“Transporte público não pode ser máquina de arrecadação do governo”, adverte Federação

Fonte:
Cândido Nóbrega / Assessoria de comunicação
Fotos: Gustavo Bayde


O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do
Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras, criticou o fim da desoneração na
folha de pagamento das empresas do setor, proposto pelo governo federal.
 Ele considerou um absurdo a falta de discussão quanto à mudança e disse
esperar que o Congresso Nacional não se posicione de forma subserviente quanto
ao assunto.

“Como
é que se pode acreditar num País onde as regras mudam a cada seis meses
?”, indagou, para em seguida lembrar que isso é muito ruim para o
segmento de transporte, pois representa um custo muito pesado, já que a
folha importa em 42% do total de despesas e as tarifas precisam ser
diminuídas, diante da concorrência predatória e desleal dos transportes
clandestinos, bem como da falta de dinheiro da população.
 
Para
Eudo, esse é o mal do transporte público no país, a falta de coragem de se
encarar, priorizar, subsidiar o transporte, porque o mundo inteiro faz isso e
não é nada especial para o setor. “Não pedimos nada para nós, até porque
quando falamos em desoneração do óleo diesel, da folha, tudo é para ser
deduzido da tarifa, não vem para o empresário”, lembrou, advertindo que o
transporte público não pode ser máquina de arrecadação do governo e sim um
processo de sua extensão, de benefício à população
 
Climatização
 
Quanto
à implantação de ar-condicionado nos ônibus, o presidente da Fetronor disse
ser possível, bem como ônibus circulando na madrugada e outras
reivindicações que têm surgido de parlamentares e usuários. Ele ressaltou,
porém, se a população terá condições de pagar e se as empresas conseguirão isso
para ter um transporte de qualidade. “Todo benefício para a população é
válido, mas alguém tem que pagar a conta. Se houver subsídio ou outra forma de
incentivo, será feito”. 


Por fim, ele previu que a troca do combustível pela matriz energética é uma
mudança que ocorrerá a longo prazo, apesar de atualmente ser utilizado um
óleo diesel S10,  menos poluente, de melhor qualidade e desempenho.
“Não acredito em nada inferior a uma ou duas décadas, mas é algo que
irá acontecer”, concluiu.

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