Bomfim: o fim de um mito das estradas do Nordeste?

Fonte:
Portal Ônibus Paraibanos / Abrati
 
Fotos: Acervo Paraíba Bus Team

Com as transferências das 21 linhas da interestaduais da Empresa Senhor do Bomfim Ltda., fica no ar o destino da empresa sergipana. Em matéria do G1, a empresa comunicou que pode continuar a existir, seja em novas linhas ou fretamentos, porém, alguns de seus ônibus já foram vistos sem o nome da Bomfim em suas carrocerias. Enquanto o futuro da empresa não é definido, vamos conhecer o seu passado…

Desde
seus primeiros meses de funcionamento, em 1960, a empresa mostrou a preocupação
de oferecer o melhor aos seus passageiros. Começou por substituir antigas
marinetes (jardineiras), até então as únicas conhecidas na região por ônibus
dotados de bagageiro na parte inferior e poltronas reclináveis. Inicialmente, eram
apenas três linhas: Aracaju/Propriá, Aracaju/Neópolis e Aracaju/Brejo Grande.

Outra
preocupação era crescer. No mesmo ano em que foi fundada, a Bomfim comprou a
Jordão, empresa titular das linhas que ligavam Aracaju a Salvador. Eram duas
linhas, uma por Estância, outra por Tobias Barreto, operadas em dias
alternados, já que só havia duas viaturas disponíveis para a rota. Muita gente
achava que adquirir ônibus novos para rodar por estradas de terra em péssimas
condições era um ato de loucura de José Lauro. Afinal, aquilo era um tipo de
negócio cuidadosamente evitado por quem dispunha de algum capital.
MARINETES

A própria origem da Bomfim servia de exemplo. Nascera na década de 40, com o
nome de Expresso Senhor do Bomfim, pelas mãos de um forte comerciante da
região. A frota era constituída de 22 marinetes, todas com bagageiros no teto,
motor dianteiro e 20 lugares. Porém, a conjuntura ainda era amplamente
favorável ao transporte hidroviário e ferroviário, além de haver a concorrência
direta dos caminhões pau-de-arara. Menos de duas décadas depois, a frota tinha
se reduzido a apenas três marinetes, todas sucateadas, e a empresa estava
à beira da falência. Foi quando o jovem José Lauro, recém-casado e com menos de
22 anos, interessou-se por ela. Fez a compra, mudou a razão social para Empresa
Senhor do Bomfim e imediatamente deu início à substituição da frota. Chegava ao
fim a era das marinetes em Sergipe.

José
Lauro também tratou de aparelhar a oficina mecânica e apurar a manutenção, a
fim de garantir maior longevidade para a frota e menos quebras nas estradas.
Outra medida importante que adotou foi a implantação de um eficiente sistema de
limpeza dos veículos. Cada ônibus, ao voltar da viagem, era imediatamente
submetido a faxina e lavagem. “Era com muito zelo que ele tratava dos carros,
cuidando com rigor da limpeza e da manutenção”, testemunha a esposa, Dona
Gilza.
“Nos
dias de hoje, talvez seja comum uma empresa investir em modernidade. Mas para
aquela época, foram iniciativas precoces”, observa Laurinho Menezes, filho do
pioneiro, hoje à frente da administração da Bomfim. José Lauro salienta que
então o Estado de Sergipe “não tinha nem 180 mil habitantes”. E acrescenta que
o principal obstáculo era a estrada: “A viagem começava. Chegar era outra
história”.

Para
assegurar o cumprimento de seus itinerários, a empresa colocou seis tratores ao
longo das estradas, com os quais se podia romper qualquer barreira. Buracos,
atoleiros e troncos de árvores caídos eram muito comuns.

Especialmente
nos primeiros tempos, o cotidiano de José Lauro mudou radicalmente. Teve de
desdobrar-se em várias funções – varredor, manobrista, revisor – e ainda partir
para as estradas no papel de mecânico, a fim de prestar socorro aos ônibus
quebrados. “Muitas foram as vezes em que eu chegava em casa por volta da
meia-noite, depois de ter prestado um socorro, e logo o telefone tocava: outro
ônibus havia quebrado e eu tinha de voltar imediatamente para a estrada”, recorda
o empresário. Também não havia rodoviárias. “Os carros partiam da própria
garagem. Eu acordava às 3 horas da madrugada e alinhava um a um.”
EFICIÊNCIA

Tudo isso era necessário porque, diferentemente de empresários que o
antecederam no negócio, ele tinha como diretriz transportar as pessoas com o
máximo de conforto e segurança. Era sua estratégia para acabar com
a hegemonia do caminhão. “Apesar de ninguém acreditar, eu procurava vender
a Bomfim como uma empresa moderna, com um eficiente sistema organizacional,
ainda que o mercado, naquele tempo, fosse bem menos exigente”, explica José
Lauro. Em função disso, as práticas de manutenção preventiva e a novidade do
sistema de rádio-comunicação, introduzidos na empresa, ganharam ainda mais
importância.

Em
1961, foi incorporada a Expresso Santo Antônio, que circulava para os
municípios de Itabaianinha e Tobias Barreto. Em seguida, foi a vez da Viação
Nossa Senhora das Graças, de Itabaiana. Mais tarde, a da empresa São Paulo, da
cidade de Frei Paulo, que operava linhas com destino às cidades de Jeremoabo e
Paulo Afonso, na Bahia.
Em
1963, o empresário consumou sua investida mais ousada, com a incorporação da O.
Macêdo, que tinha frota de 27 ônibus. Segundo José Lauro, as transações podiam
ser feitas com rapidez  porque muitos empresários não acreditavam no
negócio ônibus. “Vendiam como se estivessem se livrando de um fardo pesado”,
comenta. “Comprávamos a preço de sucata e o pagamento ainda podia ser feito em
várias parcelas.”
Em
1964, a ponte de Itaporanga, único acesso de Sergipe ao resto do país, foi por
água abaixo devido ao maior temporal da história do Estado. A Bomfim passou a
transportar com baldeação. Um ônibus levava os passageiros até a ponte,
eles atravessavam o rio em canoa e depois embarcavam num segundo ônibus do
outro lado.


PARQUE RODOVIÁRIO

Em 1965, a empresa inaugurou seu primeiro Parque Rodoviário, estrutura que
centralizou em um só local a garagem e os setores administrativo e de serviços.

Em 1967, comprou a frota da Nogueiras e implantou a linha Aracaju/Itabuna.
Ainda nesse ano, ainda antes da chegada do asfalto, a Bomfim inaugurou o
primeiro serviço leito de Sergipe e introduziu o conceito que iria marcar toda
a história da empresa  “A Bomfim não transporta passageiros, mas clientes’”.
Por isso mesmo, a orientação era sempre manter no quadro de profissionais os
mais bem preparados do mercado. E a frota era constantemente renovada, sempre
com veículos de última geração.

Quando
a Bomfim completou oito anos, o empresário colocou seus ônibus nas balsas que
ligavam Sergipe ao vizinho Estado de Alagoas e atravessou o Rio São Francisco
em Neópolis, rumo a Maceió. No ano seguinte, 1969, finalmente foi inaugurada a
pavimentação asfáltica da BR-101, cortando Sergipe de ponta a ponta. O cenário
do segmento de transporte coletivo se transformou radicalmente. A rodovia
asfaltada determinou a supremacia dos ônibus, rompendo definitivamente o ciclo
do caminhão. Aquela altura, a companhia já despontava como uma das principais
do Nordeste, ligando municípios de todo o Estado de Sergipe e operando  linhas
para a Bahia e Alagoas.

Em
1977, foi implantado o primeiro serviço executivo, utilizando uma nova geração
de ônibus, que seria constantemente  aperfeiçoada nos anos seguintes até
chegar aos modernos Top Class atuais. O serviço levaria, já nos anos 90, à
criação das Salas de Atendimento ao Cliente e das Salas Vip, distribuídas pelos
principais terminais rodoviários dos itinerários da Bomfim. Ao mesmo tempo, a
empresa passou a diversificar os seus serviços, atuando em outros segmentos do
setor de transportes, como urbano, encomendas, turismo e renovação de
pneus.
José Lauro Menezes Silva
O
empresário José Lauro Menezes Silva é a existência devotada ao trabalho e ao
desenvolvimento de Sergipe. Ele é o exemplo vivo de que sonhos podem virar
realidade. Uma frase do Pastor Virgílio sábio pastor me chamou a atenção:
“Deus não abençoa preguiçoso” Isso é a pura verdade, Deus ajuda a
quem trabalha e José Lauro Menezes, desde a sua infância, foi fascinado pelo
trabalho e um obstinado perseguidor de seus ideais. Tudo começou há pouco mais
de cinquenta anos, quando o empresário Oviêdo Teixeira pai de sua esposa Gilza
Teixeira, um inquieto investidor, teve a brilhante idéia de comprar três
marinetes. Oviêdo queria que sua filha morasse em Aracaju e deixasse pra trás a
vida bucólica que levava na Fazenda Maxixe, propriedade de Zeca Barbosa pai de
Lauro Menezes. Em 24 de fevereiro de 1960 surgia a a Empresa Senhor do Bomfim.
Lauro deixou vacas e bezerros de lado e abraçou a nova empreitada.

Lembro de minha infância em Frei Paulo, nos fins dos anos 60, quando os
viajantes acordavam as 4 da manhã para embarcar com destino a Aracaju no
“Caminhão do Leite” uma perigosissima aventura a que muitos ali se
submetiam de forma gratuita. Agarrados em vasos de leite estudantes partiam
para estudar no Colégio Agrícola. as vezes sob a chuva.Trilhando em alta
velocidade as estradas piçarradas. Vidas foram ceifadas nesta aventura
inglória. Em contrapartida era lindo ver adentrando a cidade os modernos ônibus
da Bomfim , muito embora a modernidade não tenha dado fim ao risco do carro do
leite. Lembro a primeira vez que andei de ônibus, com meu pai seguia para
Carira. Sentei na primeira poltrona e me deliciava com o conforto mesmo
naquelas empoeiradas estradas do sertão.

Foi o elevado tirocínio empresarial de José Lauro fator primordial para a
modernização do transporte de passageiros em Sergipe , gradativamente apliando
linhas, ligando a capital a diversas cidades do interior e posteriormente a
outros estados. Isso numa época em que o transporte se resumia a bondes puxados
por jumentos. Lauro Menezes preserva o vigor e a energia dos grandes
guerreiros, um exemplo a ser seguido pelas novas gerações de empreendedores.
Lauro é um empresário cuja importância para o desenvolovimento de Sergipe é
imensurável. Sua vida se confunde com trabalho, lealdade e a certeza do dever
cumprido. Por isso está de parabéns. A Bomfim tornou-se uma empresa que é
referencia para o Nordeste, sua frota possue os melhores ônibus, e o
gerenciamento está sempre atento ao avanço tecnológico do setor, para atuar
sempre na vanguarda. Esse é o objetivo de José Lauro perseguido com o mesmo
entusiasmo de sempre.

3 Replies to “Bomfim: o fim de um mito das estradas do Nordeste?”

  1. O Sibarita disse:

    Excelente exemplo para os dias atuais, perseverar e perseverar me pareceu o lema de José Lauro para aquele tempo difícil sem estradas. Eu que sou baiano e sempre morei em Salvador pergunto: quem da minha geração (tenho 64 anos) não foi conhecer o nosso vizinho estado a bordo dos ônibus da Bomfim? Todos, mesmos em Salvador ouvíamos falar muito bem da Bomfim, da sua eficiência e qualidade para transportar (como dizia o Lauro) seus clientes! Eu tinha dois amigos de infância que trabalhavam na Concessionária Mercedes Benz Irmãos Curvelo dai de Sergipe, mas, com filial em Salvador que falavam do Sr. Lauro como um grande baluarte do transporte rodoviário de Sergipe, então a esse homem meus Parabéns! E o porque estou aqui escrevendo? Simples! Ao ler o jornal "A Tarde" ontem (domingo 21/09/2014) vi que a Bomfim tinha passado todas as suas linhas para duas empresas a Rota e a Águia Branca, sinceramente, fiquei meio triste, acho que todos que viajaram pela Bomfim com certeza estão tristes também. Dai que vim pesquisar para saber se era verdade e vejo que infelizmente é! Mas, o que houve para a Bomfim acabar, um sonho indo embora assim? Tomara que deem a volta por cima e voltem com tudo!

    Sibário

  2. Anônimo disse:

    Esse cara merece uma estátua de ouro o que ele fez acreditou e conseguiu todos gosta dessa empresa maravilhosa tratra com respeito e dignidade os seu cliente ônibus sempre moderno atendimento maravilhoso e agora não dá lá acreditar assim do nada perde a linha mas concerteza algums político corruptos tomou a linha desse humilde trabalhador. …e sempre assim viva o Brasil. ..

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