos pediu paciência e disse que tentaria outra vez, e mais
uma vez o a plataforma não dava sinal de vida. Mais uma vez insistimos
em embarcá-lo, eis que soubemos do seguinte: a
Semob não permite o embarque de cadeirante sem ser pela plataforma
elevatória, pois caso isso ocorra, tanto o motorista como o veículo são
multados
!

Após ouvir isso do operador, os ânimos ficaram
alterados e falamos que o ônibus só sairia com o cadeirante
embarcado, que o mesmo não tinha culpa de a Transnacional não fazer
manutenção preventiva nos seus veículos e a Semob não vistoriá-los
ostensivamente, e que não era nada pessoal com o motorista. Por milagre
ou não, o aparelho começou a funcionar e o embarque ocorreu com sucesso,
assim como o desembarque do mesmo.

Além de todos os problemas
que temos no nosso sistema, cujo trunfo é apenas a idade média da frota,
tem mais essa do cadeirante ser penalizado caso o elevador esteja
danificado. Não importa se o mesmo ficaria ao relento sob sol ou chuva,
dia ou noite, se fosse a última viagem da linha ou não, e se até mesmo a
linha tivesse apenas um veículo. Em época de inclusão social, tal regra
presta um grande desserviço a sociedade, sem levar em conta a boa
vontade das pessoas em embarcá-lo e desembarcá-lo.

Não citarei o
número de ordem do veículo e tampouco o nome do operador, pois como
tenho ciência de que a corda
sempre arrebenta do lado mais fraco, não quero que o mesmo sofra
represália. Costumo pegar ônibus com ele não tenho do que se queixar
quanto a sua postura profissional, além de saber que o mesmo segue
ordem. Também espero que quem criou tal norma não venha um dia depender
de transporte coletivo sendo cadeirante ou que tenha algum parente que
passe pela mesma situação.

Fica aqui registrado o incidente e o espaço garantido ao direito de resposta caso a Semob, AETC ou Unitrans queira fazer.

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