Empresas apoiam greve dos motoristas para barganhar reajuste de tarifas

por:

GreveJoão PessoaÔnibus UrbanosParaíba

Fonte:
Turismo em Foco
Texto: Fábio Cardoso
Foto: Thiago Martins de Souza




Os motoristas e cobradores de ônibus de João Pessoa entrarão greve geral e por
tempo indeterminado a partir de terça-feira (07). A categoria negocia reajuste
salarial com os empresários do setor e pede 12%, enquanto as empresas oferecem
metade (6%). Também não há acordo em relação ao valor pago pelo ticket
alimentação.

As discussões sobre os reajustes dos motoristas e cobradores sempre passaram a
impressão de cenas de teatro. Poucos acreditam na legalidade das greves no
sentido de um trabalho de convencimento entre as duas partes. Sempre que há
essas negociações os usuários de transportes coletivos da capital paraibana se
tremem, porque serão eles que vão bancar esse aumento.


Desta vez a sincronia entre os dois lados chegou às raias do incompreensível. O
anúncio à imprensa paraibana sobre a greve partiu justamente da assessoria de
comunicação dos empresários. Como assim? Os empresários é quem informam da
greve de seus empregados?

Na realidade, na nota distribuída à imprensa, as empresas relatam as tentativas
de negociação com o sindicato, mas se prende a buscar justificativas para não
aceitar a proposta da categoria, mas, ao mesmo tempo e de forma premeditada,
anuncia que esse reajuste – que acontecerá de qualquer forma – irá impactar no
valor das tarifas. Hoje, o usuário paga R$ 2,45 para usufruir dos ônibus na
capital paraibana.

Os patrões deixam claro que apoiam a greve, porque ela servirá de argumento
forte para que a Prefeitura, por meio do Conselho Tarifário, se convença da
necessidade e autorize um reajuste das tarifas. Na nota, o patronato até cita
as tarifas de cidades vizinhas, indicando o valor das tarifas praticadas.

O certo é que milhares de usuários de transportes públicos, trabalhadores,
serão os maiores prejudicados. Na terça-feira, como irão trabalhar? 

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