Estopim dos protestos, passagem de ônibus subiu em 9 capitais em 2014

Fonte:
G1

Foto: Thiago Martins de Souza


O movimento contra reajuste nas tarifas de
transporte público foi a bandeira levantada por manifestantes que deu início a
uma série de protestos em junho de 2013. A pressão popular fez o governo de
algumas capitais do país voltar atrás no valor das tarifas, na época. Mas um
levantamento realizado pelo G1 mostra que, um ano depois dos
protestos, nove capitais já reajustaram o valor.

Em 2014, os preços das passagens de ônibus
municipais subiram em Belém, Belo Horizonte,Boa Vista, Cuiabá, Goiânia, Maceió, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Luís. Os aumentos
variam de R$ 0,10 a R$ 0,35.
Após as manifestações de junho, 10 das 11 capitais
brasileiras que haviam tido acréscimo no valor voltaram atrás. Aracaju, Curitiba, Goiânia, João Pessoa, Manaus, Natal, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória estão entre as que cancelaram o
reajuste. A prefeitura de Fortaleza também tentou impedir o aumento,
mas uma decisão da Justiça manteve o preço da tarifa em R$ 2,20. Quase 50
cidades anunciaram reduções na época, entre elas três capitais que nem tinham
aumentado: Campo Grande, Macapá
e Cuiabá.
Até abril, cinco capitais já haviam reajustado as
tarifas.
 
Para os integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) que capitanearam os
protestos, mesmo com o novo reajuste, a guerra não foi perdida. “A questão do
transporte coletivo nas cidades condensa uma série de problemas urbanos e os
atos fizeram o povo pensar a respeito disso”, diz Érica de Oliveira, de 23
anos, uma das coordenadoras do MPL em São Paulo.
 
“A nossa luta pelo passe livre continua. O dinheiro que está sendo
investido em obras várias, como as da Copa, poderia ser investido em transporte
público e baixar a tarifa. É a falta da priorização do uso dos recursos que
está na causa deste aumento”, acredita ela.
Greves de rodoviários

Algumas das capitais que tiveram reajustes em 2014 enfrentaram nos últimos
meses greves de motoristas e cobradores de ônibus. Em Goiânia, uma reunião entre governo e as
empresas de transporte coletivo decidiu subir a partir de 3 de maio a tarifa,
que passou de R$ 2,70 para R$ 2,80. O valor, segundo a entidade, foi baseado
nos reajustes do óleo diesel, da inflação e do salário dos motoristas. A tarifa
não era corrigida desde abril de 2012.
Já em São Luís, o reajuste passou a valer no
último dia 8, após uma greve dos rodoviários, que durou 16 dias, chegar ao fim
com uma conciliação. A Justiça determinou reajuste salarial de 7,8%  para
a categoria e os valores das passagens de ônibus foram corrigidos em todos os
níveis em R$ 0,30.
Belém também enfrentou 12 dias de paralisação de
motoristas e cobradores: a greve terminou dia 10 de maio e, sete dias depois, a
prefeitura anunciou que a tarifa passaria de R$ 2,20 para R$ 2,40 na capital e
Região Metropolitana. Belo Horizonte só teve reajuste, também de
R$ 0,20, em 10 de maio, após uma disputa judicial em que o Ministério Público
havia conseguido barrar preliminarmente a elevação dos preços.
Algumas prefeituras, porém, reduziram a tarifa.
Ribeirão Preto (SP) conseguiu aproveitar a desoneração, por parte do governo
federal, da cobrança da contribuição para o PIS/PASEP e do COFINS sobre a
receita de serviços de transporte público, e reduziu o valor em R$ 0,10, ainda
em 2013. Em Florianópolis (SC), a prefeitura
aumentou o subsídio e também contratou uma nova empresa para o serviço,
reduzindo as passagens em R$ 0,15.

Doutor em engenharia de transportes da Universidade
de São Paulo, Jaime Waisman vê uma relação
indireta entre as greves dos rodoviários e os reajustes e entende que as
prefeituras não estão conseguindo, com subsídios, manter o valor atual das
tarifas. “O custo pessoal no setor é alto e, todo ano, em maio, há discussão
para o dissídio, que incide sobre a impossibilidade de se manter as tarifas. As
prefeituras teriam que cobrir a diferença, dando subsídios às empresas, mas
elas não tem condições para isso”, afirma.
“A forma como é feita a política de transporte
urbano no Brasil leva à situação em que todo ano tem que ter aumento das
tarifas. Fica impossível segurar o valor”, acrescenta. “No ano passado, as
prefeituras foram pegas de surpresa e a questão política fez pressão para que
mantivessem o preço. Mas alguém tem que pagar a conta, não existe almoço
grátis”, diz Waisman.
 
O MPL vê a justificativa do aumento dos custos, como salários e a inflação,
para reajuste das tarifas como “falaciosa”. “O que existe hoje é uma tentativa
de justificar os aumentos, enquanto o dinheiro público está sendo mal
investido. A catraca gira, a empresa está ganhando”, entende Érica de
Oliveira, de 23 anos, integrante do movimento em SP.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

ATENÇÃO: Este conteúdo é protegido.
Como ficariam os ônibus urbanos da Itapemirim? Relíquias do Museu da Itapemirim O amor pede passagem Busscar El Buss da Auto Viação 1001 Número das vendas e exportações de carrocerias de ônibus – 04/2021 Montagens de modelos com o layout da Nacional e Continental O Apache Vip na frota metropolitana da Grande João Pessoa O Apache Vip na frota municipal de João Pessoa Apache Vip da Util Renovação de frota na Boa Esperança