Itapemirim, 61 anos de muita história pra contar

Fonte:
Inbus Transport / Portal Ônibus Paraibanos
Matéria / Texto: Hélio Luiz Oliveira / Kristofer Oliveira / JC Barboza
Fotos:
Acervo Histórico Paraíba Bus Team / Itapemirim


Na próxima sexta-feira, dia 4 de julho, a Itapemirim completa 64 anos de atividades de muitas histórias. A
história da Viação Itapemirim pode ser contada inicialmente pela compra de um
caminhão Ford ano 46 movido a diesel por Camilo Cola. A cidade era Castelo, no
Espírito Santo, e o gosto pela mecânica e experiência adquirida nos tempos de
segunda grande guerra mundial, nasceriam os primeiros passos como transportador
de carga (mais precisamente de pneus entre o estado capixaba, fluminense e
paulista – eram tempos difíceis: Rio de Janeiro X São Paulo eram 5 dias de
viagem).

Em setembro de 1948 surge a chance ingressar no transporte rodoviário coletivo
de passageiros, atividade que identificaria Camilo Cola como empresário.


Era a especial a dedicação no segmento de passageiros onde em Florença, Itália,
conheceu a Companhia Italiana de Transportes por ônibus e devido ao cenário de
guerra, Camilo Cola examinaria com muito interesse os inúmeros ônibus da
empresa que estavam ali parados.

Com seu sócio Vitório Perim adquire a linha Castelo X Cachoeiro: nasceria em
fins de 1948 a ETA – Empresa de Transportes Auto Ltda. com apenas um ônibus,
percorrendo um trecho de 40 km em duas horas e meia de viagem.

No ano de 1949, dois ônibus foram comprados pela empresa: um Ford ano 1939 e
1941, e surge a linha rodoviária até Alegre (distando 65 km de Cachoeiro), cujo
o principal concorrente era o trem, que aos poucos foram ganhando confiança em
oferta de lugares nos ônibus pela população da região.

Para o ano de 1951 são incorporados oito novos e modernos veículos da General
Motors à frota, assim a ETA associaria as Viações São José, São Jorge e Ramos
compondo 18 ônibus e 10 linhas rodoviárias. Em 30/06/1953 a mesma encerra suas
atividades.


Nasce a Itapemirim
04
de julho de 1953 é a data de fundação da Viação Itapemirim Ltda, com um porte
expressivo composto por sete sócios e a maior empresa de transporte capixaba já
com 29 veículos. Com visão alicerçada na expansão da frota, inicia o projeto do
Parque de Manutenção nas cercanias de Cachoeiro, onde em 29 de junho de 1956
(Hoje completa 58 anos) o inaugura. Graças a qualidade de seus serviços
prestados e dedicação exclusiva ao transporte de passageiros, surge a primeira
linha interestadual ligando Vitória ao Rio de Janeiro. Os contatos e
entendimentos mantidos com a FNM – Fábrica Nacional de Motores, a Itapemirim
adquire os seis primeiros ônibus da marca montados com carroceria Grassi de 42
passageiros que circulariam na linha Vitória X Cachoeiro X Rio – um ano depois
eram 30 unidades com as bandeiras FNM/Grassi.


por volta de 1960 adquire de uma só vez 30 ônibus da marca Mercedes-Benz
dotados de motor OM-312, moderníssimos e confortáveis.

Com a linha direta Vitória X Rio de Janeiro X Vitória outros 40 novos
monoblocos são incorporados à frota.

A
Itapemirim estava com excelentes meios de transporte: a maior quantidade de
ônibus monobloco do país e projetando-se para 300 unidades no ano de 1965 que
segundo Camilo Cola, este foi o ano divisor de águas na história da empresa
adotando uma força motriz no planejamento das ações empresariais.
Em
1969 começa a utilizar a cor amarela em seus ônibus, cria e estabelece o
desenvolvimento dos serviços de transportes de passageiros em todo o país. Vão
surgindo a partir de então as principais ligações rodoviárias no país:
Rio
X Salvador – 1967 (Primeira ligação com o Nordeste)
Rio
X Brasília – 1968
Belo
Horizonte X Brasília – 1969
Campina
Grande X São Paulo – 1970
João
Pessoa X Rio – 1970
Rio
X Recife – 1970 (A frota da empresa tinha mais de 600 ônibus)
Fortaleza
X Rio – 1973
Fortaleza
X São Paulo – 1973
Teresina
X São Paulo – 1975
Em
1973 incorpora a Empresa Nossa Senhora da Penha, sediada em Curitiba, Paraná,
possibilitando assim as ligações dirigidas ao sul brasileiro. Novos
planejamentos e a realização de estudos técnicos alcança números surpreendentes
na elevação de ofertas de passageiros em seus ônibus. Três anos depois
experimentaria um projeto audacioso de um ônibus rodoviário de três eixos
montado num monobloco O-326.

A partir de então, a Itapemirim visa o aperfeiçoamento e amplitude nos negócios
(juntamente com a Penha cria a empresa Pensatur dirigida ao segmento de
turismo) e em 1980 (já a maior frota de ônibus do país com 1.500 veículos)
apresenta o Tribus (efetivamente o primeiro ônibus de 3 eixos do mercado
nacional – plataformas Mercedes-Benz O-355 e carrocerias Ciferal Dinossauro e
Nielson Diplomata) com forte e intensiva campanha publicitária, pois o início
de operação desses novos ônibus teria a estréia na ligação rodoviária mais
importante do Brasil: A Rio de Janeiro X São Paulo (com a aquisição da empresa
Única que pertencia ao Grupo Caio)  – antes os primeiros modelos do novos
ônibus já haviam sidos testados na ligação entre o Rio de Janeiro e São Luís.

Nesse
contexto, a Itapemirim participaria do pool entre empresas na ligação entre as
capitais paulista e carioca, surgindo a ponte rodoviária, numa expressiva
economia de combustível.
No
comando de Camilo Cola, a empresa diversifica suas atividades empresariais e
industriais: no ano de 1986 num aperfeiçoamento da fábrica de ônibus em
Cachoeiro (agora chamada de Tecnobus serviços, comércio e indústria Ltda.)
inicia a fabricação do modelo rodoviário Tecnobus I. Outras empresas também
passam a integrar a holding como: Expresso Continental, Viação Sudeste,
Centauro Transportes e Turismo, além da Penha.

Atendendo a demanda na fabricação de carrocerias de ônibus para o grupo, em
1988 apresenta a versão número 2 das carrocerias Tribus.
Para
o ano de 1992 surge a carroceria Superbus com 2 eixos e em 1993 o Tribus 3. Em
1995 a empresa adquire junto á Mercedes-Benz mais monoblocos para a inauguração
de um novo serviço, o Starbus. O primeiro ônibus executivo rodoviário de três
eixos do país.

A
empresa passa os próximos anos a ser administrada pela Corporação Itapemirim
(com quase 20 mil funcionários) englobando 30 empresas.

Em 1998 apresenta o Golden Service (serviço concebido pela empresa que agrega o
conforto de um ônibus leito e a tarifa econômica de um executivo) com
carroceria da marca Busscar, juntamente na linha Rio de Janeiro X São Paulo
mostra o Cinebus (primeiro ônibus a possuir um telão a bordo, para exibição de
dois filmes durante as viagens). A tecnobus passa também a produzir furgões
para transporte de cargas leves e a versão número 4 do ônibus Tecnobus.

Atualmente a empresa conta com certificação da ISO 9002 e sua sua sede
administrativa no complexo e garagem de Guarulhos. São 1.700 veículos transportando
um contingente de 2.600.000 passageiros nos diferentes pontos brasileiros,
percorrendo mais de 170.000.000 km por ano. Sua maior linha em operação é a
Colatina, Espírito Santo à Porto Velho, Rondônia, (Via Belo Horizonte e Cuiabá)
com 3.732 km de extensão.


Assim a Itapemirim consolida-se a primeira empresa rodoviária do país, justo
título conquistado ao longo destas últimas cinco décadas.

No seu sexagenário, comemorado ano passado, a empresa colocou em operação novos ônibus e ainda colocou em operação cinco ônibus com pintura retrô relembrando modelos que marcaram na história da empresa.

Na comemoração do seu 61° aniversário, novos e modernos ônibus estão sendo
incorporados a frota. Como no ano passado, os veículos adquiridos são os
Marcopolo Paradiso G7 1200 com chassi Mercedes-Benz O-500 RSD.

Atuação na Paraíba

A
Itapemirim praticamente mantém a mesma estrutura e linhas desde a época que
começou a atuar na Paraíba, na qual foi adquirindo aos poucos das empresas
paraibanas. As empresas paraibanas que tinham linhas para o sudeste eram:
*
Expresso Paraibano – Guarabira x Rio/SP;
*
Viação Bonfim – João Pessoa x Rio/SP;
*
Viação Brasília – Patos x Rio/SP (A linha para São Paulo ficou com a Gontijo);
*
Viação Planalto – Campina Grande x Rio/SP;
*
Cometa? (empresa-embrião da Transparaíba e Transnorte) – Itabaiana x Rio
(possivelmente)

Em
1979, a Itapemirim adquire a linha Guarabira x Recife que era da Viação Bonfim.
Também nos anos 70, possivelmente tenha ficado com a garagem em Guarabira que
na certa era da Expresso Paraibano, após a primeira falência dessa. Ou que
sabe, para ela entrar na Paraíba, fez um acordo político para manter uma
garagem e partidas de linhas em Guarabira.
Atualmente, As linhas que ela atua na Paraíba são:
*
Alagoa Grande x Rio de Janeiro;
*
Patos x Rio de Janeiro;
*
Campina Grande x Rio de Janeiro;
*
Campina Grande x São Paulo;
*
Guarabira x Rio de Janeiro;
*
Guarabira x São Paulo;
*
João Pessoa x Belo Horizonte (dentro da Natal x Belo Horizonte);
*
João Pessoa x Rio de Janeiro (dentro da Guarabira x Rio de Janeiro);
*
João Pessoa x São Paulo (dentro da Guarabira x São Paulo);
*
Itabaiana x Rio de Janeiro (possivelmente absorvida pela linha de Patos, Campina
Grande ou Caicó/RN x Rio de Janeiro).

2 comentários em “Itapemirim, 61 anos de muita história pra contar”

  1. Tenho uma grande vontade de saber mais detalhes sobre a Pensatur mais infelizmente nem nos banco de dados da Cepimar consegui algo concreto. Aqui no texto acima informa que foi criada pela Itapemirim, mais um ex motorista me informou que a mesma pertencia ao grupo empresarial Raimundo Ferreira, em mais era administrado pelo o filho e o mesmo vendeu a empresa a o sr Camilo sem o conhecimento do pai. Outro site informa também que era do Sr Raimundo. Seria possível eu consegui mais detalhes sobre esta empresa?

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