Cinco perguntas e respostas sobre o transporte coletivo na RMR

Fonte:
JC online

Texto: Amanda Miranda
Fotos: JC Barboza / Divulgação


Não são poucos os questionamentos dos usuários de
transporte coletivo na Região Metropolitana do Recife (RMR), onde o sistema é
tão falho. Atrasos, ausência de articulação entre os modais, investimento de
dinheiro público sem retorno para a população. Esses são só alguns dos
problemas que geram dúvidas.

O JC Trânsito procurou o Grande Recife Consórcio de Transportes e a
Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), além de matérias publicadas pelo
Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) abordando o tema, para
responder a cinco delas.

Quem está em Casa Forte, na Zona Norte, e quer
chegar a Boa Viagem, na Zona Sul, realmente não tem como pegar só um ônibus, o
que é motivo de muita reclamação.
 
O Grande Recife Consórcio de Transportes alega que
os passageiros devem recorrer aos terminais
integrados
para não pagar mais de uma passagem nesses trajetos. No
entanto, os próprios terminais também são alvo da indignação dos usuários. Filas grandes
e ônibus lotados
 , destacam os passageiros, fazem parte da
rotina dos TIs e dos veículos que circulam por esses lugares.

A partir deste sábado (6), será possível ir do Parque da Macaxeira ao Pina, com
linha opcional
Apipucos/RioMar
 , mas isso é insuficiente, ao custo R$ 4,60.

Uma rota possível para o exemplo entre Casa Forte e Boa Viagem é pegar a linha
Alto Santa Isabel na Avenida 17 de Agosto, descer no Derby e pegar a
Aeroporto/Tacaruna – outras podem ser conferidas em aplicativos como o Moovit.
Com sorte e sem engarrafamento, o que é muito difícil, o trajeto é feito em 40
minutos.

O Grande Recife Consórcio afirma que 194
facilitadores de acesso ficam nos terminais integrados de maior demanda, como
Barro, na Zona Oeste, e Macaxeira, na Zona Norte. Policiais
militares também ficam distribuídos por esses terminais nos horários de pico

. Porém, essas ações não têm resultados efetivos.

Nesse caso, no entanto, os próprios passageiros podem contribuir respeitando as
filas. Cerca de 250 mil pessoas passam por esses TIs.

Três anos após o fracasso para
informar aos usuários o horário dos ônibus
na Região Metropolitana,
o Grande Recife Consórcio está em fase de
testes para instalar um novo sistema
. A promessa é de que ele
esteja disponível para os passageiros até o fim do ano, através de painéis de
LCD instalados nos terminais, aplicativo de celular e do site do órgão.

Em 2012, o Sistema Inteligente de Monitoramento da Operação (Simop) durou 18
dias, até apresentar falhas e o Governo de Pernambuco rescindir o contrato de
R$ 20 milhões com as empresas Cittati, Midiavox, Cercap.

A nova licitação, vencida no início do ano passado pela espanhola Etra,
responsável pelo sistema de ônibus de Bogotá, na Colômbia, duplicou o
investimento, que agora é de R$ 40,2 milhões. O Grande Recife Consórcio alega
que o monitoramento agora será maior, permitindo, além da prestação do serviço
aos usuários, o planejamento e a fiscalização dos ônibus.

A ideia é que esse sistema possa verificar as 26 mil viagens realizadas pelos
três mil ônibus que circulam na RMR, coibindo práticas irregulares, como o
hábito que alguns motoristas têm de andar em comboio. Além disso, em casos de
quebra dos veículos, por exemplo, será possível acionar a empresa
imediatamente. Resta saber se agora vai sair do papel e, principalmente, durar.

A licitação
para os novos veículos prevê alguns deles com ar-condicionado
: os
BRTs (Bus Rapid Transit); os do tipo padrão especial, como o que circula na
linha Aeroporto (Opcional); e os ônibus articulados de linhas troncais, que são
aquelas que vão dos terminais para o Centro.

O processo foi dividido em sete lotes, dos quais apenas o 1 e o 2 foram
licitados, assinados e já estão nas ruas. Esses grupos correspondem aos
corredores Norte/Sul e Leste/Oeste do BRT, além de ônibus que trafegam em
Olinda, na Região Metropolitana, e de linhas alimentadoras, que trazem os
usuários do subúrbio até o terminal integrado mais próximo. Deles, apenas os
BRTs são refrigerados.

Os contratos de 3 a 7, que compreendem corredores como as avenidas Norte,
Abdias de Carvalho e Domingos Ferreira, ainda estão sendo revistos antes de
serem assinados. As alterações deverão passar pela ampliação do prazo para
aquisição de parte da frota de ônibus com ar-condicionado e pela flexibilização
das exigências dos modelos de veículos que serão adquiridos.

Não há previsão de quando esses lotes chegarão às ruas – os poucos veículos que
estão sendo vistos com ar-condicionado, entre eles alguns das linhas Avenida
Norte (Macaxeira) fazem parte da renovação de frota feita de forma independente
pelas empresas, se antecipando à licitação.

Completando 30 anos com
apenas três linhas
, que não chegam a esses lugares, o metrô não tem
previsão de expansão. Por enquanto, continuará ligando apenas a área central do
Recife a Camaragibe e a Jaboatão dos Guararapes na linha Centro, que tem dois
ramais; na Sul, o Largo da Paz, na Zona Oeste, a Cajueiro Seco em Jaboatão; e,
na Diesel, essa estação ao Cabo de Santo Agostinho.

No entanto, segundo a CBTU, este é um desejo da empresa, que tem algumas
propostas. No Recife, novas linhas sairiam da Avenida Agamenon Magalhães até a
PE-15, na Avenida Norte, do aeroporto até o Terminal Integrado da Macaxeira e
do Largo da Paz até a sede da prefeitura. Há ainda a ideia de uma linha para
Suape e outra passando em São Lourenço da Mata.

Em nota, a Companhia afirmou que, para fazer os estudos e ampliar o modal, é
preciso alinhar esses planos aos do Governo de Pernambuco, que forneceria
recursos e infraestrutura para isso. O Estado e a União passam, entretanto, por
um período de redução nos investimentos – e os recursos não foram
disponibilizados antes também.

Apesar de mais rápido e confortável que o sistema de ônibus, enquanto eles
atendem 1,7 milhão passageiros por dia, os trens transportam 400 mil – 260 mil
na Centro e 120 mil na Sul, as duas maiores. Veja o mapa dos locais atendidos:

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