Ônibus Paraibanos

Busscar Panorâmico quatro eixos

Fonte:
Portal Ônibus Paraibanos
Matéria / Texto: Carlos Alberto Ribeiro
 
Fotos: Acervo Paraíba Bus Team

“Em
novembro de 1995 a Busscar nocauteou duplamente sua grande rival de mercado, a
gigante Marcopolo, ao lançar o primeiro ônibus com quatro eixos, sendo os dois
dianteiros bidirecionais, e também a primeira carroceria com 14 metros de
comprimento”.

Desde o final do ano de 1983 e primeiro semestre de 1984 houve uma disputa
acirrada de mercado entre a Marcopolo e a Nielson/Busscar pelo lançamento de
novidades de ponta, veículos de alto valor agregado. Assim foi com a primeira
carroceria HD (High Deck), dois andares. Alguns afirmam ter sido a Marcopolo a
pioneira, com o lançamento do Paradiso 1400 G.IV. Outros apostam fichas na
Nielson, com o modelo Diplomata 380. A disputa se estende até as matérias
publicadas em jornais e revistas da época. O certo é que a diferença entre um e
outro não passa de seis meses.


Veio o ano de 1990/1991. A Nielson já tinha mudado seu nome para Busscar e
lançado uma nova e moderníssima linha de ônibus. A Marcopolo continuava com os
seus carros da Geração IV, lançados no final de 1983. Dizem ter sido a Busscar
a pioneira em abrir um novo nicho de mercado, com uma carroceria situada um
pouco abaixo das HD. Na categoria HD, a Busscar concorria forte com o seu novo
Jum Buss 380, uma evolução do Nielson Diplomata 380. A Marcopolo marcava
presença com o Paradiso 1400 G.IV. Mas foi neste ano (1991) que uma nova frente
de batalha foi aberta, com as carrocerias MD (Midle Decker), 1 ½ piso e meio.
Dizem que a Busscar foi a pioneira com o seu Jum Buss 360. E que a Marcopolo
teve de correr atrás e projetar e lançar rapidamente o Paradiso 1150 G.IV, para
poder fazer frente ao ônibus da Busscar, que se revelou bom de venda.

Parou por aí? Não. No final de 1994, já com a sua Geração V (G.V) na praça, a
Marcopolo abriu uma nova categoria, que era a das carrocerias LD (Low Driver),
cerca de 15 centímetros mais alta do que as HD. E com uma novidade, o salão de
passageiros avançava sobre a cabine do motorista, que por sua vez, ficava num
posto mais baixo, se comparado aos ônibus HD. Com a LD existia a possibilidade
de instalar mais poltronas no salão de passageiros, pois era maior. Ou então
novas configurações oferecendo maior comodidade aos passageiros. Mas a Busscar
não ficou atrás. Novamente poucos meses separaram um lançamento do outro. Se a
Marcopolo atacou com o Paradiso 1450 LD, a Busscar, poucos meses depois, já em
1995, partiu para o combate com o Busscar Panorâmico 400P, também uma
carroceria LD.


Então o que temos é: de 1984 existe dúvidas sobre de quem foi o primeiro HD,
Marcopolo ou Nielson. Possivelmente a fabricante gaúcha. Mas em 1991 foi, quase
que com 100% de certeza, da Busscar a primazia no lançamento da primeira
carroceria MD. Outra batalha veio em 1994, a Marcopolo com o Paradiso 1450 LD.
A Busscar (em 1995) com o Panorâmico 400P. Mas neste mesmo ano, no final dele,
em novembro de 1995, a montadora joinvilense deu um contragolpe, pois lançou o
primeiro ônibus rodoviário brasileiro com quatro eixos, dois dianteiros,
bidirecional, dois traseiros, sendo um de tração e o outro de apoio. Era o
Panorâmico 400 com configuração de chassi 8 x 2. Não havia nem sequer
legislação específica para esse tipo de carroceria no Brasil. Sua fabricação
não tinha ainda autorização legal e nem normas específicas desenvolvidas e
homologadas.

A Busscar surpreendeu tudo e todos. Destinado ao mercado externo, para rodar no
Brasil, pois várias empresas manifestaram interesse em comprar o ônibus gigante
da Busscar, foi preciso uma autorização especial do DNER. E estudos começaram a
serem feitos para criar normas com especificações técnicas para chassis de
configuração 8 x 2, os quatro eixos. Barreiras de cunho técnico tiveram de
serem transpostas, pois o conjunto de dois eixos dianteiros extrapolava o
limite legal de peso admitido para o eixo dianteiro. Outro problema, além dos
eixos duplos na frente a Busscar apresentou na mesma época, a primeira
carroceria com 14 metros de comprimento. Tudo no modelo Panorâmico 400P. O
comprimento de 14 metros também excedia o limite legal das normas vigentes para
carrocerias rodoviárias, que era de 13,20 metros.

O chassi que provocou tanta polêmica quanto a nova carroceria da Busscar era da
marca Scania. Era o chassi K113TLB 8 x 2. Com o motor Scania, modelo DSC 11 18
tipo 360, com potência de 363 cv e torque de 162 Kpm. Foi realizado uma
adaptação no chassi K113TL 6 x 2, aumentando o seu comprimento de 13,20 para 14
metros, reforço estrutural e refeito o sistema de freios e da suspensão, pois
iria receber uma carroceria maior e mais pesada. Com suspensão totalmente a ar
e freios com ABS, os dois eixos dianteiros eram da Scania, modelo AM 60,
bidirecionais ligados entre si por um sistema de barra de direção da ZF,
família Secovom, modelo 8097. A direção, hidráulica, move o primeiro eixo. O
segundo eixo era movimentado por um cilindro auxiliar, comandado por uma
válvula posicionada no cabeçote da direção.

Era a Busscar e a Scania formando dupla e fazendo história. Não foi a primeira
vez. No final de 1979 já tinham unido esforços e lançado o primeiro chassi
trucado, com 13,20 metros de comprimento, com carroceria Nielson, do modelo
Diplomata 2.60 Super. O chassi era do modelo BR-116. E a história registra que
foi a Auto Viação Catarinense que adquiriu o ônibus montado em 1979. E em 1995
coube a empresa Viagens Costa, que operava serviços de agenciamento de turismo,
a honra de ser a primeira companhia de viação a comprar o Busscar Panorâmico
400P quatro eixos.

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