Ônibus Paraibanos

Buracos, medo de assalto e desconforto nos ônibus

Fonte:
Jornal da Paraíba
Matéria / Texto: Epitácio Germano
Fotos: Caio Henrique / JC Barboza

Ruas
esburacadas, medo de assaltos e desconforto. Este é o cenário vivenciado
diariamente pelos campinenses que fazem uso do transporte
coletivo para se deslocarem de casa ao trabalho, ou sair dos bairros até
outras áreas da cidade.

As principais linhas que são alvos de reclamações pelos passageiros são a
101 e 111, conforme o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de
Campina Grande (Sitrans). Os problemas foram verificados através de uma ação
realizada no último sábado pelas empresas Nacional e Transnacional , que
disponibilizaram um ônibus para a realização do percurso com a participação de
jornalistas, radialistas e lideranças comunitárias, no sentido de detectar
problemas e soluções.

As
duas linhas interligam o número de oito bairros, em uma extensão de 29 km que
são percorridas no tempo de 96 minutos. Outra reclamação é a falta de pontos de
apoio nos locais de paradas. Segundo as empresas, o tempo de intervalo para a
passagem dos ônibus é de 12 minutos nos horários de pico e 14 minutos no
restante do dia.
De
acordo com Locival Nunes de Lima, gerente de operações da empresa Nacional, que
realiza o percurso da linha 101, o principal problema é a falta de mobilidade
urbana. “Mensalmente nossos ônibus realizam o transporte de 82 mil passageiros
somente nesta linha, entretanto, os problemas já foram detectados, mas nem
todos dependem da empresa resovê-los. Para esta rota a empresa
disponibiliza oito ônibus, o que é suficiente para o trabalho”, ressaltou.
Segundo
ele, a ausência de pontos de apoio nas paradas de ônibus, também é
considerado um problema. “Durante todo o percurso da linha 101 são poucos
os locais que existem pontos de apoio para paradas. Os
motoristas geralmente param ônibus porque usam de referências a partir da
localização de um estabelecimento, o que dificulta muito para os passageiros”,
disse.
Pedrina
Gomes, 32 anos, utiliza a 101 diariamente e disse que além da agilidade nos
transportes, falta também segurança dentro e fora do ônibus. “Já fui assaltada
com minha criança no colo e levaram meu celular e bolsa com documentos. A
gente tenta se proteger mas nem sempre dá certo, ás vezes é preciso sorte”,
comentou.
O
comandante do 2° batalhão de Polícia Militar de Campina Grande, coronel
Lívio Delgado, disse que a polícia trabalha diariamente no combate aos
casos de assaltos e que o desenvolvimento de operações para coibir este tipo de
prática já é intensificada durante todo o dia. “É importante que as
pessoas vítimas de assalto a ônibus, façam o boletim de ocorrência na
delegacia, pois somente assim, é possível que seja realizado um trabalho
estratégico para o combate”, ressaltou.
No
percurso contrário da rota, a linha 111 possui os mesmos problemas. O gerente
de operações da Transnacional, Rinaldo Costa, disse que os ônibus precisam
passar por revisões constantes devido a situação de algumas ruas que estão
esburacadas e outras que sequer possuem pavimentação. “A revisão de todos
os ônibus acontece semanalmente, devido as circunstâncias que os motoristas
enfrentam nas ruas. Em muito dos casos não tem como desviar do buraco e o jeito
é mesmo passar arriscando quebrar o veículo”, comentou.

Um
dos pontos críticos para a passagem dos ônibus fica no Distrito Industrial,
ponto inicial da linha. No local, vários buracos e também veículos
estacionados em locais proibidos, além de sucatas abandonadas, o que acaba
dificultando a passagem dos ônibus e o próprio trânsito na localidade.
Inácia
Oliveira, residente no bairro do Jardim Paulistano, construiu uma parede de
proteção na calçada de sua casa, devido à passagem dos ônibus que ao desviarem
dos buracos realizam a curva invadindo o espaço. “A gente tem sempre medo
quando vem o ônibus, porque de repente pode atingir uma pessoa que esteja
caminhando pela calçada”, disse.
O
diretor institucional do Sitrans, Anchieta Bernardino, disse que os problemas
precisam ser discutidos pela sociedade. “É preciso que exista uma discussão
sobre estes problemas , principalmente, no que se refere aos obstáculos que
dificultam o trânsito dos transportes pelos bairros”, disse.
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