O transporte coletivo passa por crise maior que a do país

Fonte: News Comunicação
Fotos: Kristofer Oliveira


A população brasileira não se acha apenas perplexa diante da atual crise econômica do país. Ela é diretamente atingida por essa crise e com maior intensidade sofre suas consequências, ficando ainda mais preocupada diante dos índices inflacionários mensais já superando a casa dos 10%. Entretanto, no contexto dessa crise há um setor que tem sido mais afetado, tendo em vista que têm de ser mantidas suas obrigações de disponibilizar veículos para os deslocamentos diários da população, seja com os mesmos quantitativos de passageiros, seja diante também da abrupta queda nos números desses clientes transportados. E sem um quantitativo adequado de passageiros para pagar as respectivas tarifas, por óbvio há um desequilíbrio econômico-financeiro e isto acarreta a precarização ou insustentabilidade dos serviços.

Por muitos anos o país incentivou o uso e a aquisição de veículo individual, proporcionando descontos ou isenções de impostos. E, por outro lado, nada ou muito pouco fez em favor do transporte público coletivo, seja mediante isenções tributárias ou subsídios governamentais, seja com investimentos na infraestrutura para a circulação dos ônibus.

Resultado disso é que as cidades estão semi-paradas, vez que as ruas e avenidas encontram-se quase sempre congestionadas e no meio delas estão os veículos do transporte coletivo, também semi-parados. Com isso, os ônibus que tempos atrás conseguiam realizar 10 a 12 viagens por jornada, hoje, com os atrasos em seus tempos face aos congestionamentos, quando muito realizam conseguem fazer sete viagens. “Estes fatos acarretam, de um lado, aumento nos custos operacionais, e, de outro lado, mais reclamações por parte dos passageiros pelos atrasos dos ônibus”, explica o diretor institucional do Sindicato das Empresas de Transportes Coletivos Urbanos de João Pessoa (Sintur-JP), Mário Tourinho.

Ainda segundo Mário, a cidade de Blumenau constitui-se em um dos principais pólos industriais, tecnológicos e universitários de Santa Catarina. A tarifa de transporte coletivo de lá R$ 3,30, prestes a ser reajustada. “Mesmo com o preço da passagem nesse nível, a crise atingiu tanto o setor que,  os operadores do transporte coletivo entraram em greve por falta de pagamento do 13º salários, num evidente sinal de desequilíbrio econômico-financeiro”, explica Mário.

Tarifas no Brasil

De acordo com dados levantados pela NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), dez níveis tarifários são os mais elevados dentre as capitais brasileiras e praticados em 18 dessas capitais. São Paulo ainda está com tarifa de R$ 3,50 mesmo que o governo subsidie mais R$ 1,26. No Rio de Janeiro e Belo Horizonte a tarifa ainda vigente é de R$ 3,40. O valor de R$ 3,30 está ainda sendo praticado em Goiânia e Curitiba, sendo que igual preço já está fixado para Salvador a partir do próximo dia 2. Em Porto Alegre e em Campo Grande o valor vigente é de R$ 3,25. Quanto à tarifa de Cuiabá e Florianópolis o preço é de R$ 3,10. Em Manaus e Brasília vigora o preço de R$ 3,00. Em Palmas é de R$ 2,95. Rio Branco está em R$ 2,90. Já em Boa Vista a passagem custa R$ 2,90. Em Maceió e Fortaleza, assim como em Macapá, ainda está em R$ 2,75.


Mesmo em capitais incluídas entre as de maiores tarifas, cujos preços estão entre R$ 2,75 e R$ 3,50, há casos de subsídios e isenções tributárias. Sem dúvida, a de maior volume é São Paulo cujos subsídios anuais chegam a quase R$ 2 bilhões, além de haver isenção total do ISS e redução na alíquota do ICMS do óleo diesel utilizado no transporte coletivo. “Em Brasília, além de isenção total do ISS e do ICMS, há subsídio governamental também. Aliás, em capitais como Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Macapá, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Teresina e Vitória, em menor ou maior proporção, o setor de transporte coletivo é contemplado com isenções tributárias e/ou subsídios governamentais”, destaca o diretor do Sintur-JP, lembrando que “mesmo assim o desequilíbrio econômico-financeiro tem sido contrário às empresas operadoras do serviço principalmente pela falta de melhor estrutura viária específica para a circulação dos ônibus”.  Ou seja, a tarifa é cara para quem paga e insuficiente para manter o equilíbrio entre receita e despesa. “O transporte coletivo passa por uma crise maior que a do país e, infelizmente, ainda  tem gente pensando que isso é apenas conversa de empresário”, finaliza Mário Tourinho.

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