Um ano de aprendizado

Fonte: Mais PB
Matéria / Texto: Mário Tourinho
Foto: Rodrigo Gomes


O empresário Max Lopes, da Empresa Marcos da Silva
(do transporte coletivo de João Pessoa), foi quem nos chamou a atenção para o
editorial da mais recente revista Viajante, uma publicação bimensal da
Marcopolo S/A. Esta empresa é uma das maiores encarroçadoras de ônibus do
mundo, nascida em Caxias do Sul/RS, portanto aqui no território brasileiro, e
que hoje já tem fábrica em oito países (África do Sul, Argentina, China,
Colômbia, Egito, Índia, México e, claro, Brasil).

O referido editorial titulado “Um ano de aprendizado e persistência” é assinado
pelo diretor de operações comerciais e marketing da Marcopolo, Paulo Corso.
Nele, ao enfatizar que já se sabia que 2014 seria um ano difícil, Paulo Corso
destaca, porém, que não se imaginava “que seria tão atípico, com tantos
momentos conturbados e tamanhas indefinições que acabariam afetando sensível e
drasticamente a indústria brasileira de ônibus”, inclusive empresas que, como a
Marcopolo, trabalha utilizando-se do “planejamento com pés no chão” – assim
dito por Paulo Corso.


O diretor da Marcopolo igualmente registra que sua empresa fechou o ano 2014
com menos de 30 mil unidades produzidas. Nessa queda de produção estão também
os ônibus urbanos, bem menos adquiridos pelas empresas de transporte coletivo
das cidades brasileiras. E diz Paulo Corso: “A demora nas correções das tarifas
retardou a renovação das frotas”.

Essas colocações do diretor da Marcopolo remete-nos à recente declaração que
fez o presidente da Frente Nacional de Prefeitos, José Fortunati, prefeito de
Porto Alegre/RS: “Se congelarmos as tarifas, nós começamos a sucatear o
sistema”. E como houve esse retardamento de reajuste tarifário como ponderado
por Paulo Corso, a maioria das empresas do transporte coletivo urbano não
conseguiu renovar a frota, significando seu envelhecimento (ou sucateamento),
repercutindo na baixa da qualidade do serviço prestado à população.

E quando a população passa a reclamar da qualidade dos serviços prestados, a
queixa principal é contra as respectivas Prefeituras, que, como poder
concedente, são as gerentes, as responsáveis diretas pela gestão do serviço
público de transporte coletivo urbano. E nessa gestão de um setor que é
essencial para as cidades, é preciso que se garanta o equilíbrio
econômico-financeiro para a prestação de um serviço em nível satisfatório, o
que só se consegue mediante a fixação de uma tarifa adequada e/ou subsídios
governamentais, como faz o município de São Paulo que financia quase 30% do
preço da passagem, além da desoneração dos impostos que incidiam sobre o
serviço, afora a desoneração do ICMS que o Estado fez em relação ao óleo diesel
consumido pelo sistema.

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