Carta de Camilo Cola

Fonte: Mobilidade em Foco
Texto: Carlos Alberto Ribeiro
Fotos: Acervo Paraíba Bus Team

Gostaria de começar lembrando a minha infância. Quando sossegado, fazia os meus pequenos negócios. Acho que foi nessa ocasião que comecei a desenvolver o gosto e as qualidades de empresário. A experiência vivida na Força Expedicionária Brasileira (FEB), durante a Segunda Guerra Mundial, despertou a minha disciplina, o meu desejo empreendedor e, ao voltar, comecei a construir a Itapemirim. Não percebi, mais já se passaram 92 anos de vida. São anos de contato diário e intenso com o dia-a-dia da empresa, funcionários. São 92 anos aprendendo com as queixas e sugestões dos nossos passageiros, o que, sem qualquer dúvida, muito contribuiu para atingir a excelência na qualidade da nossa prestação de serviços.

São 92 anos ensinando e aprendendo lições com os nossos colaboradores. Percorremos inúmeras vezes 70% do território nacional, levando e trazendo sonhos, riquezas, mudanças. Acreditamos no crescimento do país e queremos ajudar cortando estradas e abrindo caminhos para os brasileiros. Continuando minha caminhada pelas memórias que amealhei ao longo de praticamente um século, não posso deixar de registrar a importância de ter constituído uma bela família que me proporcionou incentivo, segurança e tranqüilidade para trabalhar. Posso vê-los atualmente assumindo responsabilidades dentro da empresa, e fiquem certos de que eles trabalhem bem, afinal a supervisão e o meu exemplo estarão sempre presentes em cada uma de suas decisões.

Essa é a Viação Itapemirim. Uma empresa familiar, que cresceu familiar e tem como parceiros os amigos e os seus clientes. Afinal, foram eles que acreditaram na Itapemirim e permitiram o seu crescimento (Camilo Cola, diretor presidente). Fonte: Página no Facebook “Viação Itapemirim Memmorium”. Obs.: uma bonita mensagem para se comemorar os 92 anos de vida do empresário Camilo Cola, fundador da Viação Itapemirim, por muitos anos, de 1970 a 2010, a maior empresa de transporte rodoviário de passageiros do Brasil e da América Latina, título que pertence há cinco anos a 1001.

Alguns equívocos por parte de quem redigiu poderia ter sido habilmente contornado e enfatizado as muitas qualidades e virtudes de Camilo Cola. A primeira diz respeito ao fato de que ele disse que são 92 anos aprendendo com as queixas e sugestões dos passageiros. Não foi. Ele não começou a dirigir a empresa desde o primeiro mês de nascimento. Pelo contrário, a fundação da Itapemirim deu-se alguns anos após ele ter voltado da Segunda Guerra Mundial. Portanto, já estava com algo em torno de 23 a 25 anos de idade. O segundo equívoco ocorre quando dá ênfase a fala de que o empresário vê os membros de primeiro grau de sua família assumindo responsabilidades dentro da empresa.

E que todos fiquem certos de que eles trabalham bem, afinal a supervisão e o exemplo dele (pai) está presente nas decisões tomadas. Muito pelo contrário, já fartamente debatido na imprensa escrita (jornais e revistas), nos telejornais, na mídia eletrônica, redes sociais como os blogs e fanpages do Facebook (grupos e páginas), que a desunião prevaleceu, os interesses não convergiram para um mesmo “norte” e o resultado de tudo isso culminou no endividamento crescente da Viação Itapemirim, cujo balanço financeiro começou a apresentar seguidos déficits, consumindo o capital de giro e levando o grupo a se desfazer de ativos importantes ao longo dos anos para cobrir a falta de liquidez. As desavenças familiares, disputa judicial entre pai e irmão (aliados) versus a irmã, já é fato público e notório. E a percepção passada da celeuma nos remete ao prejuízo da irmã de Camilo Cola Filho, prejudicada no testamento deixado pela sua falecida mãe.

E sequer a parte que lhe cabe por parte materna foi a ela repassado até o momento. Pelo contrário, até mandado de busca e apreensão de bens já ocorreu para garantir a sua parte nos bens do grupo. Uma empresa que vem se desfazendo de ativos desde 1998, quando vendeu quase 200 ônibus e dezenas de linhas para à Viação Águia Branca e a Auto Viação Catarinense, não pode tudo estar a mil maravilhas. De lá para cá, outros ativos importantes foram vendidos para fazer caixa e capitalizar a empresa. A última grande venda ocorreu para a Kaissara, nova empresa surgida do dia para a noite e que abocanhou praticamente tudo de bom que ainda a Itapemirim tinha, ônibus novos e linhas com boa demanda de passageiros.

Até devemos parabenizar Camilo Cola pelo aniversário e a trajetória empresarial brilhante. Mas ao mesmo tempo lamentamos alguns erros de grande monta que podem levar a Itapemirim a sair de cena e entrar para a história como mais uma que se foi. Como tantas outras ao longo da história. Cito aqui as catarinenses Rex e as paranaenses Vale do Iguaçu e Sulamericana. Mas são dezenas ao longo dos anos. E quis o destino que, talvez a maior de todas, de uma história tão brilhante, que tanto colaborou para o progresso do Brasil levando e trazendo milhares de pessoas e toneladas de mercadorias ao longo de décadas de atuação, venha a se retirar definitivamente das estradas e rodoviárias num futuro cada vez mais próximo.

0 Replies to “Carta de Camilo Cola”

  1. Eu tinha conhecimento que quando ele chegou da segunda guerra, com o que ganhou do governo federal, ele comprou um caminhão, dotou de bancos e transportava pessoas de Cachoeiro para vitoria e vice versa. Mais tarde, ele comprou uma pequena empresa de ônibus, mas ai, ele já tinha uma frota de caminhões transporte de passageiros cobertos de lona, que ele desfez em razão da linha de ônibus. É o que sei através de meu pai, que nasceu em 1915.Morava na grande vitoria, nascido em Anchieta. Mas, temos que tirar o chapéu para o senhor Camilo Cola- Batalhador, sem medir esforços. Parabéns. ruy jarbas lamas simoes

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