Ônibus urbano da Scania é movido a… titica de galinha

Fonte:
O Globo        
Matéria / Texto: Fernando Miragaya
Foto: Divulgação


Um ônibus movido a titica de galinha… Não é
piada: é uma realidade na Europa, que chega ao Brasil oficialmente esta semana.
Em parceria com a Itaipu Binacional, a Scania apresenta um ônibus movido a
biometano, um biogás produzido a partir dos dejetos das penosas.

A ideia surgiu ano passado, quando o fabricante
trouxe, da Suécia, o chassi 6×2 da linha K movido a gás natural veicular.
Itaipu, que já produzia biometano para geração de eletricidade e combustível,
fechou a parceria com o fabricante.
 
O motor traseiro de cinco cilindros e 9,0 litros é
ciclo Otto e foi projetado para queimar GNV. Ganhou câmara de combustão
especial, que não deixa resíduos de metano e queima 100% do combustível.
 
Com isso, e mais um mapeamento eletrônico
diferente, a Scania conseguiu ter, no propulsor, força em baixas rotações e uma
curva de torque similar à de um ciclo Diesel.
 
O nível de pureza do biometano também ajuda. O
processo todo começa na Granja Haacke, em Santa Helena (PR), a 100km da Usina
de Itaipu.
 
Lá, 180 mil galinhas garantem a produção de ovos e
de… excrementos. Estes são captados por dutos especiais e levadas a um
biodigestor. Então, os dejetos são degradados por colônias de microorganismos e
é gerado biogás e biofertilizante.
 
O biometano passa por uma filtragem para eliminar
outros gases e garantir 90% de pureza. Depois, são envazados em cilindros e transportados
até um posto de abastecimento dentro de Itaipu.
 
— O ônibus é muito mais silencioso, e tem um
desempenho muito similar o de um movido a GNV — garante Cícero Bley Junior,
diretor de Itaipu.
 
PROCESSO DE PURIFICAÇÃO
 
O biometano combustível produzido já abastece oito
caminhões da frota da granja e o ônibus Scania que transporta alunos dentro da
área da usina. O abastecimento se dá como em veículos movidos a GNV. Bombas,
bicos e cilindros são iguais aos usados para o gás natural.
 
O motor rende 320cv de potência para mover o ônibus
de 15m e capacidade para 120 passageiros. Segundo os engenheiros, o chassi
similar a diesel tem 340cv. O consumo, garantem, é melhor: chega a 15km/m³ (um
coletivo a GNV faz 5km/m³ e, a diesel, 3km/l). E o preço na bomba seria
equivalente ao do GNV atual.
 
Outra vantagem é ambiental. O motor atende às
normas Euro VI e promete emitir menos da metade dos níveis máximos permitidos
na Europa de material particulado e óxido de enxofre.
 
— O motor foi usado do jeito que chegou da Suécia e
não encontrou dificuldades com o biometano daqui. Significa que estamos prontos
para produzir biometano — comemora Silvio Munhoz, diretor de vendas da Scania.
 
Uma frota maior movida a biometano — como já ocorre
em países da Escandinávia e do norte da Europa — ainda é um projeto a longo
prazo. Os entraves maiores são o alto custo dos equipamentos para processo do
combustível, como o filtro de biogás, que custa R$ 180 mil cada.
 
Quanto ao ônibus, o diretor da Scania diz que não
vê altos custos para a produção de veículos deste tipo.
 
Até porque este modelo da Linha K tem 80% de peças
em comum com o chassi feito no Brasil movido a diesel.

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